
Bye, Bye, Rio
Xavier é um malandro daqueles clássicos. Camisa entreaberta, cordão no pescoço, chapéu e um charuto sempre à disposição. Não que esteja sempre assim ou seja uma regra ou estereótipo.
Rei da sinuca, é respeitado onde mora e por onde vai jogar. Participa de campeonatos e quase sempre valendo uma grana. Mas nem sempre se vence. A boa fase foi embora e acumulou derrotas e dividas. Sem um tostão no bolso, a única alternativa era arrumar as malas e ir embora da cidade. Gostava muito da vida para virar “presunto”.
Botou suas coisas no seu Fusca 74 e pegou a estrada. Saiu bem cedo, não queria ser visto por ninguém. Sem destino, pegou a estrada e foi aonde o vento o levasse. Primeira parada, foi numa cidadezinha bem interiorana e de população pequena. Lugar agradável, mas diferente do ritmo do subúrbio do Rio. Ficou um tempo na cidade, fez amizades, teve flertes, mas não queria criar raízes em lugar algum. Era hora de pegar as suas coisas e ir embora.
Novamente na estrada, foi a outro extremo e chegou no litoral. Ah, como é bom ver o mar, poder sentir o cheiro da maresia e poder saborear um peixe bem fresco. A cidade lhe fez relembrar a época que frequentava a pedra do Arpoador, onde fumava maconha, surfava, andava com os poetas e era uma mente livre. Ficou um bom tempo curtindo os ares praianos.
Xavier estava feliz com a vida de andarilho e sem rumo. Mas a grana conseguida no jogo, estava acabando e era hora de voltar para seu local de origem pois a poeira já devia ter baixado e não deviam estar mais querendo a sua cabeça. Encheu o peito de coragem e partiu de volta para Quintino. O bairro do Galinho já não era mais o mesmo. A turma da jogatina estava mais devagar e quem ele devia, partiu dessa para melhor.
| Daniel Filósofo |

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