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ARTE AFETO

Caminhares: quando a arte cruza nossos caminhos

No dia 1º de setembro, fui até Porto Alegre visitar a exposição “Caminhares: Os Artistas da Chico Lisboa”, na Galeria de Arte do DMAE.

E, como o próprio nome da exposição sugere, fiquei pensando em caminhos.

Caminhos de artistas, caminhos de obras, caminhos que se cruzam e, principalmente, caminhos que deixam marcas na nossa própria história.

A exposição reúne artistas ligados à Associação de Artes Plásticas Francisco Lisboa, instituição que promove as artes visuais e seus artistas desde 1938. São diferentes trajetórias, técnicas, estilos e formas de enxergar o mundo reunidas em um mesmo espaço.

Entre tantos nomes, dois artistas me chamaram especialmente a atenção: Luci Sgorla e Graça Craidy.

Mas, no caso de Luci, existe uma história por trás desse encontro.

Luci Sgorla e um conselho que mudou um caminho

Tive o privilégio de conhecer Luci Sgorla em 2017.

Naquele período, ela estava montando sua exposição “Entre Portais”, enquanto eu participava de uma oficina de papel machê com a professora Mari Veleda, que na época era técnica de Artes Visuais.

Eu estava ali fazendo uma oficina, aprendendo, experimentando materiais e, como quem não quer nada, descobrindo um pouco mais sobre mim mesma através da arte.

E foi justamente Mari quem enxergou algo em mim. Ela viu meu potencial e me deu um conselho que eu nunca esqueci:

“Tente participar dos editais da Cultura.”

Pode parecer uma frase simples.

Mas, às vezes, uma frase dita no momento certo muda muita coisa.

Eu segui o conselho.

Em 2018, participei do meu primeiro edital e conquistei o meu primeiro Prêmio Dana de Artes Visuais, com a exposição “Reviver”.

Olho para essa história hoje e percebo que alguns caminhos começam de maneira muito simples: uma oficina, uma professora, uma conversa. Uma pessoa que acredita na gente antes mesmo de nós acreditarmos em nós mesmos.

E foi assim que aquele período ficou guardado na minha memória afetiva.

Por isso, encontrar novamente o nome da Luci em uma exposição como "Caminhares" me fez lembrar não apenas da artista que conheci, mas também daquela Magda que estava começando a descobrir que poderia ir mais longe na arte.

A arte tem dessas coisas: ela abre portais.

E, pensando bem, talvez o título "Entre Portais", da exposição que a Luci montava naquela época, tenha ganhado um significado ainda maior para mim.

Porque, de certa forma, eu também estava diante de um portal.

Graça Craidy: personalidade nas alturas!

E agora vamos falar dela: Graça Craidy.

Maravilhosa, estilosa e cheia de personalidade. Uma mulher com a personalidade nas alturas!

E antes que alguém pergunte: não, eu ainda não conheço a Graça pessoalmente. Ainda! Porque tenho uma promessa comigo mesma: este ano, eu vou conhecê-la ao vivo e a cores. E que cores! 🎨

Sabe aquela pessoa que você olha e pensa: “Essa pessoa tem presença”? É exatamente essa a impressão que a Graça me passa. Mesmo sem conhecê-la pessoalmente, sua presença artística e seu estilo já despertam minha curiosidade e admiração.

Acho bonito quando um artista consegue fazer isso: despertar em nós a vontade de conhecer não apenas sua obra, mas também a pessoa por trás dela.

A Graça tem uma trajetória ligada às artes visuais, à comunicação e à criatividade, e sua produção transita por diferentes técnicas e linguagens. Mas, para mim, existe algo que vai além da técnica: existe personalidade.

E personalidade, na arte, é algo que não se fabrica. Ela aparece na escolha das cores, na maneira de criar, na forma de se apresentar e no jeito de olhar para o mundo.

E talvez seja exatamente por isso que eu tenha ficado tão curiosa para conhecê-la.

Caminhares que deixam marcas

Visitar Caminhares foi mais do que olhar para uma exposição: foi lembrar que cada artista tem uma história. Cada um carrega seus encontros, suas descobertas, suas dificuldades, suas inspirações e aquelas pessoas que, em algum momento, disseram uma palavra que fez a diferença.

No meu caminho, tive a Mari Veleda. Tive aquele encontro com a Luci. Tive a oportunidade de participar de um edital. Tive meu primeiro prêmio. E tive a arte me mostrando que talvez eu pudesse ir muito além do que imaginava.

Hoje, quando entro em uma exposição, não consigo olhar apenas para as telas. Eu olho para as histórias, para os caminhos, para os encontros, para aquilo que existe por trás da obra.

É por isso que esta coluna se chama Arte Afeto.

Porque, para mim, arte nunca foi somente uma imagem bonita na parede. Arte é memória. É encontro. É incentivo. É oportunidade.

É aquela professora que acredita. É aquela artista que cruza nosso caminho. É aquela obra que nos faz parar. É aquela lembrança que volta anos depois. E é também aquela pessoa que ainda não conhecemos, mas que já despertou nossa curiosidade.

Graça, fica aqui o meu convite para o nosso futuro encontro. Prometo que este ano será ao vivo e a cores. E, pelo que já percebi, cores não vão faltar!

Porque seguimos caminhando. E que bom que a arte coloca tantas pessoas bonitas no nosso caminho.

Arte é caminho.
Arte é encontro.
Arte é memória.
Arte é afeto.












Magda Ferreira Gomes, artista visual de Gravataí e membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Gravataí Setorial de Artes Visuais (suplente). Praticante do desenho e linguagens artísticas desde 2004. Exposições voltadas às suas memórias afetivas. Oficineira, mandaleira, atuante na customização de roupas e acessórios.

Facebook: Magda Gomes


"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."



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