
Sobre o tempo
Lembro-me do dia em que você nasceu: era frio e eu fiquei escondido pelas escadarias do hospital, negando-me a descer até a recepção. Esperei por você e a vi saindo do centro obstétrico junto com a sua mãe; cheguei perto e te vi ali, chorando, comunicando-se com o mundo pela primeira vez.
No quarto, eu troquei a sua primeira fralda, e tu ficaste quietinha, e eu, apaixonado. Coloquei teu nome, Maitena, em homenagem à cartunista argentina criadora da série Mulheres Alteradas. A arte está em seu sangue, em seu DNA.
Hoje o tempo passou, estás completando vinte anos. És uma moça, uma mulher, mas para mim serás sempre a minha menininha, aquela que brincava de carrinho comigo, que vivia sorrindo e que adorava O Poderoso Thor.
Faz onze anos que estamos afastados. A última vez que te vi foi na escola, e você acenou para mim com a mão — um gesto metafórico, idêntico ao último que meu pai fez em vida para mim, ao sair no carro que o levaria pela última vez ao hospital. Eu não sabia que, ali, a história de certa forma estava se repetindo.
Falta um tanto ainda, eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã
Tempo, tempo, tempo, mano velho
Tempo, tempo, tempo, mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final "
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| Arte: Ariane Maitena Ramos Pereira |
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1 Comentários
Oi, sou a Isab-El. Chorei. Lembrei do meu pai, da saudade q tenho dele e do tempo q perdi por nao entendê-lo. Pena q a gente só entenda qdo já é tarde.
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