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35 anos essa noite
Casamento
é um tema delicado, um assunto espinhoso para algumas pessoas que certamente
não querem conversar sobre ele, talvez porque traga à tona memórias dolorosas
que cuidadosamente tentamos manter submersas, acorrentadas a um navio
naufragado no fundo do mar. Entretanto, se até no Titanic, lá no fundo do
Atlântico, foram mexer não é difícil que essas lembranças eventualmente se
soltem nas profundezas do mar da nossa memória e, mais cedo ou mais tarde,
cheguem à tona, se manifestando na superfície da nossa memória.
Esse
parágrafo inicial é para, respeitosamente, pedir licença aos leitores que
porventura não possuam boas lembranças do seu casamento para contar como foi o
meu.
Hoje,
completamos 35 anos de casados. Não foram 35 anos de um “mar de rosas”, como
diz a música, teve dias em que a chuva caiu e com muita força, mas estamos aí,
juntos.
Em
13 de abril de 1991, um sábado, caia uma chuva que já vinha desde o dia
anterior. À noite, na Capela da Vila Brasília, em Porto Alegre, teve início a
nossa cerimônia de casamento. Eu já estava lá, do lado do altar, esperando e só
pensava no extremo cuidado que os irmãos da minha noiva (não era esposa ainda)
deveriam estar tendo ao conduzi-la na descida do carro até a capela, um trajeto
ladeira abaixo de chão batido que, com as chuvas, transformou-se num “sabão”,
“sabão” esse que tantas vezes a fez cair e escorregar nas ruas daquela vila,
provocando risos, brincadeiras e hematomas. Felizmente deu tudo certo, ninguém
caiu e até a chuva deu uma aliviada. A capela, que depois da cerimônia
tornou-se salão de festas, estava lotada. Alguns parentes e amigos meus, mas a
imensa maioria era formada por parentes da noiva e moradores da comunidade. Foi
uma festa regada com muito carinho e alegria pelo nosso casamento. Aliás, uma
curiosidade: semanas antes meu tio/padrinho de Esteio, cidade onde nasci na
casa da minha vó, ofereceu-me um salão na Associação Comercial, no centro da
cidade, temendo pela segurança de todos ao realizarmos o nosso casamento no
meio da vila. Agradecemos o oferecimento e a preocupação consideramos
irrelevante, pois não havia sentido para nós nos casarmos fora do ambiente onde
a minha noiva havia crescido e dado aulas de catequese ali mesmo, naquela
capela.
Hoje,
posso dizer todo orgulhoso, quando escuto sobre casamentos em Cancun, Angra dos
Reis ou Gramado, que me casei em Brasília, não na capital federal, mas na vila.
Enfim,
nesses 35 anos vieram duas filhas e um filho, além de diversos boletos
arduamente pagos, muito afeto, cumplicidade e sonhos sonhados juntos.
Obrigado,
Marli.
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"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." |


1 Comentários
Oi, sou a Isab. Parabéns para vocês. Que venham mais 35 anos de felicidade. Bju p vocês
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