SANGUE NAS RUAS DE GRAVATAÍ. DESARMAMENTO É NECESSÁRIO
Na última sexta-feira, dia 16 de janeiro, eu voltava para casa por volta das 19h50 quando ouvi três disparos. Não quis acreditar e perguntei a pessoa que estava comigo que disse que parecia som de bombinhas. Em seguida ele dobrou a esquina porque o caminhão de lixo estava parado no meio da rua e ele queria ganhar tempo. Ao chegar em casa me deparo com as redes sociais denunciando um assassinato justamente onde eu estava passando naquele momento.
Gente, a sensação de impotência é horrível...! Douglas, um menino de 34 anos, pai de duas meninas, trabalhador, coletava o lixo das casas da Rua José Pacheco, bairro Monte Belo quando um desumano efetuou três disparos, ceifando a vida deste trabalhador em via pública. Testemunhas relatam que houve uma discussão entre ele e um homem num carro em outra rua e o carro passou a seguir o caminhão até a hora do crime, fugindo covardemente do local.
A segurança em Gravataí está precária. Não foi briga entre gangs ou facções, não foi por comando da “boca” nem foi assalto. Foi por motivo torpe... foi sem motivo... Um “cidadão de bem”, apoiador do posse de armas deve ter se sentido ofendido e determinou que o Douglas deveria morrer ali mesmo, no final do expediente. Cara, ele estava trabalhando... não estava roubando, assaltando, cometendo nenhum crime... Era um rapaz querido por todos os colegas da empresa Urban, um pai de família. Mas esse não é um caso isolado. Em 2025 em Minas Gerais outro gari, Laudemir de S. Fernandes, é assassinado enquanto trabalhava por um empresário que se irritou porque o caminhão estava atrasando seu treino numa academia de luxo, onde foi preso.
Nenhum dos outros colegas foram atingidos, bem como nenhum pedestre ou morador. Mas qualquer pessoa poderia ser atingida por uma bala perdida, que de perdida não tem nada, ela sempre acha um inocente. Nessa hora sempre tem gente na rua. Eu passava na outra rua, confesso que ainda estou abalada. Mas mais abalada estou com os comentários nas redes sociais. Já li que “este cara fez o que muitos querem fazer”, que os “garis são pessoas estúpidas, sem educação e por isso mereceu morrer”, que “usam barra de ferro dentro do caminhão para agredir quem reclama da morosidade no trânsito”, que “por isso todos devem usar armas”, que “foi só um pobre que morreu” ... Meu Deus... estamos falando de uma vida..
N’O Seguinte, Rafael Martinelli define muito bem quando escreve que: “Consequência do ‘liberou geral’ das armas. Consequência de uma cultura que transforma o automóvel em instrumento de poder, a rua em território de disputa e o revólver em argumento final.”
O assassino atirou e fugiu, fez como todo covarde faz. Afinal era só um pobre e negro que não precisa viver. Até quando viveremos no medo enquanto alguns poucos privilegiados que se sentem “homens” apenas com uma arma na mão, decidem quem merece viver ou morrer? Até quando ouviremos que um trabalhador merece morrer porque atrapalha o trânsito enquanto trabalha?
Meus sinceros sentimentos à família, colegas e amigos do Douglas. Graças a Deus nenhuma outra pessoa foi ferida. Graças a Deus que eu não passei por ali 2 minutos antes. E rogo à Deus que o assassino seja localizado e preso.
O desarmamento é necessário e urgente. Enquanto isso mais uma família chora enquanto um corpo preto jazia no asfalto ao lado do lixo produzido pela comunidade que deveria respeitá-lo.
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| Isab-El Cristina |
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!



1 Comentários
Cristina, cada vez mais estamos nessa realidade em que a violência e o uso das armas como argumento assustam e revoltam quem valoriza a sua vida e a dos outros. Ótimo texto. Parabéns. (Nestor)
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