UM POUCO DE HISTÓRIA



No próximo domingo vamos decidir o futuro do nosso país.

Poderia continuar escrevendo aqui sobre a importância histórica dessa eleição — como já fiz no texto anterior, “Essa é a Eleição das Nossas Vidas!” —, pois argumentos para isso não faltam. Entretanto, a esta altura do campeonato, há pessoas que ainda dizem, com muito orgulho: “Não gosto de política”, “Não sou político” ou, pior ainda, “A política não tem nada a ver com a minha vida”.  

Quantos já ouviram essas pérolas do senso comum, gestadas na concha da alienação política e social?

Durante o nefando período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), propagou-se a mensagem de que a participação política era algo errado e reprovável. De fato, muitos morreram nos porões do regime, vítimas de tortura, por ousarem querer a volta da democracia e, assim, poderem fazer política. Ironicamente, vivemos hoje em uma democracia na qual alguns têm saudades da ditadura e alimentam esse discurso de ódio à política e aos políticos.

Uma curiosidade: a palavra política vem do grego pólis, que significa comunidade. Portanto, política é a convivência dos seres humanos em sua pólis e, sendo assim, todas as pessoas que nela vivem são políticas.

Podemos afirmar que o ser humano é um animal político e, no próximo domingo, vamos exercer o nosso poder de escolher qual projeto político irá governar a nossa sociedade.

Para quem não tem clareza sobre o seu papel político, deixo aqui as palavras de Bertolt Brecht, dramaturgo alemão que viveu de 1898 a 1956.

 O Analfabeto Político

O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa
dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,

e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais.



NESTOR OURIQUE MEDEIROS

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."


Instagram: @nestormedeiros2

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3 Comentários

  1. Oi, Nestor, sou a Isab-El. Hoje temos, além do analfabeto político, do ignorante (sinônimo de ignorar, não ofensivo) político, temos o que tem orgulho da ignorância, o gado político. Aquele que não adianta fatos, provas, testemunhos, nada. Esse é o pior de todos. Bju

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  2. Como diria o sábio filósofo Mussum da Mangueira: "Como de fatis!" Esse tema se recicla e se resignifica em cada processo eleitoral. Os vigaristas, corruptos e lacaios se reproduzem aos milhares. Com nova roupagem, novos discurso mas a mesma essência: a hipocrisia moralista. Bom voto a todos ou a medida do possível, algo como isso!

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  3. Já dizia o sábio filósofo Mussum da Mangueira: "Como de fatis!" Os vigaristas, pilantras, corruptos e lacaios se reproduzem como ratos a cada período eleitoral. Assim como se reproduzem (nesse caso, como coelhos) os reprodutores do discurso fácil de "terra arrasada". Confesso que ando cada dia mais cansado e apático aos acontecimentos políticos de nosso tão castigado planeta. Mas enfim, enquanto há vida (e eleições livres) haverá esperança. Uma boa votação, ou algo próximo a isso, para todos nesse domingo!

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