
AOS OLHOS QUE ME
ATRAVESSAM
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HOJE:
Capítulo III - Os Dispersos
A calçada começou a ficar mais larga, os horários mais extensos, um vazio imenso; a expressão “sinto falta daquele tempo” começa a fazer mais sentido depois que o Ensino Médio acaba. Tudo acaba... Você deixa de ser juvenil, pelo menos no contexto lógico da cronologia escolar; não tem mais idade para jogar campeonatos municipais e estaduais juvenis, ou brasileiros sub 17 etc.; os amigos que passaram no vestibular já vão começar a estudar, ou no período noturno, ou longe demais para se ver todos os dias; os pais começam com cobranças intensas, trabalho e estudos, concursos ou cursos, principalmente para os que não conquistaram uma vaguinha na Universidade; bem, essa é a parte da análise natural do processo de formação e desenvolvimento do adolescente, ou seja, La mia classe, amata, perfetta, idolatrato, è stato ... Dio!
Outros ares se põem à frente de novos tempos, novos rumos para os dispersados “a tempestade dispersou os galhos da árvore”, nós éramos os galhos da melhor turma do colegial. Bolar uma reprovação em massa não seria nada mal, porém, não é assim que a banda toca. Falando em banda, Renato Russo morreu, que merda! O cara era um gênio poético descomunal, embalou essa geração de que sinto tanta falta, os outubros não serão mais os mesmos. Que raios! 1996 já estava pesado demais, cada qual no seu planeta, tentando ganhar um canudo que dita regras esdrúxulas. Vestibular de merda! Pra que tenho que tirar algum ponto em física, química, biologia e o diabo se meu negócio são as letras. Tá tudo arquivado aqui na cachola pô! Fórmula de Báskara, Leis químico-orgânicas que nunca vi na escola, sei tirar qualquer tamanho de sombra de pontes e prédios, o escambau!
Mas de jeito nenhum preciso disso para provar que mereço uma cadeira na Universidade, poderiam ser feitos testes de aptidão logo no início do Ensino Médio, conforme as melhores notas e engajamento notório para isso ou aquilo se teria 70% de inclusão antecipada, mas essas antas paraguaias inventaram esse papai do vestiba chamado ENEM, báh! Nenem, nenem nem pensar! Mais difícil que Concurso Público Federal, fica a dica galera. Reprovar por três décimos nas últimas instâncias de apelação do segundo tempo é foda! Matemática do capeta! De fato, gosto do trem, não gostava era do professor testudo até no terceirão aff..., a praça da tia do cachorro-quente era mais atraente, o truco rolava solto, azaração da porra, iiirrriiii choreiiii largardo…
Tudo mentira, na porta da escola no terceiro ano a panelinha já esperava para não deixar os parceiros entrarem, fazer o quê!? ‘Parceiro é parceiro, fia da puta é fia da puta’. O ditado se tornou um símbolo encarnado, vai não pra vê, ninguém te chama pra mais nada. Ser CDF é dose! Tem que dar conta de tudo, dos amigos, do trabalho e da escola. Nenhuma recuperação até o 4º bimestre do Terceirão, foi sete numa paulada só, pá… e os fia da mãe não morreram na subida ainda, foi mais três de PF, fudeu a bagaça… Matéria do ano todo, geografia, história e matemática. Três décimos que jamais serão esquecidos, isso ainda era contra Lei, birrei, foda-se!
Foi um baque só, intermináveis seis meses recuperando as aulas matadas, injustiça do caralho… Professores mercenários, escola capitalista, salve alguns teachers feras que existem por aí, ainda se deve fazer provar para o mundo que uma vaga, uma cadeira em um curso qualquer da vida, tem que ser seu por meritíssimos. Educação falida da pega, sistema lerdo da pega, burocracia problemática da pega, ninguém do boteco dos governos estaduais sabem decidir o que é melhor para a garotada nas escolas. Omissão Nacional, cut* que lindo…. Quem disse que o voto é uma obrigação!? Existe justificativa há séculos. Chute revoltsssss…. Tô puta! Não literalmente, claro. Dispersamo-nos, as festas terão outros, a birita entrou em escassez, a zoação vai diminuir para muitos, para outros perdidos na vida nem tanto. Bom ou não, cada qual está cuidando da sua vida agora.
