7 DE SETEMBRO E A BANDEIRA DOS ESTADOS UNIDOS
Hoje fui dar uma volta e o que vi me deixou estarrecida e muito indignada. Voltei para casa e fui dar uma olhada no Facebook, e daí “caíram todos os butiás do meu bolso”. O patriota, defensor das comemorações do 7 de Setembro, trocou de camiseta — ou melhor, de bandeira.
Havia muitas casas e carros nas ruas com duas ou até três bandeiras nas janelas: a bandeira do Brasil, a dos Estados Unidos e a de Israel, tremulando lado a lado. No Facebook, vejo postagens reclamando que nas escolas não se hasteia mais a bandeira, que não há mais desfile no dia 7 de Setembro, nem se canta o Hino Nacional. Reclamam que no dia 7 de Setembro não há mais comemorações.
Mas como entender o cérebro dessas pessoas? Essas mesmas que reclamam da falta de amor pela pátria são as que hasteiam a bandeira dos Estados Unidos e de Israel como se elas fizessem parte da nossa nação. Pelo que sei, no dia 7 de Setembro comemora-se o Dia da Independência do Brasil. É um feriado nacional por ser o dia da proclamação da independência do país em relação a Portugal. A data marca o momento em que Dom Pedro I teria dado o “Grito do Ipiranga”, rompendo os laços coloniais. Nesse dia, o país deixou de ser colônia. Esse povo todo, que está tentando tornar o nosso país uma colônia dos Estados Unidos, quer mesmo que façamos desfiles cívicos, hasteamento de bandeira e eventos militares? Querem mesmo que as escolas façam os alunos cantarem o Hino Nacional? Ao mesmo tempo em que reclamam da falta de consciência nacional, lambem as botas do Trump.
O pessoal da direita, que se diz “patriota” e enche a boca para dizer que é pela “pátria, Deus e família”, está rifando a soberania nacional e reclamando que não há sentimento patriótico no pessoal da esquerda. Pedem para que as escolas ensinem os alunos a cantarem o hino ao mesmo tempo em que batem palmas para Eduardo Bolsonaro, que tenta ferrar com a vida do povo brasileiro. Basta ver no site CNN Brasil (AQUI) a notícia de que Eduardo Bolsonaro pede a Trump que agilize o tarifaço contra o Brasil. A intenção é entregar o Brasil para os Estados Unidos. Leia no site Hora do Povo (AQUI): “Não é só falar de democracia ou soberania, né? A gente tem algo que o mundo inteiro quer, os Estados Unidos estão de olho e o mundo está de olho, que são as nossas riquezas”, comentou a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet. Também no site Agência Pública (AQUI) fica clara a aliança dos Bolsonaro com Trump para tarifar o Brasil.
Então, eu pergunto a esse povo da direita e da extrema-direita que arrota dizendo que são patriotas e fazem conluio com outros países para roubar as nossas riquezas e a nossa soberania: o que eles querem cantando o Hino Nacional brasileiro? Vão cantar o hino dos Estados Unidos. Mudem-se para lá. Deixem o Brasil para os brasileiros — para aqueles que lutam para defender a Amazônia, as terras raras e o nosso petróleo.
Pergunto também para aqueles que são contra o aborto e batem no peito falando em Jesus, empunhando a bandeira de Israel: vocês sabem que Israel não acredita em Jesus como o Messias, o filho de Deus? Vocês sabem que em Israel o aborto é legalizado? Sabem que na América do Norte, os Estados Unidos deixaram a decisão para cada estado, e muitos deles têm o aborto legalizado? Falam em Jesus como se ter o sobrenome Messias tornasse um criminoso um fiel enviado do Pai.
Hoje, nas ruas, nos bandeiraços, falavam em independência do Brasil e, ao mesmo tempo, defendiam o tarifaço de Trump... Não pareciam militantes; pareciam pessoas pagas para executar um serviço — e um serviço porco, que é eleger a extrema-direita para entregar o país. Eu gostaria muito que as eleições voltassem a ser uma festa da democracia, e não uma luta entre o bem e o mal. Uma disputa entre os que estudam, leem e pesquisam, e os que se informam pelo WhatsApp ou por quem paga melhor.
A soberania do meu país é uma riqueza que não podemos deixar que nos roubem. Já nos roubaram demais, desde quando os portugueses trocavam ouro por espelhinhos com o povo indígena. Não quero abrir mão da minha liberdade. Vocês já imaginaram como seria ter operações militares americanas em território brasileiro? É... não adianta bater no peito e se dizer patriota enquanto defende que outro ou outros países ditem o nosso futuro. Eu preferia continuar sendo colônia de Portugal a ser o quintal dos Estados Unidos. Quero, sim, cantar o Hino Nacional, mas em um país livre.
Então, antes de reclamar que não existe mais patriotismo, coloque o dedo na consciência e pense no que o dia 7 de Setembro realmente significa para ti. Não estou criticando o teu voto; por mim, tu votas em quem quiseres. Só não pague de patriota se tu defendes esse tipo de postura. Só peço que tu tenhas um pouco de coerência nas tuas palavras. Ou tu queres o dia, ou a noite... Ah, e para não esquecer: a época em que cantávamos o hino nas escolas, hasteávamos e arriávamos a bandeira nacional e marchávamos no asfalto quente, sofrendo de calor sem poder beber água durante o trajeto, como se fôssemos milicos no quartel — um crime para crianças pequenas —, era na época da ditadura.
Deixo o poema da Cecília Meireles como uma forma de desenhar o desabafo acima:
Poema Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
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| Isab-El Cristina |
Isab-El Cristina Soares é poeta, membro do Clube Literário de Gravataí, autora de 6 livros. Graduada em Letras/ Literaturas, pós-graduada em Libras, é Diretora Cultural do ColetiveArts.
Escute o episódio do podcast Coletive Som gravado com Isab-El , clicando Aqui.
Facebook: Isab-El Cristina Soares
Instagram: @isab_el_cristina
"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."
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| Arte:Waldemar Max |
08 ANOS DE VIDA,
SENDO A MAÇÃ DE ALGUNS,
EU SOU A MOSCA QUE POUSOU
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!
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4 Comentários
Excelente texto da minha amiga e aguerrida Isabel! Baita reflexão da atual conjuntura política nacional! Muito triste essa ascensão no nazifascismo, seguimos na resistência!!!
ResponderExcluirOi, sou a Isab. Obrigada pelo retorno. Sim, tudo isso dói.
ExcluirBah. Ótimo texto, "lavou a égua". Parabéns" - Nestor
ResponderExcluirOi, Nestor, sou a Isab. Ainda bem q lavei a egua, nao foi o gado. Kkk Obrigada. Bju
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