ARTE E CULTURA

 

Eis que surge o Felino, o mais novo vigilante dos quadrinhos Brazucas

Tem herói novo nos quadrinhos do Brasil: Felino, criação de Max FÊlix. Felino Ê um vigilante urbano que estå com sua primeira edição no Catarse, edição essa roteirizada por Christyan Stussi e desenhada por Adão de Lima Júnior.

Felino ĂŠ a primeira HQ do selo independente Max Comics, ele ĂŠ o alter ego de Guilherme Garcia, jovem advogado que atua nos tribunais da cidade fictĂ­cia de Montenegro/MG. ÓrfĂŁo de pai aos 12 e de mĂŁe aos 18, tem uma vida simples com sua namorada Karen. Atua como vigilante em Montenegro,  ĂŠ desprovido de poderes e usa sua inteligĂŞncia e habilidades nas artes marciais para combater o crime.

O ColetiveArts sempre apoiou a arte e nós não poderíamos ficar alheios a esse lançamento, então fomos conversar com as mentes por trås do Felino, para que os leitores possam conhecer um pouco mais sobre cada um e sobre o novo herói no pedaço.

MAX FÉLIX

Maxlon FĂŠlix de Andrade ou Max FĂŠlix ĂŠ natural de Contagem-MG. Tem 32 anos e começou a desenhar aos 12 anos; aos 13, criou seu primeiro personagem: O AtĂ´mico, que recentemente participou da publicação Alfa - A Primeira Ordem, edição esta que reuniu uma gama de herĂłis brasileiros em uma batalha contra um vilĂŁo em comum: AĂŠris. 

Em 2022 criou o Felino, inspirado em todos os herĂłis que nĂŁo tem super poderes, que utilizam de sua força fĂ­sica e de sua inteligĂŞncia para combater o mal. Max tambĂŠm possui um canal no youtube: Max Gibizeiro

JORGINHO:  Quem ĂŠ Maxlon FĂŠlix? Como vocĂŞ se define? 

MAX FÉLIX: Sou um ser humano que ama a vida, me preocupo muito com a cultura do paĂ­s e em ajudar as pessoas. Isso, certamente, me dĂĄ muita alegria. 

JORGINHO:  Como os quadrinhos entraram na sua vida? 

MAX FÉLIX:  Ainda na minha infância. Aos nove anos de idade, em 1999, comprei de uma amiga minha duas revistas em quadrinhos do Homem-Aranha, mais precisamente a n°33 e n°36. Cada uma a 1 real.  Essas duas revistas eram dos anos 1980 e foram publicadas pela Editora Abril. Infelizmente nĂŁo as possuo mais devido ao tempo e naquela ĂŠpoca eu nĂŁo sabia como conservar corretamente um quadrinho. 

JORGINHO:  Quais suas maiores influĂŞncias no desenho e na criação de personagens?

MAX FÉLIX: São muitas as minhas influências, dentre elas posso citar os desenhistas estrangeiros Alex Raymond, John Buscema, Jack Kirby, John Romita Jr., Ério Nicoló, Guglielmo Letteri, Aurélio Gallepini, Cláudio Villa, Maurício de Souza, Ziraldo, Mozart Couto, Klebs Jr. Emir Ribeiro, Lacarmelio Alfêo de Araújo, Márcio Abreu e Fabiano Ribeiro.

Os escritores de quadrinhos que mais me influenciaram sĂŁo: Gianluigi Bonnelli, Alan Moore, Gian Danton e Luciano Cunha.

JORGINHO: Fale sobre o ATÔMICO, como surgiu o personagem e como foi para você ter visto ele publicado na ALFA - A Primeira Ordem?

MAX FÉLIX:  O ATÔMICO surgiu no dia 23 de março de 2003. Quando o criei, usei como principal influĂŞncia o SUPERMAN, que foi o personagem que li bastante na infância. O personagem, no inĂ­cio, usava roupa laranja e verde, com uma mĂĄscara como a do Robin da sĂŠrie de 1966. O uniforme passou por mais de 50 reformulaçþes somando-se nome, identidade secreta, cidade onde se passava a histĂłria, cor do uniforme, etc. VĂŞ- lo publicado na ALFA foi muito emocionante. Chorei por mais de cinco minutos ao ver o desenho do personagem na publicação. SĂł tenho a agradecer a Editora Kimera e ao meu amigo Elenildo Lopes pela oportunidade de ver meu personagem publicado.