Antes de entrar pra Facu ainda rolou uns esquemas, iria prestar vestibular em um mês, até lá dava pra folgar um pouco. Telefone toca, era Babel chamando. Ouuu, bora sair hoje? Meu tio liberou o carro, vai você, eu, Nany, Cadu e Tuca; os outros ficaram de nos encontrar na pizzaria. Bora? Tá certo, que horas? Umas 22:00 horas já que hoje é sábado, ok. Tá bom, eu espero você passar aqui. Que nada menina, vem se trocar aqui em casa, até parece né. A Nany já vai estar por aqui. Ohhh novidade… Beleza às 21:00 hrs estarei de prontidão Babel. Não demorou muito desci até a casa de Babel, reprovou na primeira etapa do 4º Bimestre junto com Nany, Cadu e Tuca passaram de ano, dava pra enxergar a baba deles de longe. Uma folia de nheco-nheco com os profisss que só por deus. Não gosto muito da palavra “odeio”, “detesto”, mas nesse ensejo cabe dizer que professores que dão nota porque o aluno é chegado deles, é foda! Então, ooddeeeiiii-os.
Que você falando sozinha aí? Me deixa! Tô revoltssss hoje. Cruzes guria, vai transar, vai. Gracinha vocês. Oi, oi, oi… E aí meninas bora? Calma Cadu, acabei de chegar. Eita, mais uma hora de prosa, Rá… E vocês não gostam nada!? Vou me trocar, eu também, tia faz sala para estas duas saladas xôxas aqui. Ahh tá, precisa não tia, vamos esperar aqui na varanda. E aí Tuca, ainda tá de rolo com a Nany? Lógico… Nany é mó gostosa. Já saíram quantas vezes? Umas três, isso quando ela quer, se fosse por mim era todo dia. Ahhh garoto, xonou na baixinha. Ela me usa Cadu, fazer o que!? Eu deixo rsss… É bom demais! E você? Tá de rolo com alguém aqui da casa? Talvez. Nada a declarar meu caro Tuca.
E aí Nany, a noite é do Tuca? Com certeza meninas, ele é muito gostosinho e vai embora da city semana que vem, preferência. Você não presta, biscate! Eu também te amo Héle. Babel faz o gatinho do olho aqui, sou péssima nisso! E você Héle, cheia de pretendentes, mas nunca se afirma. Claro que me afirmo, quem disse esse despautério!? Disparate maldoso da sociedade grotesca. Lógico, só pensa em handebol, é... Nisso tens razão, mas agora o negócio é OPEN. Era no juvenil acabou, outro nível, jogos adultos, massa meninas, cada fera, cada pernas e braços, cada sorriso, lindos, lindos. Ah tá! Tendi a urgência, cardápio tipo exportação. Poxa gurias, não fiquem tristes, tem o Tuca e o Cadu bem ali. Boraaaa suas loookkkassssss! Pronto, pronto, vamos.
Apesar não ser como antes, o grupo ficou escasso, muitos dispersaram mesmo; então, aos que ficaram, que aproveitem cada momento. Nany dirigindo, a única com CNH, os outros ainda nos dezessete, longas histórias, os moleques até cavalinho de pau davam com maestria. As gurias doidas de pedra no volante, eu…. Uma incógnita. Pizzaria estava lotada, como sempre, era uma das únicas na cidade. Galera que sobrou antes de partir para nova realidade já estava na cuba livre, rodízio, urraaaa…. Não tem preço tais momentos. Passa cuba pra cá Xandão, essa é do que? A moda da casa, putz… Só tem cebola nesse trem. Ohhh garçom, traz uma de milho aqui pra Héle. Ahhh fia da puta, entendi sim senhor. Mas péra, tô no revoltss 320 volts. Vishhhhh Maria, saí de perto. Vem cá piá, come aqui essa sua calabresa micha. Tá certo, mereço. Cala boca não fio dum cunhão.
Ei Héle vai mais uma rodada de cuba? Bora, manda cá. O Povo já tava cheio, cheio de pizza, cheio de cachaça, curtindo a despedida, cantando Legião Urbana em plena pizzaria, rolando uns flertes diferentes, maioria da galera tá beirando os dezoito anos, outros já fizeram. Gastando exatamente três horas no local é chegada a hora de extravasar, dançar galera vamos? Demorô…. Entramos na espaçonave mais alucinante dos anos 90, vamos curtir galera. É… Héle, parece ser o último fim de semana da trupe, Babel também estou sentindo, pelo menos quando nos encontrarmos novamente, nada será igual. E quem disse que não é diferente agora suas lindas, já faz quase um ano que o povo tá na facu, e outros de nós vamos ingressar agora. Verdade Nany, então, passa essa cuba pra cá.
