TIAGO, TUAS PALAVRAS FORAM MÚSICA NO MEU CORAÇÃO
Na noite do recital onde o Clube Literário de Gravataí homenageou o ColetiveArts pela passagem do seu 8º ano eu testei meu coração por duas vezes. A primeira foi pela homenagem em si, a segunda foi de um fato que ocorreu há muito tempo, quando ainda existia a extinta FUNDARC.
Não estou bem certa do ano, mas a FUNDARC promoveu o concurso POEMAS NO ÔNIBUS. Esse projeto foi uma iniciativa cultural da Prefeitura de Gravataí, via FUNDARC, e da SOGIL, que selecionava e expunha poesias nos coletivos municipais e intermunicipais. Minhas poesias foram selecionadas por cinco anos consecutivos.
Meu nome viajava todos os dias nos “pingas” para Porto Alegre e eu não tinha ideia do impacto que isso poderia causar àquelas pessoas que liam as lágrimas transformadas em letras que eu imprimia nas folhas auto-colantes dos adesivos... até a noite de hoje...
Ao final do evento a minha querida amiga Jeane Bordignon me convidou para tomarmos uma taça de vinho para comemorar. Tínhamos uma vasta lista de motivos para comemorar, e fomos no Armazém 500 junto com o Duda e a Cacau. Lá ela encontrou um amigo, músico, Tiago da Rosa Ramos. O Tiago sentou conosco numa mesa na rua e ficamos conversando sobre vários assuntos. Depois de muito tempo de conversa o Tiago olhou espantado para mim e disse: - Tu que és a Isab-El? Perguntei o que ele havia ouvido sobre mim, disse , rindo, que se fosse algo ruim era mentira. Foi aí que testei meu coração: o Tiago, com os olhos cheios de lágrimas confessou que ia todos os dias para Porto Alegre lendo minhas poesias. Ele trabalhava na antiga Varig e viajava num Sogil lotado, em pé, apertado, com os olhos fixos nas minhas poesias. Que elas eram o incentivo para ele, o combustível para enfrentar o dia de trabalho.
Eu fiquei parada, sem ação. Muita vontade de chorar. O peito apertou e eu tive que segurar a emoção. Aquele homem, hoje adulto, deveria ser um jovem recém saído da adolescência... eu estava influenciando, motivando sem saber, o nascimento de um artista. Ele disse que lia minhas poesias e ficava pensando que era aquilo que ele queria para si. Para suavizar eu recitei uma que eu lembrava que esteve nos ônibus :
Prisão em mim
Pela janela
Vejo a vida
É tarde
Vou dormir!
O Tiago me deu o maior presente que eu poderia receber. Ele lembrou desta poesia e se emocionou ao me conhecer. Mal sabe que eu estava mais emocionada do que ele. A pior época da minha vida, quando minhas poesias eram tristes, quando eu chorava letras sobre uma folha de papel, tinha um garoto que via nessas mesmas poesias, um futuro, uma estrada por onde ele queria fazer a sua arte. Ouvir que aquelas linhas eram o que ele absorvia toda manhã antes da labuta e que ansiava por lê-las, mexeu comigo. Eu não tinha ideia de que minha poesia poderia impactar o coração de alguém e agora fico me perguntando quantas pessoas mais eu posso ter impactado? Agora caiu a ficha de que eu posso ter sido a responsável por sentimentos, por sorrisos ou lágrimas de pessoas dentro dos coletivos lotados da Sogil. Que mesmo os que ficaram indiferentes podem ter lido algumas linhas... e será que algum sentimento brotou?
O Tiago me deu um forte abraço e um beijo na testa. Me agradeceu e eu mal pude falar. Era eu quem deveria agradecê-lo, mas não encontrei palavras. Ele conseguiu fazer uma escritora ficar sem palavras. Por isso recorro novamente as letras para me expressar.
Muito obrigada, Tiago. Tu me deste o maior presente que eu poderia receber. A tua emoção foi a certeza de que eu fiz algo pela literatura.
Guardarei essa alegria no meu coração. Que tua estrada seja a música mais linda que os anjos possam compor.
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| Isab-El Cristina |
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| Arte:Waldemar Max |
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!



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