JORGINHO:  Vamos falar sobre o FELINO. Como surgiu a ideia de criar o personagem? Como ĂŠ estar vendo a possibilidade de ver ele publicado, roteirizado pelo Christian Stussi e desenhado pelo AdĂŁo de Lima Jr.?

MAX FÉLIX:  O FELINO foi criado em 01 de janeiro de 2022. Eu fui convidado para um crossover pelo Alexandre Pauli, editor da Spitter Dragon. Ele me disse que o AtĂ´mico seria poderoso demais para participar desse crossover e me aconselhou a criar outro personagem para a publicação. No fim das contas, ao enviar as imagens do FELINO, Alexandre abraçou a ideia de fazer uma publicação solo do FELINO. AĂ­ ele chamou o roteirista Christyan Stussi e o desenhista AdĂŁo de Lima Jr. para o projeto. E digo que estou muito feliz de ter todas essas pessoas como meus amigos e me ajudado com o meu sonho de infância de ter uma publicação solo de um personagem de minha autoria.

JORGINHO:  Existe um planejamento a longo prazo para o FELINO?

MAX FÉLIX: Sim. Eu pretendo lançar publicações semestrais do personagem em forma de almanaques, ou seja, histórias relativamente grandes. Gosto disso, trabalhar na história para ela ficar bem feita. Já faço isso com o ATÔMICO. Aliás, o ATÔMICO já foi publicado no meu Instagram numa história que eu mesmo desenhei e roteirizei.

JORGINHO: Quais teus demais planos para 2022?

MAX FÉLIX: Iniciarei uma campanha no Catarse para o ATÔMICO e também para uma ficção científica que eu já escrevi a primeira parte, faltando ainda mais duas partes a serem escritas. Fiquem ligados que muita coisa bacana está sendo planejada e que, se Deus quiser, sairá do papel e se tornará realidade.

JORGINHO: Deixe uma mensagem para o leitor do Arte e Cultura. 

MAX FÉLIX: A todos vocês que sonham com seu personagem sendo publicado, nunca desistam. Sonhem e trabalhem para a realização do seu sonho. Só depende de vocês. Muito Obrigado!!!!!


CHRISTYAN STUSSI

Christyan Stussi ĂŠ roteirista, colorista  e acima de tudo um "homem famĂ­lia". Com muito orgulho ĂŠ pai de Sarah Stussi de 11 anos, Thalita Stussi de 4 anos e ĂŠ casado com a artista Savia Mikaella da Silva Souza. Com 39 anos ĂŠ um amante dos quadrinhos da Marvel/DC; outra de suas paixĂľes ĂŠ o RPG de mesa, que joga e narra  desde muito cedo, jogando sua primeira campanha em 1997 e narrando para sua primeira mesa em 1999, a qual joga com ele hĂĄ 23 anos.

“Vivo nas histĂłrias de RPG que crio, entre os roteiros que escrevo e as cores. O mundo real ĂŠ a minha fantasia, e a fantasia que surge na minha cabeça ĂŠ meu mundo real.”

-Christyan Stussi


JORGINHO: Quem ĂŠ Christyan Stussi? Como vocĂŞ se define?

CHRISTYAN STUSSI: Christyan Stussi ĂŠ um amante dos anos 80/90, um roteirista que tenta mostrar para suas filhas como escrever suas prĂłprias histĂłrias na vida, um jogador que nĂŁo cansa de se aventurar pelos diversos mundos apresentados a ele. Sou apenas uma ferramenta dos infinitos mundos de fantasia e ficção, nada mais que um espectador que traz ao conhecimento do leitor essas realidades fantĂĄsticas, uma antena para traduzir as histĂłrias veladas pelo desconhecido. 

JORGINHO: O que os quadrinhos e o RPG representam para vocĂŞ?

