FALTA DE RESPEITO PARA COM NOSSA HISTÓRIA E NOSSA ARTE
Hoje fui ao cinema com minha amiga Tânya Lisbôa assistir ao filme “O agente secreto”. Convidei várias pessoas para ir conosco, mas o retorno que tivemos foi horrível: muitos alegaram não gostar de filme brasileiro. Por quê? Qual a alegação?
Compramos ontem nosso ingresso com receio de lotar a sala e ficarmos sem. Hoje deparo –me com uma sala praticamente vazia. Havia apenas 11 pessoas, um absurdo.
Mesmo sendo um enredo que retrata a nossa realidade em 1977 ainda tem gente que alega que não existiu ditadura, que isso é invenção da esquerda. Ainda tem gente que renega o nosso passado e a nossa história. Aliás vejo professores de história que deveriam limpar a bunda com seus diplomas pois negam a “Era de chumbo” que vivemos.
Em 1977 eu tinha 15 anos e lembro de como era. O filme retrata muito bem as atrocidades que vivíamos, o medo constante, as pessoas assassinadas do nada, desaparecidas... Vivíamos fugindo das nossas sombras para hoje ouvir que “nunca houve ditadura no Brasil”. Então... que porra era aquela? Porque todo aquele medo?
Havia uma pessoa sozinha, e quatro duplas de mãe e filho ou pai e filho. Foi muito bom ver a minha geração levando a atual geração para ver o que vivíamos. Fiquei triste por não poder passar esse ensinamento aos meus filhos, afinal, são filhos de oficial da Brigada Militar e acreditam mais na história que o pai e tios contam do que na minha. Eles eram “lambe botas de milico”, viviam a parte da política enquanto que eu e minha família estávamos no olho do furacão. Mas cada um acredita no que o seu intelecto permite. Eu não perdoo nem meus filhos quando estão errados. Eu vivi a história. Já contei que apanhei de milico aos 8 anos porque não aceitei ser “revistada” de forma obscena.
Hoje senti vergonha de viver nessa cidade. Uma cidade que renega todo um passado. Quando passou “Ainda estou aqui” tinha apenas seis pessoas na sala, logo que começou chegou uma família de historiadores e fechamos com 13 pessoas na assistência. Depois ouvi pessoas falando mal do filme, dizendo que não perderiam tempo assistindo “aquela porcaria”... um filme indicado a Oscar... Hoje o público era ainda menor: 11 pessoas. Um filme mundialmente aplaudido em várias salas de cinema pelo mundo é boicotado numa cidadezinha que arranca árvores centenárias para construir um galpão de telha de zinco (?) a qual chamam de “Rua Coberta”, na verdade é um imenso fast-food com algumas lojinhas e se comparam com Gramado. Uma cidadezinha que derruba uma rodoviária histórica para construir lojas no meio da rua para alugar, privando o contribuinte de ter uma via pública. Uma cidadezinha que não respeita seus funcionários públicos. Uma cidadezinha que deixa calçadas com piso tátil quebrados, causando muitas quedas principalmente de pessoas de baixa visão. Uma cidadezinha que prima apenas por algumas ruas enquanto as demais alagam com qualquer chuvinha. Uma cidadezinha que prefere transformar um ginásio de esportes numa feira livre para alugar para alguns poucos comerciantes, amigos “do rei”...
O filme “O agente secreto” está sendo aplaudido em vários países. De acordo com o google (clique AQUI) o filme já teve as seguintes indicações: “O filme brasileiro " O Agente Secreto ", dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura , é o destaque da temporada, recebendo quatro indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme Internacional e Melhor Ator. O thriller político, ambientado no Recife de 1977, também concorre ao BAFTA e ao César 2026.
Principais Indicações e Reconhecimentos (2026):
Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco.
BAFTA 2026 (Oscar britânico): Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Roteiro Original .
César 2026 (Oscar francês): Melhor Filme Internacional .
Globo de Ouro 2026: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator de Drama (Wagner Moura).
O longa, que já venceu mais de 50 troféus, incluindo prêmios no Festival de Cannes 2025 , é uma produção de suspense político que retrata a vida de Marcelo (Wagner Moura), um professor que enfrenta um ambiente de vigilância e perseguição durante o Carnaval no Recife.”
Mas parece que a “nata gravataiense” não está preparada para aplaudir um grande evento. Lembrando que a nata é aquilo que a gente joga fora na hora de tomar um café com leite...
O filme vale a pena. Respeitar a história vale a pena. Respeitar a nossa arte vale a pena... Ser patriota não é dizer: “não gosto de filme brasileiro”. Isso se chama ignorância. Sei que gosto é igual a fiiofó, cada um tem o seu, mas respeitar e admitir a história não tem nada a ver com gostar ou não. Ela existiu e isso é inconteste. Assistir como forma de adquirir conhecimento histórico e não como simples entretenimento seria didático.
Conhecer a história do nosso país é fundamental para evitar que nosso voto seja uma arma contra o nosso futuro como foi em 2018. Sabe porque a maioria dos professores de história são de esquerda? Porque estudaram história... os demais apenas compraram o diploma...
Ah, só mais uma ajuda para que tu não pague mico na internet: o filme em questão não foi financiado pela Lei Rouanet. A Lei Rouanet não financia longa metragem.
![]() |
| Isab-El Cristina |
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!



1 Comentários
Incrível saber desse lado de total desinteresse pra assistirem a um filme brasileiro, principalmente concorrente ao Oscar em várias categorias. Juventude está dispersada de tudo, não só p´ra saber sobre a história do Brasil, mas nas escolas é ainda pior e a falta de respeito com professores é constante. Se eu fosse Diretor de alguma Escola, com certeza eu fecharia um dia pra assistir ao filme, fecharia uma sessão. Resgatar a história de um passado sombrio vale muito à pena. Parabéns pelas palavras. Foi direta e certeira.
ResponderExcluir