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Capital, novembro de 2020
"O mundo está um caos. Há insegurança, medo e um pouco de esperança a cada nova dose de vacina que é criada. Precisamos urgentemente de medidas mais concretas para o fim dessa pandemia."
Nunca imaginei que estaria escrevendo uma coluna sobre uma pandemia mundial. Muito menos na sacada do meu quarto, sem poder sair de casa ou ir para o escritório. Ser jornalista tem dessas coisas, o trabalho pode ser feito em qualquer lugar. Ok que uma coluna no site da faculdade não é bemmm um trabalho, mas vai valer nota e principalmente a vaga de estágio no jornal da universidade. Eu preciso muito dessa vaga, não quero mais dar gasto para o meu avô. Ele diz que não é problema me ajudar financeiramente, mas estou cansada de depender da pensão dos meus pais. Se eu tivesse uma bolsa pelo menos para custear meus materiais, roupas e talvez umas festinhas, já seria maravilhoso. Concordo que esse dinheiro todo possa me ajudar a pagar as mensalidades da faculdade, mas não gosto de pensar que só tenho esse dinheiro porque meus pais morreram. É um dinheiro triste, pesado.
Enfim, Lyz, melhor você parar de devanear e continuar na escrita.
Bum
Ouço um estrondo vindo da calçada do outro lado da rua. Tem uma família estranha morando ali, chegaram faz alguns meses. São quietos, e muito tímidos. Aparentemente são 3 homens que moram ali. O que já é estranho. E às vezes um preto, bem chique, entra na garagem e saí em seguida, sem aparecer ninguém.
Não que eu esteja cuidando da casa dos vizinhos, é só que minha janela fica de frente pra casa e com essa pandemia, não tenho muito o que fazer. Precisamos ficar em casa e em segurança.
Tento descobrir o que foi o estrondo e me deparo com um dos vizinhos, o mais novo pelo que averiguei, caiu de uma escada enquanto instalava... uma câmera no poste?
Ele está se debatendo no chão e ninguém surge para ajudá-lo. Meu Deus, será que ele está tomando um choque?
Desço correndo as escadas, pego minha máscara que estava pendurada atrás da porta e saio em disparada para ver a situação.
-- Moço, você está bem? - me certifico se há algum perigo de choque e me aproximo dele. - deixa eu te ajudar...
Que moço bonito era aquele? De longe não parecia tão bonito. Deveria ter um pouco mais do que a minha idade. Eu tinha na época acabado de completar 22 anos. Acho que tinha a minha altura, ou seja, não era alto, e cabelos negros rebeldes.
Não que eu estivesse analisando o moço, estava ali socorrendo ele.
-- Não precisa não, Lyz. Valeu. - Disse se desenrolando de uns fios que acabaram enrolados nele.
-- Que susto, está bem mesmo? - congelei - como sabe meu nome?
-- Bem, eu ouvi seu avô te chamando. - respondeu se sentando para logo em seguida ficar de pé na minha frente.
-- Não imaginava que a voz do meu avô fosse tão alta.
-- E não é. - remendou ele - eu que sou muito curioso e acabei ouvindo. Mas valeu pela preocupação.
-- Está instalando uma câmera para quê? - falo inspecionando o poste de luz.
-- Segurança nunca é demais. - ele ajeita seus materiais e vai reorganizando para voltar a tarefa. - Mas não se preocupe aqui me ajeito, pode continuar com a sua coluna sobre a pandemia.
-- Certo, obrigada, moço. - fico envergonhada e me alertou - como sabe da coluna?
-- Ah, sou estudante da Varela também. Só que eu curso direito. - agora ele que ficou envergonhado. - ela sempre comenta sobre as colunas, e editais de estágio e tal. Boa sorte para você.
-- Obrigada! - fico sem jeito - Vou indo então, se precisar de alguma coisa pode me chamar.
-- Obrigado, Lyz. - acena com a cabeça sobe novamente na escada.
Vou me distanciando quando lembro:
-- E o seu nome qual é?
-- Sou o Fred, Lyz. É uma honra te conhecer pessoalmente.
-- Fred. Digo o mesmo. Tchau!
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| Lisi Olsen Lisi Olsen é uma pedagoga, profissional de letras, contadora de histórias, escritora, pesquisadora, ilustradora, bailarina, nerd e apaixonada por leituras, que usa da palavra e do desenho para expressar os seus devaneios. |
Foi assim que conheci o Frederico.



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