CHRISTYAN STUSSI: Comecei muito cedo lendo a coleção de HQ da Marvel que meu tio tinha; eu devia ter uns 7 anos quando fui apresentado Ă  minha primeira HQ, nĂŁo me lembro o nĂşmero, mas sei que foi a primeira versĂŁo de Guerras Secretas, onde o Homem Aranha adquiria seu uniforme preto. Depois daquilo nĂŁo parei mais de consumir HQs e elas criaram na minha cabeça um senso de carĂĄter e justiça, pois apenas quem acompanha as HQs sabe que ali ĂŠ uma fonte de aprendizado muito grande. O RPG ĂŠ para mim a ferramenta ideal para traduzir toda a fantasia na cabeça da criança, ĂŠ uma ferramenta que pode ser usada na educação, na reabilitação de dependentes quĂ­micos e no aprendizado de matemĂĄtica, redação, histĂłria, enfim... O RPG ĂŠ um canal para se chegar atĂŠ Ă  cabeça de um individuo e fazer com que ele se solte, aprenda e viva aventuras fantĂĄsticas em um mundo que em outro lugar nĂŁo ĂŠ possĂ­vel, ĂŠ insubstituĂ­vel na minha vida e por isso sou narrador de RPG hĂĄ 23 anos, tendo um grupo fixo, mas tambĂŠm ajudando outras mesas pela internet. 

JORGINHO: Quais as suas maiores influĂŞncias quando escreve um roteiro? Como funciona seu mĂŠtodo criativo?

CHRISTYAN STUSSI: Quando estou escrevendo um roteiro eu tento consumir o mĂĄximo possĂ­vel de conteĂşdo a respeito do tema em questĂŁo, se ĂŠ terror e suspense eu coloco uma mĂşsica de fundo, fico sozinho no meu local de trabalho e tento entrar no clima, minhas referĂŞncias nesse caso sĂŁo Stephen King, Edgar Allan Poe e H.P Lovecraft. Se vou escrever um tema heroico, ĂŠ claro que Stan Lee, Joseph Campbell, Jack Kirby e Steve Ditko vĂŁo ser a referĂŞncia, sempre colocando uma mĂşsica de fundo que faça o clima ficar adequado, mas na ĂĄrea de herĂłis eu tambĂŠm me referencio muito atravĂŠs da cultura japonesa, que traz os Kamen Riders, Metal Heros, Super Sentais, etc... irĂĄ depender do tema e o que eu necessito mostrar para o leitor. Mas se posso aconselhar, mĂşsica de fundo, local reservado ou agradĂĄvel para escrever e ter consumido materiais similares, mas nunca fazer igual, claro sempre alguma coisa ou outra vai lembrar outras obras, mas tentar sempre ser diferente, original. O processo de consumir obras que sejam do mesmo tema ĂŠ para abrir sua mente para o mundo que vocĂŞ estĂĄ prestes a criar.

JORGINHO: Como estĂĄ sendo roteirizar Felino e trabalhar com Maxlon FĂŠlix e com o AdĂŁo de Lima JĂşnior?

CHRISTYAN STUSSI: O Marlon ĂŠ uma pessoa muito legal, ele criou o Felino e compartilhou essa experiĂŞncia de criar as histĂłrias dele, tem sido uma honra para mim traduzir as aventuras desse herĂłi que acredito que vai surpreender muita gente por ser um produto brasileiro de qualidade. O AdĂŁo ĂŠ um artista que equilibra empolgação com profissionalismo na medida certa, ĂŠ possĂ­vel aprender muito com ele, sem falar que ali nos tornamos amigos e ĂŠ sempre um privilĂŠgio trabalhar com amigos, ainda mais um tĂŁo talentoso. 


JORGINHO:  VocĂŞ estĂĄ trabalhando em mais roteiros do Felino ou de outros personagens?

