
Fantasma, o espírito-que-anda, personagem criado por Lee Falk, está completando 90 anos de publicação no dia 17 de fevereiro e o ColetiveArts, junto com o grupo Fantasma, o espírito-que-anda e com o canal Fantasma Brasil, estão organizando um evento comemorativo para festejar o aniversário deste herói que é imortal.
Prosseguindo a nossa jornada rumo a esta data comemorativa tão importante para nós que amamos os quadrinhos do Fantasma, fomos conversar com Louis Manna, um dos grandes ilustradores que trabalham com o espírito-que-anda. Esta entrevista só foi possível graças a mediação do Fábio Fhur, um dos maiores colecionadores e pesquisadores do Fantasma e que é amigo do artista. Incusive algmas artes que ilustram esta matéria são originais de Louis Manna que fazem parte do acervo do Fábio.
Vamos cohecer agora mais um pouco sobre a trajetória de Louis Manna.
Louis Manna
Jorginho: Quem é Louis Manna? Como você se descreveria?
Louis Manna: Nasci em Staten Island, Nova York, em 9 de agosto de 1954; ainda moro na ilha e mantenho muitos amigos de infância que fiz ao longo dos anos aqui. Além de muitos amigos de longa data que fiz depois de jogar softball com eles por mais de 35 anos.

Jorginho: Como os quadrinhos entraram na sua vida? Quais eram seus quadrinhos favoritos quando criança?
Louis Manna: Eu tinha 8 anos quando vi uma história em quadrinhos do Superman, acho que a edição 163 ou 164, onde o Superman vai para a guerra. Fiquei fascinado naquele momento. Mais tarde, descobri o personagem Batman e, a partir daí, passei a amar a arte dos quadrinhos por toda a vida.

Jorginho: Como o desenho entrou na sua vida?
Louis Manna: Quando eu tinha 8 anos, comecei a tentar copiar o que via nas histórias em quadrinhos. Eu fazia esses pequenos gibis de papel, grampeava-os e mostrava para o meu pai quando ele chegava do trabalho. Ele me dava 25 centavos por um deles. Acho que essa foi minha primeira venda de arte original. Eu era autodidata e muito inexperiente no começo, mas com o passar dos anos comecei a pegar o jeito do processo.
Jorginho: Quais foram suas primeiras experiências profissionais?
Louis Manna: Um amigo de infância tinha um primo que trabalhava para editoras de quadrinhos. Ele mostrou meus trabalhos para este primo e fui contratado para desenhar os layouts dos roteiros que ele recebia. O nome dele era Jim Janes e a primeira história que fiz para ele foi "The Rook for Warren", e depois algumas outras, como "Vampirella", "BuckBlaster" e outras. Pouco tempo depois, ele recebeu a encomenda de arte para a DC Comics, a Legião dos Super-Heróis, onde eu fazia o layout de todas as edições a lápis e o Jummy revisava os layouts. Também nessa época, comecei a trabalhar para a DC na linha de títulos "Mystery". Foi uma ótima maneira de aprimorar minha arte, me ensinou a contar histórias melhores e a desenhar mais do que apenas super-heróis.


