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Caso
Epstein:
Nos últimos dias não tem como
fugir desse assunto. Documentos liberados sobre Jeffrey Epstein (1953-2019)
revelam que a formação de uma rede de prostituição de menores era apenas a
ponta do iceberg.
As diversas denúncias de mulheres que relataram terem sido assediadas com promessas de vantagens financeiras, apoio emocional e acesso a uma vida de luxo, relacionando-se com as pessoas mais poderosas do planeta e, ao final, eram tratadas como meros objetos sexuais. Ocorre que estas mulheres eram menores de idade na época em que frequentaram mansões localizadas em Nova York, Florida, Paris e uma ilha particular no Caribe. Meninas de 14 anos foram aliciadas para serem massagistas e acabaram virando companhia de pessoas poderosas em festas e finais de semana. Algo revoltante que revela o uso do poder econômico e do prestígio social e político como instrumentos de aliciamento e prostituição de menores.
Epstein morreu na prisão em 2019, acusado de pedofilia. Segundo informações oficiais teria cometido suicídio antes de depor, enforcado com lençol amarrado no beliche mais baixo do que o suicida que media 1,80 m. e pesava 84 kg. Seria queima de arquivo? O que ele revelaria? Não sabemos. Entretanto, nesses últimos dias foram divulgadas partes do processo contendo correspondência, e-mails, fotos, vídeos de Epstein com diversas pessoas conhecidas mundo à fora, inclusive o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além dos Clinton (Bill e Hilary), Bill Gates, príncipe Andrew...
Na Netflix há um documentário de 2020 sobre as vítimas sexuais de Epstein, adolescentes e, inclusive, crianças. Entretanto, este material divulgado agora traz revelações muito mais escabrosas, algo que julgávamos só existir na mente doentia de roteiristas de filmes de terror hollywoodianos. Suspeita de canibalismo, desmembramento de bebês, morte de meninas por excessos cometidos nas relações sexuais, ocultação de cadáveres... Este cenário dantesco, repugnante, me desculpem, não pode ser considerado obra de um único homem. Pintar Jeffrey Epstein como um demônio ou a própria encarnação do mal apenas escamoteia a realidade, oculta as verdadeiras razões para ocorrerem tais barbaridades. Fazendo uma analogia histórica, é o mesmo que afirmar que o único responsável pelo nazismo foi Hitler. Demonizar Epstein e se deter apenas nas imagens e relatos sórdidos do que era realizado na sua “ilha da pedofilia” é ver as árvores e não ver a floresta.
Na busca da verdade algumas
perguntas não foram devidamente respondidas:
De onde se originou a fortuna
de Epstein, proprietário de tantas mansões nos Estados Unidos e em Paris, além
de uma ilha no Caribe, filho de uma família classe média de Nova York e um
reles consultor financeiro?
A quem interessava as fotos e vídeos de aristocratas, grandes empresários e políticos nas festinhas regadas a muita pedofilia de Epstein?
A origem da fortuna de Epstein ainda é um grande mistério. É muito dinheiro e muitos imóveis valiosos obtidos apenas com o suor do seu rosto. Este mistério dá margem a diversas teorias. No nosso mundinho do vale refeição e do vale transporte só se enriquece de duas maneiras: nascendo rico ou se casando com alguém rico. Trabalhando é que não é. Ghislaine Maxwell, companheira de Epstein, segundo investigações, era a grande aliciadora de meninas, muitas delas obtidas através de agências de modelos, para as festinhas dos poderosos nas mansões e na ilha do casal, está condenada a 20 anos de prisão nos Estados Unidos. Filha de um dono de jornal inglês, envolvido em escândalos financeiros, que teria caído do seu iate e morrido afogado. (Suicídio? Queima de arquivo?) Há teorias de que o pai da Maxwell colocava seu jornal a serviço do governo israelense através do Mossad, agência de inteligência e espionagem de Israel e que a sua filha também estaria ligada ao Mossad e, ao herdar a fortuna do pai, foi para Nova York, onde conheceu Jeffrey Epstein no início dos anos 1990, e o teria aliciado para servir ao Mossad. Já outros afirmam que ela teria fugido da Inglaterra para escapar de ser associada ao escândalo provocado pelo desvio de dinheiro de fundos de pensão feito pelo seu falecido pai e se estabelecido em Nova York. Mesmo sendo uma socialite inglesa falida ela não perdeu o seu status de mulher bem-educada e conhecida nas altas rodas do jet set internacional, graças ao fato de, durante anos, acompanhar o seu pai em cerimônias, jantares e espetáculos, transitando entre magnatas, xeiques, príncipes e presidentes. Graças aos seus contatos, Maxwell impulsionou a carreira de Epstein no mundo das finanças, ao mesmo tempo em que, pelo seu jeito sofisticado, atraia meninas para trabalharem como massagistas para Epstein e seus amigos (clientes). Afinal, que mal faria aceitar o convite de uma mulher tão elegante e educada e ganhar um dinheirinho extra apenas fazendo massagens?
