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Cuba e o “dono do mundo”
O primeiro livro que li sobre Cuba foi “A Ilha”, de Fernando Morais, lá nos anos 80, com a abertura política. Quem foi criado nos anos 60 e 70 sabe que falar sobre Cuba era um tabu e, mais do que isto, era perigoso. A censura não era só das artes, mas do pensamento. Ousar pensar diferente já era temerário, imagina expor estes pensamentos considerados tenebrosos pelos ditadores de plantão? Neste contexto repressivo, no qual muitos foram mortos no “pau de arara”, Cuba era um mistério para nós, reles estudantes da oitava série do Grupo Escolar Marechal Floriano Peixoto (outro ditador, mas do final do século XIX).
Já se vão mais de sessenta anos da Revolução que colocou Fidel Castro e seus barbudos no poder. Também são mais de sessenta anos de bloqueio econômico dos Estados Unidos, atentados políticos organizados pela CIA, como a invasão à Baia dos Porcos; crises econômicas com o fim da União Soviética (1989) e, mais recentemente, com o sequestro, pelas tropas estadunidenses, do presidente Maduro, a interrupção do fornecimento do petróleo venezuelano e, como se não bastasse tudo isto, um porta aviões atômico estadunidense estacionado próximo a praia de Varadero.
Quem já visitou Cuba sabe que não é nenhum paraíso na terra, há muitos problemas, desde lixo acumulado nas ruas até construções em ruinas. Entretanto, ninguém pode negar que na escassez cubana a educação e a saúde são prioridades. Tanto é que Cuba é o maior exportador de médicos do planeta. Estas prioridades fizeram com que, durante a pandemia do Covid 19, Cuba desenvolvesse não uma, mas duas vacinas contra a pandemia, enquanto, em outros países, governantes riam do sofrimento daqueles que não conseguiam respirar.
Alguns dizem que Cuba é um símbolo na luta contra o Império, uma pedra no sapato às pretensões de dominação global estadunidense. Considero que, mais do que um símbolo, Cuba é um exemplo da relação entre governo e população, na qual o pouco que se tem é investido em educação e saúde públicas, bem ao contrário das políticas neoliberais de privatização e Estado Mínimo implementadas em diversos municípios, como Gravataí/RS.
A Revolução Cubana, em 1959, colocou em conflito os interesses das grandes empresas estadunidenses, que extraiam riquezas de Cuba e enviavam os lucros aos Estados Unidos, e dos mafiosos de Chicago, Nova York e Miami, que, com os seus casinos, utilizavam a ilha como um imenso bordel, contrariando o que o governo revolucionário defendia: a soberania nacional e uma melhor qualidade de vida ao povo cubano. Este conflito de interesses é a origem do bloqueio econômico estadunidense, uma tentativa de sufocar Cuba, esmagar seu governo revolucionário e submeter o povo cubano ao domínio estadunidense. O que o atual governo dos Estados Unidos está fazendo nestes últimos dias nada mais é do que reafirmar os interesses da máfia (quem viu os filmes do Poderoso Chefão sabe do que se trata).
Diante de mais esta agressão do Império, defender Cuba é defender a humanidade, é reafirmar os valores humanistas construídos ao longo dos séculos. O mundo não pode se submeter aos caprichos de um governante megalomaníaco, com intensões de dominar o planeta, tal qual os antigos imperadores romanos e, mais recentemente, Hitler.
Na época dos Césares, quando um general vitorioso regressava a Roma, era tradição desfilar em biga nas ruas acenando para o povo que o aplaudia e, ao seu lado, um escravo sussurrava ao seu ouvido: “memento mori, memento mori”, “não esqueças que és mortal, não esqueças que és mortal”.
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"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." |



1 Comentários
Oi, Nestor. Sou a Isab. Cuba é meu sonho de viagem. Assim como em qualquer país, Cuba tem seus problemas e suas maravilhas. As pessoas têm mania de só ver a parte ruim de Cuba, ignorando totalmente o que funciona. Para elas o Tio San é uma perfeição na terra kkkk. Bjuuu
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