CHRISTYAN STUSSI: Ainda nĂŁo conversamos sobre Felino Volume 2, mas com certeza estou aberto para entrar nessa aventura com Maxlon e AdĂŁo. Sobre outros personagens, no momento estou escrevendo:

1 - Simon Rider – A Redenção Escarlate que mostra o inĂ­cio das aventuras de Simon, o campeĂŁo de Minerva, junto a um antigo herĂłi que perdeu sua honra, o BarĂŁo Escarlate, o pai da nossa Baronesa Escarlate. Eles terĂŁo que atravessar o Hades em busca de uma segunda chance no mundo dos vivos. 

2 - Terminei hĂĄ pouco tempo a adaptação de Orgulho dos Malditos, do grande Pedro Deleu.

3 - Escrevi Agony, uma das heroĂ­nas da Spitter Universe, um conto de terror que mostra como foi difĂ­cil ela se livrar das trevas que nasceram em seu coração.

4 - EsquadrĂŁo Supremo, a equipe que irĂĄ reunir Sky Dragon (Um metal hero espacial), Nasha (Uma Guerreira da Luz escolhida por AstrĂŠia), Agony (A Filha do Verdadeiro Mal), El (A Raposa Avatar de Amaterasu), Hopper (Um anti herĂłi que busca se redimir) e Blix (Um pequeno ser da raça mutamid que esconde um grande poder), tambĂŠm da Spitter Universe.

5 - Astron (junto com Alexandre Pauli) que conta histĂłria do herĂłi que luta por todas as vidas do universo.

6 - Patrulha Sideral (tambĂŠm com Alexandre Pauli) que traz uma equipe de mercenĂĄrios espaciais que se vĂŞ no meio do conflito da guerra Alpha. Um herĂłi da Spitter Universe.

7 - Vendetta e sua histĂłria magnĂ­fica de superação em busca de justiça, uma aventura eletrizante que mostra onde tudo começa para os modificados. HeroĂ­na urbana da Spitter Universe.

8 - Hopper, que mostra o nascimento do novo campeĂŁo de Marte, uma mĂĄquina de matar que teve sua vida destruĂ­da pelas ambiçþes dos Deuses e do ImpĂŠrio Alpha, essa ĂŠ sua trajetĂłria de sangue atĂŠ o dia em que ele escolherĂĄ viver apenas pelos mais fracos, desenhada pelo artista BlasterHQ e colorida por mim. 


JORGINHO:  Na sua opiniĂŁo, por que o pĂşblico leitor deve ler Felino?

CHRISTYAN STUSSI: Felino ĂŠ uma histĂłria sobre um homem que decidiu fazer o que ĂŠ certo para proteger a população de onde vive, acredito que todos que jĂĄ ficaram indignados com tanta maldade, tanta violĂŞncia por parte de criminosos ou mesmo de nossos governantes, irĂŁo se identificar com ele. Pois ele ĂŠ o que gostarĂ­amos de ser. 

JORGINHO:  Quais seus demais planos para 2022?

CHRISTYAN STUSSI: 2022 ĂŠ um ano chave para mim, pretendo terminar a coloração de Hopper e iniciar um curso de aperfeiçoamento de coloração para oferecer ao leitor algo ainda mais fantĂĄstico. Estou nessa luta com meus amigos da Spitter Universe, fazer o que adoramos ĂŠ uma dĂĄdiva. Esse ano mais herĂłis nasceram, o volume 2 das revistas vai ser roteirizado e com certeza tentar alcançar o coração dos herĂłis leitores que irĂŁo se identificar com as histĂłrias que produzo. SerĂĄ o ano em que minha filha mais velha irĂĄ começar no RPG, a mesma jĂĄ disse que quer inspirar as pessoas com suas narrativas e isso ĂŠ muito importante. 

JORGINHO: Deixe sua mensagem para o leitor do Arte e Cultura.

CHRISTYAN STUSSI: Que saibam que os herĂłis existem, todos nĂłs podemos ser herĂłis se acreditarmos que uma pequena ação pode mudar o mundo, seja ela escrevendo para inspirar aqueles que necessitam de inspiração, seja colorindo pĂĄginas para emocionar os olhos de quem estĂĄ triste, seja doando, ou mesmo decidindo entrar de cabeça e ajudar quem precisa ao seu redor. Esses tempos de pandemia, de muitos adeus e de doenças que afetam nossa mente trouxeram as oportunidades para vocĂŞ se decidir. O mundo precisa de mais inspiração, de mais histĂłrias que ajudem as pessoas que precisam a se erguerem, sĂł depende de vocĂŞ.


