DICAS DA SANDTECA

 BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS

A obra de Frank Miller que redefiniu o "Morcego"

Eu me lembro da primeira vez que peguei essa edição. A sensação não era de ler um quadrinho de herói comum, mas sim de mergulhar em um pesadelo distópico. A história me joga em Gotham, mas uma Gotham que apodreceu. Bruce Wayne está com 55 anos, amargo, tentando viver uma vida normal, mas a violência sufoca tudo, e a sombra do morcego o chama de volta. É um retorno brutal, e senti que Miller estava quebrando todas as regras que conhecíamos. Este Batman é um monstro obsessivo, um vigilante que não se importa mais em ser contido; ele é a fúria encarnada, e a maneira como ele lida com os criminosos é chocante, beirando o psicótico.


A arte... bem, eu tenho que ser honesto, a arte de Miller, com a colaboração de Klaus Janson e as cores de Lynn Varley, não é 'bonita' no sentido tradicional. Ela é crua, angular e, francamente, desajeitada em alguns painéis. Eu li críticas a isso, e elas têm seu mérito. Mas é exatamente essa imperfeição que a torna tão poderosa. As cores escuras, os tons de púrpura, vermelho e preto saturados criam uma atmosfera pesada, como se Gotham estivesse sempre sob uma tempestade de tinta e fumaça. Essa paleta de cores não apenas embeleza a narrativa; ela a é. Ela encapsula a loucura, o medo nuclear e a decadência social daquela era.


O arco da história é épico. Eu vi Batman se reerguer, treinar uma nova Robin — Carrie Kelley, que é essencial para a narrativa —, e enfrentar velhos inimigos como o Duas Caras. Mas o clímax, claro, é o confronto com o Superman. Eu vi o Superman ser forçado a ser o cão de guarda do governo, um agente da lei contra o meu desejo de justiça. O embate final entre os dois é a luta ideológica central da obra: ordem controlada contra justiça implacável. Percebe-se como Miller usa o fim da história para forjar uma nova lenda para o Cavaleiro das Trevas, um que transcende a própria morte física.


Essa obra redefiniu o gênero, como uma crítica social da época, um comentário sobre a política e o medo. Ela é densa, fragmentada e exige atenção, mas é fundamental. Se você gosta de Batman, precisa ler isso para entender o que veio depois nos quadrinhos e no cinema. É um marco que transformou o herói em um ícone sombrio e complexo.


Sandman

Sandman  
é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filhocidade de Guaramiranga, Ceará.


"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVEARTS, SETE ANOS DE VIDA,
SE INFILTRANDO NA ARTE E 
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