A MÚSICA SEGUNDO O FILÓSOFO

 Venom – At War With Satan

Há bandas que lançam um álbum conceitual com uma temática definida a ser executada em alto e bom som. Independentemente do que vai ser abordado, com uma boa mistura entre uma letra bem escrita e um instrumental bem feito, o recado está dado.
O Venom fez isso com maestria no seu terceiro álbum, o respeitado At War With Satan. A banda vinha de dois álbuns que antecederam esse trabalho e que foram um marco para o metal de uma forma geral. O grupo ganhou o respeito do público e da crítica com dois discos bem pesados e que foram pioneiros, por assim dizer, numa década em que apareceram várias bandas que moldaram o seu próprio som inspiradas no trio, sem perder a sua identidade.
O ano era 1984. Exatamente no dia 16 de abril desse longínquo ano, o Venom mostrava que sabia fazer um som de peso, com técnica, algo temático e conceitual — não era só “barulho”. Distribuído pelo selo Neat, o disco foi produzido pela própria banda. Devido ao nome do álbum, eles sofreram alguns percalços na época do lançamento. Com um teor bem satanista e anticristão, o disco foi retirado de algumas lojas pelo Reino Unido devido às suas leis retrógradas. Isso ajudou a projetar ainda mais a imagem da banda e a atiçar a curiosidade dos fãs.
"At War With Satan", a música que dá nome ao disco, relata a história da guerra entre o céu e o inferno, na qual a terra de Satanás sai vitoriosa. Um petardo inicial que tomou todo o lado A do LP. Uma música de quase vinte minutos, bem ao estilo do rock progressivo. A faixa mostra que a banda sabia fazer um som de longa duração e com virtuosismo, sem perder suas características principais.
No lado B, contendo seis canções, a banda voltou às suas origens, com sons crus, rápidos e diretos. "Rip Ride", "Genocide" e "Cry Wolf" mostram que eles sabiam transitar bem nos subgêneros do metal. A parte final do lado B tem mais três sons que merecem a atenção de quem ouve. "Stand Up (And Be Counted)" tem um quê de punk e recorda o som sujo do MC5. "Women, Leather and Hell" e "Aaaaaarrghh" fecham brilhantemente esse trabalho que podemos chamar, sem medo de errar ou de cometer alguma heresia, de clássico.



Daniel Filósofo é cronista, jornalista, profundo conhecedor de rock'n'roll, torcedor do Fluminense e radialista Também escreve suas crônicas dominicais na coluna do Daniel Filósofo.

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