
Histórias silenciosas de vida

Que experiência incrível! Quando me disseram que a HQ era sem falas, confesso que fiquei curioso sobre como a narrativa se sustentaria. Foi o primeiro título que li desse autor. Mas Chabouté é um mestre! A ausência de diálogos não empobrece, pelo contrário, ela amplifica a emoção e a universalidade das histórias. Senti como se eu mesmo fosse aquele banco, um observador silencioso no parque, testemunhando a vida em suas mais diversas nuances. É como ter um assento privilegiado para a comédia e a tragédia humana, sem a necessidade de palavras para traduzir o que os olhos e o coração já entendem.

Através da perspectiva do banco, eu vi amores nascerem e envelhecerem, o abandono que machuca, o preconceito que separa, a superação que inspira e, acima de tudo, a implacável passagem do tempo. Cada personagem que se sentava ali – o casal de velhinhos, o músico, o mendigo, o cachorro vira-lata – trazia consigo uma micro história, um pedaço da existência que se desenrolava diante dos meus "olhos". A genialidade está em como Chabouté consegue transmitir tanta profundidade e complexidade emocional apenas com a arte, com as expressões, os gestos e a ambientação.

A arte em preto e branco é sublime e não é uma limitação, mas uma escolha estilística que realça a dramaticidade e a atemporalidade das cenas. Cada traço, cada sombra, cada detalhe no cenário contribui para a atmosfera e para a emoção que a história quer passar. Eu me senti conectado a esses personagens anônimos, torcendo por eles, lamentando suas perdas e celebrando suas pequenas vitórias. É uma obra que te convida a preencher os espaços, a interpretar as entrelinhas e a sentir a humanidade pulsando em cada página.
Então, sim, "Um Pedaço de Madeira e Aço" é uma obra-prima. É um poema gráfico que me fez refletir sobre a beleza e a efemeridade da vida, sobre o que nos une e o que nos separa, tudo isso a partir da perspectiva humilde e silenciosa de um banco de parque. Uma verdadeira aula de narrativa visual!
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| O autor e sua obra |
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| Sandman |
Sandman é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.
"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."
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