Technotronic – Pump up the jam, MC Hammer – U can’t touch this, 20 Fingers ft Gillette- Short dick man, Snap – The power, Dee Lite – Groove is in the heart, só música irada hoje aqui galera, sabe de tudo né Tuca. Um pouco do meu tempo Babel. Genteeee…. é cuba livre que não acaba mais. Logo os casais já foram se formando, o ritmo foi desacelerando, a dança exibicionista tomou posse das paqueras. Revoltssss sumiuuuuu… Só no manifesto da euforia jovial desmiolada. Dá-lhe água, banheiro, água, volta pra pista, se enrosca, mais água, chega. Bora gente, quatro da madruga já, cansei. Opa! Agora, abraços apertados, desejos de boa sorte, sucesso aos amigos que partiriam, chegamos no carro.
Nany colocou a chave na minha mão, ô tá maluca, sei dirigir não. Vai aprender agora, putz…. É sério isso!? Vai devagarinho, eu e o Tuca vamos no banco de trás. Ah sei, o carro vai virar motel e eu motorista de bordel, não me responsabilizo pelo carro hein. Declaro para os devidos fins que a tara é sua. E a Babel mais o Cadu, vishhhh…. Mais é atrasada mesmo, já foram há décadas. Hum, sei. Entra aí. Primeira ré, quase pega o poste em cheio, ai senhor iluminai este volante que se assume por sozinho. Pronto, estamos em linha reta, música boa, Héle vai bem devagar, sim senhora patroa. Evidente que eles iam se pegar, impossível não debruçar nos detalhes transpassados pelo retrovisor.
Nany era experiente, já tinha 21 e Tuca 17, ela no comando, grudou nos cabelos do moleque num rompante fumegante dos lábios, “Uma aptidão tendenciosamente cardíaca, vulcanicamente compulsiva, sedenta, extraordinária variação dos acasos realizadas nas ações do perigo. Ahhh... Ousadia gostosa… Caracteristicamente definindo uma pessoa que se afoga nos goles da sede”. Já havia passado sete quebra-molas, de boa, nada complicado. Héle, fica rodando o centro um tempinho? Cruzes, chofer mesmo!? Ahhh Bellinha… Pleaseeeee. Ok, uma volta, quero dormir. Aumentei o som, um pouco, nem tanto que não pudesse ouvir os gemidos escandalosos dele, ela deixava ele maluco, no final das contas, estava sendo uma puta aula.
“Previamente estabelecida conduta, mortal… Bem-me-quer, mal-me-quer e tal… O avesso de algo inexpressivo”, algo que brotava em mim, a vontade de ver, a curiosidade não fabricava mais o senso da observação. Audácia de babar a boca “inovação da língua, particularidades, qualidade da observação desmedida, atrevida!”. Tuca tem pego o jeito dela, também é um aprendiz; já sabe puxar-lhe os cabelos e abocanhar a nuca, mãos leves, já o deixara sem calças, provocante, bacante “Por dentro, ainda pensa no abismo, absoluto poder, flutuante, raiva complacente, soul carnívora”. Pele branca como margarida, sedosa, bem cuidada, cabelos ruivos, bochecha cheia de sardas, típica estrangeira, 1,55 de pura ousadia.
A boca engolia seus seios, o vestido era fácil de levantar, as mãos desgovernadas penetravam seu íntimo. Uma curva, segunda volta na avenida principal da city, vidro fumê, ninguém via nada. Ela o deixava a sua mercê “mirante dos seus sóis, carne vadia, trilha surrada. Enfim, inebriante audácia, o fogo é o suspiro, sua calma”. O retrovisor não conquistava tantos ângulos, os gemidos de Tuca guiavam a cada Hold de ações. Nany arrancou-lhe tudo, a calma, as roupas, a serenidade, adorava-lhe tirar do sério, podia ver o olhar dela ao lamber seu pênis, penetrante, comandante.
Ele gozaria ali mesmo, abocanhado, sendo humidamente sugado; estou indo para terceira volta, daqui a pouco penso que uma viatura irá encostar; como disse declaradamente, a tara é dela, mesmo sabendo que ambos iríamos juntos nessa. Suas pernas abertas o seduzindo, marquinha de sol, sentou-se sobre ele, a urgência do desejo era enfática, desgarramento de gritos esbaforidos. NSync embala o ritmo, Tuca não duraria muito, ela é boa, dominante, cuspiu na cara dele e depois lambeu em cima, esparramou a baba, cretina. Rumo a casa de Tuca, estávamos próximos. Estacionei. A vampira solta, afinal quem está no revoltsss 320 volts é Nany. Urros e gemidos fortes, calorão dentro do carro, ela o avisou que iria gozar, alavancando um processo de erupção vulcânica espermal.
