
QUANDO O “BOM DIA” SE CALA
Os “bom dia” estão se perdendo no tempo. Já não ecoam como antes nos corredores, nas ruas, nos olhares apressados. Poucas pessoas mantêm esse costume simples, que carrega mais do que palavras: carrega presença. Arrisco dizer que não é falta de educação apenas, mas excesso de pressa, de distração, de um mundo que desaprendeu a olhar para o outro.
Dar um “bom dia” é reconhecer que alguém existe ali, do outro lado. É um gesto pequeno, mas cheio de respeito. No entanto, muitos passam em silêncio, como se o dia já começasse pesado demais para dividir um cumprimento. O hábito foi ficando raro, quase estranho, como se gentileza fosse coisa do passado.
Talvez as pessoas não percebam que um “bom dia” pode mudar o rumo de uma manhã inteira. Pode aliviar um cansaço, quebrar um gelo invisível, lembrar que ainda somos humanos em meio a tantas telas e preocupações. O respeito, quando não é praticado, vai enfraquecendo sem que a gente note.
E assim seguimos, convivendo com ausências sutis. Não faltam palavras difíceis, faltam palavras simples. Falta lembrar que educação não é formalidade, é cuidado. Às vezes, tudo o que alguém precisa é ser notado com um “bom dia” sincero.
EU DIGO “BOM DIA”
O dia nasce, mas nem sempre é visto,
passa gente, passam rostos, passa o tempo.
O silêncio virou hábito aceito,
onde um “bom dia” seria um gesto atento.
Palavras simples já não têm valor,
parecem pequenas demais para a pressa.
Mas nelas mora um respeito antigo,
que hoje se perde na correria densa.
Cumprimentar é dizer: eu te enxergo,
é dividir o peso de existir.
Quem esquece isso anda sozinho,
mesmo cercado de gente a seguir.
Talvez o mundo não precise de tanto,
basta um pouco mais de educação.
Um “bom dia” dito com verdade
ainda é um ato de revolução
![]() Texto: Leonardo Pacheco |
| Arte: Miriam Coelho |
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