Mulheres e crianças utilizadas como mercadoria. Como escreveu Karl Marx o capitalismo é tal qual um rei Midas. Enquanto Midas transformava tudo que tocava em ouro, o capitalismo torna tudo o que toca em mercadoria, inclusive as pessoas.
Parece enredo de um filme de espionagem a lá James Bond. Entretanto, por mais rocambolesca que possa ser esta teoria da relação Epstein-Mossad, divulgada por alguns sites e jornalistas, como o site A Nova Democracia, que publicou em 5 de fevereiro a seguinte informação: “documentos sugerem que Epstein foi agente do Mossad e que crimes sexuais ficaram impunes por proteção”. Além disso, as relações com pessoas influentes e grupos econômico-financeiros poderosos liderados por Elon Musk, Sarah Ferguson, Bill Gates e o ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, citados no processo, explicaria a fortuna de Epstein e responderia a segunda pergunta: a quem interessava as fotos e vídeos de pessoas mundialmente influentes abraçados com menores de idade nas festinhas de Epstein e Maxwell?
Se “não basta a esposa de César ser honesta, ela também tem que parecer honesta”, assim também pessoas importantes não podiam ser expostas em fotos comprometedoras e serem associadas a prostituição e a pedofilia.
Os arquivos liberados este ano pelo FBI (mais de três milhões de documentos, 180 mil imagens e mais de 2.000 vídeos) são apenas a metade do imenso material recolhido no processo contra Jeffrey Epstein e sua companheira Ghislaine Maxwell. Entretanto, o que já se sabe indica uma imensa rede de pessoas envolvidas em crimes fartamente documentados através de vídeos, fotos, e-mails. Por que Epstein reunia este material comprometedor sobre tanta gente mundialmente poderosa?
A chantagem é uma arma utilizada por pessoas inescrupulosas a serviço de si mesmas ou de alguém ou de algum grupo ou governo. Na espionagem fotos comprometedoras derrubam gabinetes de primeiros-ministros, desacreditam políticos moralistas, jogam na lama reputações de honestidade e integridade duramente construídas por empresários e pessoas públicas em vários ramos da sociedade. A chantagem é uma forma muito eficiente de se obter poder sobre quem detém o poder.
Sobre chantagem: no Brasil, Moro está sendo acusado de fazer chantagem e grampear telefones durante o processo que comandou contra Lula. Neste sentido, a importância de retirar Lula da eleição de 2018 e abrir caminho para a extrema direita foi um jogo de interesses internacionais que constam nos arquivos do processo Epstein, evidenciando que toda aquela rede de tráfico de influências estava à serviço da extrema direita internacional na busca de dominar o mundo e facilitar o aumento de lucros da burguesia. Lula é uma pedra no sapato dessa gente e, certamente, sua reeleição este ano não é apoiada pelo imperialismo.
Esta teia de poder, sexo e chantagem envolvendo tantas pessoas influentes mundo a fora faz surgir teorias da conspiração que, nas minhas limitadas informações, não posso confirmar e nem desmentir. Se Epstein e Maxwell estavam a serviço do Mossad não posso afirmar, mas posso dizer que esta teoria existe. Tantas perguntas ainda não respondidas nos levam a tantas especulações. Há muito ainda o que investigar e chafurdar na lama em que se tornou este processo no qual o lado mais sombrio e asqueroso de pessoas poderosas de direita, “gente de bem”, se manifesta.
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"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." |


1 Comentários
Oi, sou a Isab. Parabéns, belo registro. Bju
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