Quando a porta se fecha
Dentro de um lar — ou melhor, de uma casa — quando a porta se fecha, pode existir algo, um código secreto entre os adultos, algo que, por vezes, é aterrorizante. E as crianças, que nada têm a ver com essas escolhas, padecem.
Adoecem e, muitas vezes, tornam-se multiplicadoras, no futuro, dessas mesmas ações: violentas, corruptas, desagradáveis, desumanas, que violam os direitos mais básicos de uma criança, de um adolescente ou de um idoso. E essas reproduções vão se perpetuando, geração após geração, até que alguém consiga se curar ou decida, mesmo antes da cura, que aquilo não vai mais acontecer.
Romper a bolha.
Porque o que acontece quando a porta se fecha é algo que somente quem está dentro sente. E, pior ainda, muitas vezes é vivido em silêncio. A pessoa parece ter distúrbios que não tem, dores que não nasceram nela, mas que foram criadas pela maldade, pela violência e pelo medo.
Superar cada uma dessas fechaduras e conseguir abrir a porta alivia. Um grito de liberdade pode ser uma cura profunda para quem vive um terror velado.
Para destruir aquilo que está ruindo — ou aquilo que precisa deixar de existir — é necessário coragem. Mas como encontrar coragem diante da inocência e da fragilidade da vida?
Quando a porta se fecha, isso pode significar acolhimento, proteção e amor para muitas famílias e realidades. Mas existem tantas outras portas que, ao se fecharem, carregam dores que parecem eternas.
É preciso ensinar a cada criança e adolescente que eles têm o direito de viver em paz, de ter dignidade e de buscar cura para si e, quem sabe, também contribuir para a cura de outros.
Abram-se as portas. Abram-se as janelas.
Para uma vida com mais paz, dignidade e saúde mental.
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| Josiane Prestes |
Josiane Prestes é escritora, compositora , cantora, professora alfabetizadora, pedagoga, especialista em Gestão e Orientação Educacional e multiartista de Gravataí (RS). Assessora pedagógica na SMED Gravataí, atua em defesa da educação pública de qualidade, equidade e valorização das relações étnico-raciais (ERER). Autora de A Janela de Ayo (2025), integra o Coletivo de Escritores Negros e participa das obras Meu Corpo Negro e Dois Olhares de Mulher. Filha, mãe, esposa e ativista dos direitos humanos, transforma arte, ancestralidade e educação em caminhos de resistência, pertencimento e transformação social.
Facebook: Josiane Prestes
Instagram: @josiane_prestes
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| Arte:Waldemar Max |


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1 Comentários
Um texto forte e necessário, que nos faz refletir sobre as dores que muitas vezes permanecem escondidas dentro de casa. Que possamos ter coragem para romper ciclos de violência, acolher, ouvir e proteger nossas crianças. Que toda porta fechada possa, um dia, se abrir para a liberdade, o cuidado e a esperança.
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