ADÃO DE LIMA JÚNIOR

AdĂŁo de Lima Jr ĂŠ ilustrador, escritor e quadrinista. Escreveu, ilustrou e editou o livro "Aonde foram os cabelos do vovĂ´?", disponĂ­vel em formato digital e gratuito em seu AdĂŁo de Lima Junior Blog , Criador da webtira “Mel e Bel” em melebel.blogspot.com, Desenhou as HQs Trinity - Origens dĂŠcada de 60, “Bagman - Natal” e “Fatal - Protetora” e Produziu osJogos de Cards “Infected Z” e “Spell Fast”, para editora Spitter Dragon. Desenhou a HQ YnaiĂŞ - Origem, de Ricardo Thadeu, editora Jacuype Comics. Ilustrou as revistas didĂĄticas “Agrinho” infantil e juvenil, para o SENAR.

Ilustrou o livro infantil “O Time da Rua de Cima”, Ed. Cassol. Coloriu “Missa do Galo e Outros Contos de Machado de Assis”, em quadrinhos, adaptados por Francisco VilachĂŁ, Ed. do Brasil. Ajudou a organizar eventos de cultura pop, entre 2015 e 2019, como o Mutação na Feira do Livro de Porto Alegre e o Gibifest em Alvorada. É ilustrador solidĂĄrio nos livros infantis ilustrados “Re-Contando HistĂłrias da Lusofonia”, editora Chiado, e “Ajudaris”, ambos de Portugal. 


JORGINHO: Quem ĂŠ o AdĂŁo de Lima JĂşnior ? Como vocĂŞ se define?

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: Primeiro, gostaria de agradecer o espaço ao amigo Jorginho e a todos do ColetiveArts. Sou gaĂşcho, de Alvorada/RS. Me considero artista, antes de tudo. Uma pessoa com alma de artista, sabe? Sou desenhista e isso envolve muitas coisas: sempre gostei de escrever e desenhar: de poesia a livros infantis, de histĂłrias de terror a ficção cientĂ­fica, ou outro estilo. Produzo caricaturas, charges, tirinhas, o que vier. Sou tĂŠcnico em publicidade, designer grĂĄfico, diagramador, editor de imagens, e trabalho com isso desde 2003. AlĂŠm de ter trabalho com mĂşsica, tocando em diversas bandas desde 1994.


JORGINHO: Como os quadrinhos entraram em sua vida?