A voz dela o deixava em colapso de tesão, suados, o corpo diminuía a frequência cardíaca, relaxava, um beijo de despedida, cada qual se ajeita. Tuca levaria consigo recordação gostosa da noite, e com certeza faria outras proezas por lá na Facu, a experiência vem a seu passo. Nany sentou do meu lado. Olhamo-nos, gargalhada corria…. Noutro dia, Babel, eu e Nany fomos a praça tomar aquela taça de sorvete de domingueira fresca, não deu outra. Relatos por favor, começa você Babel, depois tem o babado da Nany, claro…. Fui coadjuvante, espectadora explícita, mas a protagonista foi eu não. Existem amigos que podemos nos abrir sob qualquer aspecto, sem correr riscos de julgamento, ainda existem Nany e Babel para me salvarem das chatices.
Ei Héle, ainda virgem? Quem, eu!? É sim, tu mesma. Ah, eu não, foi a pouco tempo, mas aconteceu tanta coisa, tenho me divertido tanto com vocês todos que as minhas fases se passaram, mas tô feliz, vocês me completam, a turma perfeita, os amigos que fiz. Ah qual é Héle, conta pra nós como foi a primeira vez. Ah bem, o que posso dizer... foi horrível. Ochê, como assim!? Ah, eu desejava-o desde os meus treze anos, guardei-me, fui uma idiota, quando quase aos dezoito, já mais livre dos olhos de minha mãe, mais confiante de mim e menos tímida, já saía sozinha com os amigos nas férias. Então, trombamo-nos em uma lanchonete e lógico que aquele calor subiu, ele também demonstrou interesse, pois eu não era mais criança, era uma jovem com um corpão interessante e atlético, embora ele fosse amigo do meu irmão mais velho (parrudo, alto e forte) faixa preta de judô, ele não estremeceu.
Ofereceu-me carona pra casa da minha tia e eu aceitei, sei lá... na minha cabeça ele perceberia ou me perguntaria, e estaríamos em um lugar mágico, mas foi totalmente o oposto. Conta tudo agora Héle. Bem, saímos no carro, disse onde eu estava posando nas férias, ele passou lá por perto e disse se eu não queria passar mais um tempinho com ele, eu pensei, é agora... então sim. Fomos para um lugar escuro, na rua, longe das vistas das pessoas, ele me beijou, começamos a acender, pegar fogo, então, ele abriu as calças, e eu... assustei quanto ele disse “faz uma chupetinha aqui”. Porra Héle, que fia da puta! Bem meninas, apesar das experiências convosco, eu não tinha nenhuma, então disse “o que? O que é isso?”, acredito que ele sacou naquele momento que eu era virgem ainda. E depois? Bem, depois deixei o barco seguir seu rumo, todas as minhas amigas não eram mais virgem e eu sim, vocês sempre me deixavam fora de algumas conversas picantes e eu queria saber como era também.
Só sei que passamos para o banco de traz, e eu nem me perguntei sequer uma vez se era isso naquele lugar que eu queria mesmo, a gente não aprendeu a dizer não, nunca nos foi ensinado dizer não, sempre foi nos ensinado dizer sim pra tudo, por causa da obediência aos mais velhos, aos pais, etc., não é meninas? Na verdade, nem pensávamos no não, não é assim que imaginei, não é assim que eu quero, vamos para outro lugar aqui eu não quero. Verdade Héle, minha primeira vez também foi no susto, quando dei por mim já estava na cama dele. Enfim meninas, lembro como se fosse hoje, e no banco de traz, ambos nus se beijando e se amassando, ele entra com tudo, força, e eu nem senti nada, não deu tempo nem de sentir algo que ele já gozou. Como assim? Dentro? Não, não... calma, pelo menos ele pôs camisinha, e isso já me tirou um peso dos ombros, pois pedir para pôr isso eu não tinha coragem e vocês? Eu já pedi antes de tirarmos a roupa, bem na cara dura, eu hein, quero filho nada. E tu Babel? Eu não precisei pedir, mas também não usamos nada, foi na sorte que nos amamos, foi lindo e apaixonante.
