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“Boizinhos” de Sabugo
Quando criança, minha mãe nos contava sobre a sua infância lá no interior de Glorinha (quer dizer, Glorinha, na época distrito de Gravataí, já era por si só interior), lá pelos anos de 1940. Uma pobreza, ao ponto que sua brincadeira preferida era fazer “boizinhos” enfiando palitos em sabugos de milho. Assim ela brincava construindo a sua boiada imaginária. Dizia isso com um sorriso de nostalgia, uma saudade da infância que, mesmo miserável, ainda guardava um afago na lembrança.
Também contava, emocionada, que o primeiro presente que recebeu foi da sua irmã mais velha, Cecilia, aos nove anos, que lhe fez um vestidinho em agradecimento porque minha mãe, um toco de gente, a ajudava a carregar as latas de água da sanga para abastecer a casa. Era uma vida muito difícil.
Nos anos 1990 assisti a uma reportagem na qual o repórter chora ao ver um gurizinho, acho que no interior de Goiás, sentado no chão de terra da sua miserável casa brincando, tal qual minha mãe, com os “boizinhos” de sabugo.
Lembrando das histórias de infância da minha mãe não posso deixar de ficar emocionado, assim como aquele repórter, mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de lembrar que, assim como a minha mãe, aquele gurizinho que brincava com os “bois” de sabugo, na sua inocência, era naquele momento feliz sem dar-se conta da miséria em que vivia.
Parabéns, minha mãe nesse dia 13.07 pelo seu aniversário de 84 anos. Educou com o seu amor dois guris, um virou professor e o outro virou arquiteto. Certamente nos criou com o mesmo carinho que criou os seus amados “boizinhos” de sabugo.
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