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: Eu sempre tive vontade de desenhar histĂłrias em quadrinhos. Nunca comprei muitas HQs por falta de grana mesmo. As primeiras HQs que li acho que foram na casa de uns primos. Eram Gibis da Disney: Peninha, Tio Patinhas, Pateta, e da DC lembro de ler um Batman em formatinho, mas naquela ĂŠpoca eu nĂŁo curti muito aquele tipo de desenho. No final dos anos 90, procurava comprar nas bancas as HQs com arte pintada, tipo Slane do Simon Bisley. EntĂŁo, eu li a minissĂŠrie Marvels de Alex Ross, emprestado de um amigo. Aquilo sim era arte! Eu cheguei a comprar na banca Batman Guerra ao Crime do Alex Ross, edição gigante. Quadrinhos feitos com aquarela realista! Mas nessa ĂŠpoca eu estava bem desacreditado de desenhar. Nunca tive muita motivação. A velha histĂłria de que desenhar ĂŠ coisa de criança e nĂŁo um trabalho. EntĂŁo eu escolhi a mĂşsica como expressĂŁo de arte. Mas eu nunca deixei de desenhar, sem perspectiva de trabalhar com isso. Eu trabalhava como designer grĂĄfico em grĂĄficas expressas, produzindo arte para material grĂĄfico impresso. Depois passei a trabalhar por conta com isso, fazendo tudo, desde a arte atĂŠ a venda e entrega. E ainda dava aulas de violĂŁo e guitarra no instituto IEMAT, em Alvorada/RS. No fim dos anos 2000 eu voltei a desenhar com pouco mais de frequĂŞncia. E quando minha mĂŁe estava quase se despedindo dessa vida, em 2009, eu fui procurar um curso de quadrinhos, pra tentar interagir com pessoas que gostavam desse tipo de arte. Fiz o primeiro nĂ­vel e uma parte do segundo, do curso do Daniel HDR, na DĂ­namo. Eu jĂĄ sabia os fundamentos, pois sempre estudei como autodidata, mas minha intenção era ter contato com outros desenhistas e nĂŁo pensar sĂł na minha mĂŁe. Em agosto ela faleceu e em novembro meu pai se internou tambĂŠm. DaĂ­ eu me afastei novamente do desenho, e parei de dar aulas de mĂşsicas tambĂŠm, porque nĂŁo tinha cabeça. SĂł em 2013 eu voltei a ter contato com desenho e a praticar um pouco. Fui no evento Mutação na Feira do Livro de Porto Alegre/RS, onde assisti a bate-papos com caras que faziam fanzines desde os anos 80: FafĂĄ Jaepelt, , Henry Jaepelt, Law Tisso, Denilson Reis, Daniel HDR, Paulo Kobielski, Alex Droeppe, Marcio SNO, Fabio Barbosa, entre outros artistas que conheci lĂĄ tambĂŠm, Mathias Streb, Jader CorrĂŞa... E aquilo me inspirou a voltar a desenhar. Comecei a produzir um fanzine chamado ZinAdĂŁo, onde escrevi e desenhei algumas HQs bem simples, sempre na correria para finalizar (risos). E produzi vĂĄrias artes e algumas HQs em parcerias com outros fanzineiros. De 2015 a 2019 fui co-organizador dos eventos Mutação em POA e Gibifest em Alvorada. No final de 2019 comecei a produzir algumas HQs para a entĂŁo recĂŠm lançada editora Spitter Dragon, do litoral do RS: Trinity – anos 60, Bagman – Natal, Fatal – Protetora. E este ano estou participando de uma iniciativa em que  artistas produzem HQs para autores independentes. O Felino ĂŠ o primeiro a entrar no Catarse, mas estou produzindo outros projetos que vamos divulgar em breve. SĂł seguir a gente no instagram @adaodelimajr

JORGINHO: Quais tuas maiores influências no traço?

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: Sempre fui muito aberto pra arte, entĂŁo curto muita coisa. Acho que um desenhista ĂŠ a soma de tudo que ele viu e curtiu, o mesmo sobre o mĂşsico. Eu fui bastante influenciado pela revista MAD tambĂŠm, de onde veio a vontade de fazer caricaturas, e por isso sempre tive um traço mais cartunizado. Mas posso citar algumas influĂŞncias de desenhistas: Will Eisner, Mort Drucker, Tom Richmond, Jon Buscema, Ernie Chan,Alex Ross, Neal Adams, GarcĂ­a-LĂłpez, curto muito o que o Eddy Barrows faz com Batman, entre tantos Ăłtimos brasileiros e estrangeiros.

JORGINHO: Como ĂŠ estar trabalhando com o Felino? 

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: Tenho curtido desenhar o Felino. Acho que ĂŠ um personagem que pode se tornar cada vez melhor. Espero que as tramas das histĂłrias fiquem cada vez mais envolventes para os leitores. E estou sempre tentando evoluir o traço, principalmente o claro-escuro, que ĂŠ uma tĂŠcnica difĂ­cil, e estou apenas começando a entendĂŞ-la e soltar o braço (risos).

JORGINHO: Na sua opiniĂŁo, por que o leitor deve ler a HQ do Felino?

