
A Redenção em Cores de Chabouté

Acabei de ler Purgatório e a sensação é boa. Chabouté, como sempre, entrega um trabalho com um peso humano enorme. Mesmo usando tramas que parecem familiares, ele consegue torná-las únicas.
A jornada do personagem Benjamin Tartouche é dura. Ele perde tudo: a casa, o seguro o engana, e ele se torna invisível nas ruas. É um mergulho na perda total. Quando ele morre e chega ao Purgatório, a história ganha um novo rumo. Ele recebe uma missão quase impossível para decidir seu futuro.

O que mais me tocou foi o debate central. A HQ questiona o que é ser uma pessoa boa. Vemos a luta entre ajudar o próximo e o egoísmo destrutivo. Chabouté fala sobre o que nos define como humanos de um jeito inteligente e, às vezes, irônico. Os personagens são reais, e o final é muito sensível, trazendo um aprendizado real para quem lê.
O traço de Chabouté é elegante e cheio de apuro, bem caricaturado. As expressões faciais são incríveis; ele diz muito só com o olhar. Um detalhe marcante: esta obra traz cores! Achei ótimo o uso delas para diferenciar quem está vivo de quem já morreu. Isso dá uma função narrativa muito interessante.
A edição da Pipoca & Nanquim é de alta qualidade, capa dura e ótimo papel. É um volume feito para durar.
Em resumo, Purgatório pode ter uma estrutura conhecida, mas a execução é primorosa. É uma ótima porta de entrada para o trabalho de Chabouté, mostrando sua inventividade narrativa.
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| Sandman |
Sandman é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.




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