
Um xerife a direita
Pode ser uma impressão minha, mas sinto que o extremismo proveniente da Direita tem nos feito questionar certos fatos históricos. Veja Cuba vs EUA, Palestina vs Israel: quem são os vilões? Basta pensar que quem governa os estadunidenses hoje é um cara que sempre nadou em dinheiro — para quem conhece a referência, o Tio Patinhas em carne e osso.
Há anos assisti ao filme "Munique" do Spielberg e o achei profundo. Hoje, porém, sei que as mortes promovidas por Israel naquela época, assim como agora, muitas vezes não miraram terroristas, mas inocentes. Se a crítica aparece, somos chamados de antissemitas — o que é um contrassenso, já que os palestinos são o quê? Enquanto nos acusam, o estado sionista ataca jornalistas, membros da ONU, mulheres e crianças. Os EUA, o xerife do globo, revelam-se os bandidos da vez, enquanto os rotulados como heróis explodem escolas com crianças dentro. Zero novidade: até reféns israelenses são mortos por seus próprios militares. A defesa desse sistema tornou-se insustentável.
Trago isso para o nosso quintal: Direita vs Esquerda. Sei que muitos pregam o "efeito ferradura", mas não consigo ver qualquer paralelo. Enquanto a esquerda, em tese, pensa na coletividade e na distribuição de direitos, a direita pensa num sistema que centraliza o poder na mão de poucos. Não se trata mais de ódio ao Lula ou ao PT; trata-se de percebermos o quanto de humanidade ainda nos resta. Porque o ódio nos faz naturalizar o sofrimento do outro como se fosse o preço inevitável de um mundo feito para poucos. Lá em cima, um John Wayne bilionário nos olha com nojo; cá em baixo, nós reproduzimos esse mesmo nojo e desdém por aqueles que estão ainda mais perto de nós — os que dormem na calçada, os que pedem um prato de comida. Afinal, o ódio ao longe é político; o ódio ao lado é a prova final de que já perdemos a humanidade que tanto cobramos dos outros.
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| Leandro Blum |
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| Arte:Waldemar Max |
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!

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