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: Primeiro, porque ĂŠ a realização de sonhos, tanto do autor quanto dos artistas que estĂŁo produzindo, o sonho de viver produzindo esse tipo de arte. Segundo, para ajudar a fomentar o quadrinho nacional. Neste momento tem muitas HQs em produção m todo paĂ­s, e temos que deixar um pouco de achar que sĂł o que vem de fora ĂŠ bom. Muitas HQs produzidas lĂĄ fora tem arte de desenhistas brasileiros que, se tivessem chance de produzir aqui para o Brasil, com certeza o fariam. PorĂŠm, o mercado lĂĄ ĂŠ muito forte, e aqui gibi ainda ĂŠ visto como coisa infantil e nĂŁo um trabalho digno. VisĂŁo absurda que estamos todos tentando mudar enquanto produzimos. EntĂŁo, Felino ĂŠ uma HQ para se divertir e curtir a ação do personagem, que ĂŠ um advogado e um justiceiro, contra os vilĂľes, tambĂŠm criados pelo FĂŠlix.

JORGINHO: Quais os outros projetos que vocĂŞ estĂĄ desenvolvendo?

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: No momento estou redesenhando e arte finalizando a parte 3 de Brandar, de Jerry Souza, que deve sair em breve na revista Profecia, da editora Profecia Comics. Inclusive podem se cadastrar no site para receber a revista de forma gratuita. SĂł nĂŁo sei qual o prazo dessas ediçþes gratuitas.

E pela iniciativa, que sĂŁo projetos que vĂŁo para o Catarse em breve, estou contribuindo com as HQs: GuardiĂľes Salvadores NÂş2, Tigre Dourado, Tropical Troll, Supernova, Épicos, e tem outros projetos vindo por ai.

JORGINHO: Deixe sua mensagem para o leitor do Arte e Cultura

ADÃO DE LIMA JÚNIOR: Peço que apoiem o quadrinho nacional. Para que possamos voltar a ter um mercado de quadrinhos competitivo aqui no Brasil, como era hĂĄ algumas dĂŠcadas, quando eram produzidos milhares de exemplares. Quanto mais incentivo do pĂşblico leitor, mais produção teremos e mais qualidade tambĂŠm, porque o pĂşblico ĂŠ quem diz o que fica ou nĂŁo em produção. EntĂŁo os artistas estarĂŁo sempre procurando fazer seu melhor para levar boas histĂłrias atĂŠ vocĂŞ, leitor ou leitora amig@. Se puderem apoiar o projeto do Felino no Catarse, agradecemos demais: https://www.catarse.me/felino_e9ec 

Muito obrigado a todos do Arte e Cultura e do ColetiveArts!


PARA APOIAR O PROJETO FELINO NO CATARSE: 


Para apoiar o Felino clique aqui, alĂŠm de vocĂŞ estar apoiando o quadrinho nacional ainda tem a possibilidade de adquirir a recompensas conforme o pacote de apoio.

CONTATOS:

Max FĂŠlix

Christyan Stussi

AdĂŁo de Lima JĂşnior

Felino

"A todos vocês que sonham com seu personagem sendo publicado, nunca desistam. Sonhem e trabalhem para a realização do seu sonho. Só depende de vocês."
- Max FĂŠlix



Jorginho

Jorginho ĂŠ pedagogo, filĂłsofo, ilustrador com trabalhos publicados no Brasil e exterior, ĂŠ agitador cultural, um dos membros fundadores do ColetiveArts, editor do site Coletive em Movimento, produtor do podcast Coletive Som - A voz da arte, jĂĄ foi curador de exposiçþes fĂ­sicas e virtuais, organizou eventos geeks/nerds, ĂŠ apaixonado por quadrinhos, literatura, rock n' rool e cinema.

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2 ComentĂĄrios

  1. A matÊria ficou excelente, Jorginho. Obrigado pelo espaço! Viva o quadrinho nacional! Grande abraço ao pessoal do Art e Cultura!

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  2. Vou contar um segredo que só falei num editorial do meu extinto zine Visão ANDF... o engraçado Ê que... lå por 1994 eu tinha criado uma hq do meu próprio vigilante: "Felinus- O Homem-Gato", baseado em brincadeiras com playmobils e massa de modelar. Era uma cópia do Batman com personagens tendo nomes em inglês e numa cidade chamada "Metrocity", o mesmo nome de uma metrópole do desenho "'Inspetor Bugiganga" e que foi usada tambÊm no filme "Megamente". Infelizmente, não tenho mais os únicos 2 números dos gibis do Felinus que fiz em folhas de cadernos

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