Jorginho: Como funciona o seu processo criativo?
Louis Manna: Normalmente, recebo um roteiro com a trama para trabalhar. Prefiro um roteiro, pois dá ao artista mais liberdade para interpretar a história. Às vezes, vou direto para a página e começo a esboçar a arte; outras vezes, trabalho em pequenos rascunhos, mas isso varia de acordo com cada trabalho. Geralmente, depois do lápis, vem a tinta. Para capas, costumo fazer dois ou três rascunhos para dar ao editor uma ideia; na maioria das vezes, é o esboço inicial que eles escolhem.
Louis Manna: Sempre adorei o personagem desde a primeira vez que vi aquelas lindas capas pintadas da Gold Key Comics. Foi a primeira vez que vi um super-herói com aparência humana, e tive todas aquelas edições e tudo o que veio depois para a Dell e a Charlton, eu acho. Os primeiros trabalhos que eu mostrei foram do Fantasma. Quando enviei uma amostra anos depois para a Moonstone e Joe Gentile me ofereceu aquelas duas graphic novels, fiquei mais do que feliz em trabalhar nelas. Ben Rabb e Tom DeFalco me deram dois roteiros ótimos para trabalhar, foi um prazer. Mais tarde, desenhei e escrevi alguns roteiros do Fantasma e desenhei um por conta própria. Glenn Ford, da Frew, viu e me perguntou se eles poderiam publicá-lo. Isso foi legal. Fiz mais alguns depois disso, mas ainda não foram publicados, talvez sejam um dia. Recentemente, fiz uma nova capa do Fantasma para a Moonstone e duas novas para a Shakri, na Índia. Além disso, tento fazer um sketchbook do Fantasma todo ano. Fiz um sobre 2025 baseado em uma única obra e foi bem recebido. Shakti perguntou sobre a possibilidade de usá-los como um livro de pôsteres, então veremos.


Jorginho: O que O Fantasma significativo para você?
Louis Manna: Você pode colocá-lo em qualquer situação e criar uma história interessante. Adoro o fato de que você pode usar o personagem em quase qualquer período e funciona, os 400 anos de história. Além disso, ele é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos. Muitas vezes eu digo para mim mesmo: "Você sabe que já fez um monte de trabalhos com o Fantasma, pôsteres, encomendas, livros etc., e talvez eu devesse fazer outros personagens", mas de alguma forma sempre acabo tendo uma ideia em que penso: "Essa seria uma boa cena do Fantasma" e acabo desenhando.
Jorginho: Na sua opinião, o que explica a longevidade da personagem?
Louis Manna: O primeiro super-herói. Ele tem um apelo universal, representa o bem, suas histórias são ricas e complexas, e todos os seus personagens têm histórias de vida sólidas. Na minha opinião, ele é um herói quase perfeito. Ele é um personagem perfeito, com uma história rica.


Jorginho: Quais são seus próximos projetos?
Louis Manna: Não posso dizer nada agora. Estou desenvolvendo um projeto com meu antigo colega de estúdio, Ed Rodriguez, um grande artista da Disney. Nos reconectamos depois de muitos anos e estamos trabalhando em algo juntos que talvez seja lançado ainda este ano. Também fiz algumas capas e encomendas de O Fantasma. Estou sempre em busca do próximo trabalho, seja de O Fantasma ou não.

Jorginho: Deixe uma mensagem para o leitor da Arte e Cultura que está comemorando o aniversário do Fantasma.
Louis Manna: A todos os fãs do Fantasma, sinto-me honrado por ter tido a oportunidade de trabalhar com ele e fazer parte, ainda que pequena, de sua história artística. Agradeço a todos pelo apoio ao longo dos anos e por poder realizar o sonho de uma vida inteira de trabalhar com ele. Desejo o mesmo a todos vocês e espero que o Fantasma signifique tanto em suas vidas quanto significa na minha. Tive a oportunidade de conhecer e fazer amizade com tantos fãs do Fantasma ao redor do mundo, algo que jamais imaginei ser possível. Ter meu trabalho exibido e reconhecido em países sobre os quais eu só lia em livros é algo que levarei comigo para sempre. Espero poder continuar envolvido com o Fantasma, fazer novos amigos e manter contato com os amigos que conheci através deste personagem maravilhoso. Noventa anos é apenas a ponta do iceberg para o espírito-que-anda... O Fantasma.
Loiua Manna
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Jorginho é Pedagogo, Filósofo, graduando em Artes, com pós graduação em Artes na Educação Infantil, ilustrador com trabalhos publicados no Brasil e exterior, é agitador cultural, um dos membros fundadores do ColetiveArts, editor do site Coletive em Movimento, produtor do podcast Coletive Som - A voz da arte, já foi curador de exposições físicas e virtuais, organizou eventos geeks/nerds, é apaixonado por quadrinhos, literatura, rock n' rol e cinema. É ativista pela Doação de Órgãos e luta contra a Alienação Parental. "Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." |


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