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 O DIREITO DE ERRAR

Por muitos anos eu quis ser a Mulher-Maravilha. 

Na verdade, eu ainda gosto dela. Gosto tanto que a tatuei gigante nas minhas pernas. 

Talvez porque, durante muito tempo, eu tenha acreditado que precisava ser um pouco como ela. Heroína. Forte. Pronta. Capaz de resolver, salvar, aguentar, levantar e seguir. 

Só esqueceram de avisar que heroínas também erram. 

Eu errei muitas vezes tentando acertar. 

E talvez uma das coisas mais difíceis da maturidade seja justamente conseguir olhar para os próprios erros sem fugir deles, mas também sem construir uma casa dentro da culpa e decidir morar ali. 

Hoje eu quero o direito de errar. 

Não o direito irresponsável de fazer qualquer coisa e depois dizer: “Sou assim mesmo.” Isso não é liberdade. É desculpa. 

Quero o direito de dizer: eu errei. Eu assumo. Eu aprendo. Reparo o que puder ser reparado e sigo. 

Porque responsabilidade e culpa não são a mesma coisa. 

Responsabilidade me faz olhar para o que fiz e perguntar o que posso fazer diferente. 

A culpa, quando vira moradia, só me mantém presa ao que já aconteceu. 

E existe outra parte dessa história que demorei muito para aprender: assumir o que é meu não significa carregar o que pertence aos outros. 

Eu não quero fugir dos meus erros. Mas também não vou aceitar culpas que não são minhas. 

Durante muito tempo achei que ser forte significava suportar tudo. Hoje começo a desconfiar que força também é saber o que carregar e o que finalmente colocar no chão. 

Não quero mais viver com a obrigação de ser heroína todos os dias. 

Quero ser humana. 

Acertar. Errar. Rever. Aprender. Recomeçar. 

Talvez seja justamente aí que more a coragem. 

Não em nunca cair, mas em não transformar cada queda numa condenação. 

Não preciso apagar os meus erros. Eles também fazem parte da minha história. 

Posso olhar para trás, reconhecer o que fiz, aprender com o que vivi e seguir. 

Sem transformar culpa em moradia. 

Sem transformar erro em identidade. 

Sem transformar passado em sentença. 

Eu tenho o direito de errar. 

E a responsabilidade de aprender com isso.



Texto: Cris Clezar


Facebook: Cris Clezar

Instagram: @crisclezaroficial  

Arte: Bruno Lorca

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Instagram: @bruno.s.lorca


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