UM POUCO DE HISTÓRIA

 “Se não for minha, não será de ninguém”

Crime passional? Matar por paixão? O amor mata? A confusão de sentimentos, o desequilíbrio provocado pela separação explica os motivos de tantos feminicídios? Talvez explique, mas, certamente, não justifique.

Este é um assunto doloroso, cruel por demais, entretanto, precisa ser abordado. Não tem uma semana em que não apareça uma notícia de feminicídio na imprensa. Já são vinte no Rio Grande do Sul, só neste ano. Geralmente é homem que não se conforma com a separação e esfaqueia a ex-companheira, às vezes atropela e, nesses dias, um pai matou os próprios filhos e depois tirou a própria vida para deixar a esposa com remorso e na solidão. Certamente inspirado na tragédia grega Medeia, a mãe que mata os filhos para vingar-se da infidelidade do marido. Inegável estas tragédias, mas não menos trágico é algumas mulheres dizerem sobre o pai que assassinou os filhos: “que ele matasse a mulher, mas não as crianças”.  Parece que a vida de uma mulher vale menos ou que o feminicídio até pode ser “tolerado”. Absurdo!!!

Em regra, “o feminicídio é o assassinato de mulheres cometido por causa de seu gênero ou em contexto de violências doméstica e familiar”. Portanto, mulheres mortas em assalto ou na violência diária do trânsito não é considerado feminicídio. Esta violência contra as mulheres é muito específica e, em sua imensa maioria, perpetrada por homens, entretanto, há casos de companheiras matando suas parceiras, mas são raros. Em geral é o homem ameaçado no seu domínio, na sua percepção de proprietário ao perder o domínio de um de seus bens: a mulher.

O feminicídio é o resultado de uma sociedade patriarcal em que o homem é o senhor da vida e da morte dos filhos e da esposa. Na história do Brasil há uma imensidão de relatos de crueldades contra os escravizados e esta crueldade se refletia nas relações domésticas no interior do “lar doce lar”. O senhor da senzala era o mesmo senhor da casa grande. Homens conservadores, defensores dos valores da família, tementes a Deus, ardorosos protetores das suas propriedades privadas, entre elas a mulher.

Certamente há uma relação política entre homens de direita e feminicídio. Claro que isto não é uma verdade absoluta. Há homens de esquerda que também são violentos com suas companheiras, mas, com certeza, são casos isolados.

Homens inseguros diante das conquistas sociais e políticas das mulheres sentem o seu poder escorrer por entre os dedos. Entender que homens e mulheres são parceiros e não adversários e muitos menos dominador e dominada exige constante aprendizado que envolve toda a sociedade. O próprio governo federal lançou campanha para combater o feminicídio focada em esclarecer o homem sobre o óbvio: “quem ama não mata”.         



NESTOR OURIQUE MEDEIROS

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

ESPALHANDO ARTE E
CULTURA!
O COLETIVE ESTÁ SEMPRE
EM BUSCA DO SUCESSO!


SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS:
Sempre algo interessante
para contar!

Postar um comentário

0 Comentários