E tu Nany? Eu? Não, o Zé lá da esquina, claro que é tu mané. Eita Babel hahah, cinderela. Bem, foi uma coisa mais carnal, eu não me guardei pro cara como tu Héle, nem tive uma primeira vez romântica como tu Babel, porém foi selvagem, uma delícia de loucura, pois foi com um cara mais velho e experiente. Enfim, cada uma de nós tivemos histórias diferentes e desfechos diferentes. Mas conta lá Héle, e depois, o cara te procurou? Não quis nem saber, o encanto acabou ali na hora, eu quem sumiu... e depois sumi mais um pouco. Fui sumindo conforme o tempo me engolia, aconteceram coisas que não estou pronta para contar agora, só preciso das minhas Best friends Forever! Isso me basta, adoro estar com vocês mesmo que por pouco tempo.
Nany vai para a capital do estado tentar fazer um cursinho para entrar na faculdade, papai tem dinheiro e paga tudo. Né guria! Babel já passou no vestibular e vai estudar direito na região central e na Matriz da Universidade Estadual do Estado (UNEMAT). Que beleza! E eu, eu vou ficar por aqui, a Mi está a estudar na capital também e a Paulinha engravidou e se casou, típico dos casais adolescentes, casam-se por obrigação e não por amor nestes casos de urgência. E já estou acostumada a me virar sozinha desde a infância, correr de tarado nestas trilhas e matas deste estado gigantesco e sem proteção, por isso virei atleta, pelos menos correr eu sei bem. Vais pra facu Héle, tu que é esperta e CDF? Ah... acho que sim, mas não quero fazer biologia, detesto, e é a única faculdade pública da cidade, estudar fora do estado não dá, não tenho grana e não tenho apoio dos parentes. A sina é ficar e fazer aqui o que tiver mesmo, quem sabe abre uma facu na área que domino ano que vem!
Héle, o que é que tu não pode contar pra nóisssss mocinha? É, também quero saber. Ah meninas, deixa quieto, não vou mexer nesta papelada, nem bem processei tudo e arquivei os papeis em uma caixa, está tudo muito recente, e eu só sei que não consigo dormir, pode ser um distúrbio do sono ou algo pior. Cruzes Héle, tem que se tratar garota! Ah meninas, minha mãe esta fazendo o que pode, mas nessa terra que vive os resquícios da ditadura, qualquer reclamação vinda de uma mulher, jovem e professora, pode soar de forma negativa e me prejudicar, por isso minha mãe optou pelo silêncio.
Nany, deixa a Héle, se ela não quer contar é porque a coisa é particular e pessoal, quando ela sentir que deve contar ela tem sempre a nós para fofocar, hahaha pelo menos vamos te animar garota! Obrigada meninas, amo vocês suas biscates! Rssss.... Bora pro mundo que o tempo é ligeiro e daqui a pouco já temos 70 anos. Sai fora Héle afff.... quero viver muitoooo tempooooo. Qual é Héle, qual foi, por que que tu tá nessa? Hahahahaah... ainda nem cheguei aos 19 anos.
Até lá meninas, continuaremos dispersos... será que a faculdade nos disértará?
CONTINUA NA PRÓXIMA QUARTA...
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| Andréia Kmita |
Andréia Kmita é natural de Campo Mourão - Paraná (25/04/1977), região Sul do Brasil, migrou com a família de ascendência italiana e ucraniana para o Norte do país. Docente na Educação Básica (Ensino Médio) na SEDUC/MT desde 1992. Graduada em "Letras"(1999/FADAF). Mestre em Literatura e Crítica Literária (2018/PUCSP). Pós-graduada em “Psicologia e Coach” (2020/Faculdade Metropolitana de Ribeirão Preto - SP). Em 2021 cursou “Terapia Cognitivo-Comportamental: Princípios Teóricos e Epistemológicos” e “Introdução a Psicanálise Freudiana” no Portal de Psicologia (in)Formação. Fez parte de grupos de pesquisa na PUC-SP sobre poesia e crítica literária em 2015 e 2016. Integrou o grupo de pesquisa da Profa. Dra. Telê Ancona Lopez USP (FFLCH) 2015/2016/2017 sobre o “Trabalho do Crítico”. Atuou como Coordenadora Pedagógica na escola especializada em Educação no Sistema Prisional de Mato Grosso de 2019 a 2020, onde escreveu documentos de suma importância para o Estado de Mato Grosso no segmento educacional PPL (Privados de Liberdade). Em 2021, iniciou o Doutoramento na FLUC (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) em Línguas Modernas: Culturas, Literatura e Tradução. É Poetisa, escreve contos e roteiros de curtas, escritora de projetos políticos educacionais e culturais.



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