No Caminho
Na corrida contra o tempo, percebi que eu nunca quis vencer.
Eu só precisava desacelerar.
Foi no meio do caminho, no silêncio do percurso, que comecei a me perceber. A mudar. A compreender que algumas coisas que antes me deixavam extremamente triste ou extremamente feliz precisavam encontrar equilíbrio dentro de mim.
Nascemos sem manual.
Não existe um guia exato para viver, nem mesmo para aqueles que nos trouxeram ao mundo. Nossos pais também aprenderam tentando, tropeçando, recomeçando.
E foi olhando para minha mãe, para meu pai e para meu irmão que entendi o quanto carregamos uns dos outros. Há traços, gestos, dores e forças que herdamos sem perceber. Mas também compreendi que havia em mim algo que precisava ser descoberto por mim mesma.
Quando fui ganhando consciência de quem sou e do que me forma, percebi que precisava exercitar a paciência. Paciência para continuar. Paciência para permanecer em paz. Paciência para renovar minhas energias todos os dias.
Foi então que entendi minha necessidade de conexão com a natureza.
Com os chás.
Com a terra.
Com o ar.
Com o vento.
Com o fogo.
Foi assim que comecei a perceber toda a potência que existe dentro de nós. Somos natureza. Viemos dela e, um dia, para ela retornaremos.
Passei a pensar em como poderia semear isso no coração das pessoas. E entendi que palavras sozinhas, sem ações, tornam-se vazias. Tornam-se um limbo, um nada.
Então comecei a agir.
Comecei a fazer da poesia um movimento.
A dar sentido às palavras através do letramento, da alfabetização da alma.
Porque somos alma.
E muitas vezes não percebemos o quanto podemos evoluir, porque seguimos apegados ao que é daqui, ao que é material, ao que o capital insiste em vender como felicidade.
Mas a felicidade…
a felicidade é muito maior que isso.
Ela mora nas pequenas coisas.
Para quem acredita apenas no valor do capital, talvez isso nunca faça sentido. Mas para quem compreende a vida, tudo ganha outro significado.
É como quando acordo e abro minha janela.
E o dia está ensolarado.
Ou quando ele não está.
Quando o céu está cinza, quando a chuva cai e parece que o mundo chora.
Ainda assim, eu consigo ver graça.
Consigo agradecer pela chuva que me lava, pelo sol que me aquece, pelo calor da vida
em todos os seus momentos.
Há dias difíceis.
Dias em que também reclamo, porque sou humana.
Mas, até depois da reclamação, consigo perceber o quanto existe graça em simplesmente respirar.
Em andar.
Em viver.
Em realizar necessidades tão básicas que, às vezes, esquecemos de agradecer.
E você…
já pensou sobre isso?
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| Josiane Prestes |
Josiane Prestes é escritora, compositora , cantora, professora alfabetizadora, pedagoga, especialista em Gestão e Orientação Educacional e multiartista de Gravataí (RS). Assessora pedagógica na SMED Gravataí, atua em defesa da educação pública de qualidade, equidade e valorização das relações étnico-raciais (ERER). Autora de A Janela de Ayo (2025), integra o Coletivo de Escritores Negros e participa das obras Meu Corpo Negro e Dois Olhares de Mulher. Filha, mãe, esposa e ativista dos direitos humanos, transforma arte, ancestralidade e educação em caminhos de resistência, pertencimento e transformação social.
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| Arte:Waldemar Max |




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2 Comentários
PARABÉNS SUCESSO VOCÊ E MUITO INTELIGENTE E BRILHANTE. MUITAAAAAA LUZZZZ...
ResponderExcluirMUITO LINDO VOCE É UMA PESSOA ILUMINADA BRILHANTE SUCESSO SEMPRE VOCÊ É MARAVILHOSA...
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