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Já começo dizendo que é completamente irresponsável e um desserviço a (você sabe quem) ter esse tipo de opinião e publicá-la, porque é muito mais do que ter uma opinião. Na verdade, é sobre defender os interesses de quem sempre matou as mulheres, de quem sempre mata as LGBT, de quem sempre mata por racismo.

É engraçado também pensar que essa mesma pessoa, essa mesma mulher que acredita que para ser mulher precisa de exame ginecológico, no momento da sua opinião não deixa em anexo o seu exame ginecológico, porque eu duvido que seja mulher. E agora eu digo que duvido que ela seja mulher, porque pra ser mulher não precisa de exame ginecológico, precisa essencialmente se sentir mulher e defender as mulheres.

Ser mulher hoje no Brasil não é só sobre a minha opinião, é sobre a vivência das mulheres, então já acontece sem a minha ciência ou opinião — assim como a própria (você sabe quem), que não consegue compreender o lugar de onde fala. E aí causa um desserviço, causa um desentendimento, uma disrupção da opinião da realidade. Ao tentar defender o Ratinho, que por inúmeras vezes foi totalmente racista, preconceituoso, transfóbico e misógino em rede nacional, principalmente contra as mulheres cis.

E se ela não entende essa diferença entre cis e trans, já começamos por aí, porque pra dar opinião precisa ter o mínimo de intelecto. E intelecto aqui não é sobre defender a esquerda ou a direita, porque tem muita gente da direita, centro-direita, que assume seus argumentos, e inclusive compreende a grandeza de Erika Hilton e os condensa em um texto muito mais bem elaborado do que simplesmente uma opinião de conversa de bar. Ou de certo espera que a sua opinião seja validada por outras pessoas que também pensem igual. Tipo, homens à espreita pra assasinar ou atear fogo em uma mulher trans.

Mas na verdade é que nem mesmo pra ela, que é uma mulher com deficiência, branca, há pessoas que a defendam aqui em Gravataí. Talvez seja a necessidade de criticar as coisas, né? Essa prosperidade e os avanços dos movimentos sociais fazem com que ela se sinta de fora, rejeitada. Mal sabe ela que não é criticando - com a ideia de fundamentalizar, de concretizar e construir, crítica como falha, a crítica como desserviço, a crítica como uma arma defensiva contra quem realmente defende seus direitos que irá chegar onde quer.

E a própria opinião dela expressa uma leitura muito rasa no assunto, inclusive da própria matéria sobre a acusação contra o Ratinho.

Então assim, a pessoa nem ao menos se dá o trabalho de balizar a sua opinião, de balizar seus argumentos em fatos. Porque o que aconteceu agora com o Ratinho e a Érika Hilton não foi um caso isolado e acontece todos os dias com mulheres com deficiência, com mulheres cis, com mulheres trans. E a Érika Hilton é uma das pessoas bem mais indicadas, certamente, do que se a (você sabe quem) estivesse sendo a candidata a presidir a Comissão das Mulheres.

Então assim, não é uma questão de quem é “mais mulher”, é uma questão de quem tem mais respeito e consegue argumentar contra as opressões e lutar contra as opressões em uma esfera nacional.

Antes da pessoa dar uma opinião tão feia, tão chula, tão baixa na cidade de Gravataí — que já é uma cidade muito conservadora —, desvalida toda a luta das mulheres daqui de Gravataí até então, sejam elas de esquerda, sejam elas de direita. A verdade é que a (você sabe quem) não tem um posicionamento político muito bom, porque ela ainda espera ser aceita e ela não vai ser aceita enquanto não compreender que pra ser mulher não precisa de um exame ginecológico. Mulher não precisa estar dentro de casa. E a própria atividade exercida pela (você sabe quem) dentro do coletivo e dentro das outras áreas que ela gosta de atuar faz com que ela não se dê conta que já é um benefício que as mulheres trans - a própria Jessie Jazz já foi pras ruas e lutaram para ela ter também o direito de não ficar calada em casa.

Então, antes de pensar em atacar a comunidade LGBT, como ela acabou de fazer — porque o exame ginecológico também afeta a vida de homens trans, mas ela não sabe disso, porque não se ousa pesquisar, né? —, ela se resume, você vê que ela se resume a pequenez da sua verdade a um exame ginecológico.

Então, (você sabe quem) não é uma mulher. A (você sabe quem) é um exame ginecológico. Mas, claro, gente, é só a minha opinião. Hihihi.

Precisa-se urgentemente de letramento politico pra entender o que é gênero social e a que ele se refere. É um marcador social. Triste a desinformação.

Marco Aurélio Jr.


"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."


COLETIVE ARTS, 07 ANOS DE VIDA,
SENDO A MAÇÃ DE ALGUNS,
EU SOU A MOSCA QUE POUSOU
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A 
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