A garotinha entrou pelo bar com uma garrafa vazia. Pediu que enchesse. Queria água. O calor era infernal. O dono do estabelecimento perguntou com quem ela estava. Ela disse que a mãe esperava na rua ao lado. O comerciante demonstrou preocupação e foi até a porta olhar para os lados. Insistiu na pergunta. A menina saiu correndo e sumiu na esquina.
Poucos minutos se passaram e voltou com uma senhora e outra criança. Todas traziam garrafinhas vazias. O comerciante pediu que elas esperassem do lado de fora. Acho que não gostou do cheiro delas. A senhora também parecia não gostar do cheiro ou da situação em que estava.
Ele voltou com as garrafas cheias de água quente da torneira. A senhora estava de costas, olhando a rua, escondendo o choro que teimava em aparecer, mesmo com a força que fazia para mantê-lo na inexistência. As crianças pegaram suas garrafas e saíram brincando pela rua. Levei a garrafa da mãe (pelo menos eu achava que era a mãe) e entreguei em suas mãos. Pude confirmar o rosto contorcido pela dor.
Ao vê-la sumir pela avenida, comentei com os demais que ela estava chorando. O dono do estabelecimento fingiu pena, uma mulher disse que já tinham ido e que não fazia sentido pensar na cena. “Já acabou!” Outro freguês disse que não podíamos mudar o mundo. Outro falou que não podíamos fazer nada e que o melhor era esquecer.
Nunca consegui esquecer certas coisas com facilidade.
Texto: Fabio da Silva Barbosa
Arte: Ana Paula Otero
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