NAVALHAS AO VENTO

 A FICHA CAIU... SÓ RESTARÁ A SAUDADE

Desde 1971 a criação da arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira faz parte da nossa vida. Com design icônico, o famoso “orelhão” , espécie de cabine telefônica que lembra uma grande orelha, testemunhou muitos namoros, inclusive os meus.

Poucas eram as casas que tinham telefone fixo, geralmente aqueles de parede com manivela. Era muito caro ter uma linha telefônica, se não estou enganada valia quase o valor de um carro popular. Depois vieram os telefones tipo “fusquinha”, geralmente na cor cinzenta e nas casas mais abonadas víamos os vermelhos. Então a saída era o orelhão. Enfrentávamos longas filas com as mãos cheias de fichas de metal com um vinco em um dos lados e dois vincos do outro. Ou recorrer ao “chamada a cobrar” e ouvir a musiquinha quando era atendido.

Muitas foram as vezes que fiquei horas na fila só para ouvir a voz do amado do outro lado da linha. Depois vieram os cartões telefônicos e as velhas fichas foram deixadas de lado.

No ano passado fui na Escola Estadual Adelaide Pinto de Lima Linck – Polivalente, na cidade de Gravataí, levando o ColetiveArts para alegrar a comunidade escolar e me deparei com um belo orelhão, todo enfeitado, no meio do pátio e uma grande nostalgia tomou conta de mim. Foi muito bom ver aquela estrutura ali, viva, alegre, enfeitando e lembrando as pessoas que o passado faz parte das nossas vidas e da nossa história. E agora o Jornal Nacional informa que em 2026 os orelhões serão retirados das cidades, perderam sua função com a chegada dos celulares e se tornaram obsoletos. Igual a vida de muitas pessoas...

No site https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/01/20/fim-orelhoes- mapa-cidades.ghtml a notícia é uma sentença de finitude. “Anatel começa a retirada definitiva de telefones públicos em janeiro, após o fim das concessões de telefonia fixa. Apenas cidades sem outra opção de comunicação manterão o serviço até 2028.”

Lembro de quando eu era pequena e me espichava para alcançar no local destinado as fichas. Depois vieram os pequenos, para pessoas de baixa estatura e foi uma benção para as baixinhas como eu. Geralmente de fibra e pintados de verde ou laranja, eram a alegria dos jovens e dos apaixonados. O formato tinha seu propósito, explicado no mesmo site: “Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegia quem falava do barulho externo.”

E... caiu a ficha... em breve não veremos mais aqueles monumentos à comunicação, ao amor, ao socorro e à esperança... Fim de uma era... Seria bom se algumas carcaças fossem colocadas em escolas, praças ou vias como monumento, como lembrança de algo que por quase trinta anos fez a alegria de uns e salvou muitas vidas. Seria bom se as coisas velhas e as pessoas não fossem descartadas como lixo...


Isab-El Cristina
Isab-El Cristina Soares é poeta, membro do Clube Literário de Gravataí, autora de 6 livros.  Graduada em Letras/ Literaturas, pós-graduada em Libras, é Diretora Cultural do ColetiveArts.

Escute o episódio do podcast Coletive Som gravado com Isab-El , clicando Aqui.

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."


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