CONTRAPONTO


Conexão Energética

Esses dias estava conversando com uma amiga sobre estar na presença de pessoas que não tem nada de errado em suas condutas, mas que nos despertam uma retração, uma vontade de ficar longe. Porém não existem motivos concretos para isso. Às vezes buscamos até falhas, por menores que sejam, para justificar esse nosso sentimento em relação a essas pessoas. Mas na maioria das vezes não encontramos nada de justificável. Eu e essa amiga chegamos a conclusão que não se trata dessas pessoas serem vilãs, rivais ou arqui inimigas disfarçadas de cordeirinhos, são apenas energias muito diferentes das nossas, nem melhor nem pior, apenas diferentes.

Daí vem alguém e diz que na química “os opostos se atraem” e vem o segundo questionando cadê a tolerância ao diferente, depois um terceiro ainda aponta o dedo dizendo como que vamos querer um mundo melhor, se não somos capazes de acolher a todos sem distinção.

Em primeiro lugar, esse ditado dos opostos que se atraem não vale para nós, seres humanos. Podem existir casais - por exemplo - que se formaram através de uma imensa tensão sexual entre eles, mas quando isso acabou (porque acaba) vieram as diferenças e, se não havia uma conexão, esses casais se dissolveram. 

Em segundo lugar, não falo de excluir ou discriminar quem pensa diferente, falo de se sentir bem com alguém ou - sem motivos - não se sentir à vontade, sem culpar os danados dos santos que não se cruzadas, ou as vidas passadas que geraram inimigos e por aí se vai a imaginação humana! Somos seres integrativos por natureza e, desde que nascemos, procuramos nos identificar nos grupos que nos cercam, na eterna procura pela “nossa turma”. Mas o que seria essa conexão exatamente?

Divagando mais sobre o assunto, acredito (nada 100% resolvido) que essa conexão energética vai muito além de personalidades, gostos pessoais ou da cultura em que nascemos. Talvez se trata da essência da pessoa, da natureza dos seus pensamentos e do que move ela nesse planeta. Se somos energia quântica, nossas combinações internas podem criar frequências vibratórias que nos aproximam ou repelem de determinadas pessoas o tempo todo.

Lembram daquelas amigas da escola, que nunca se desgrudavam, mas uma era mais extrovertida e a outra era bem mais quieta (sempre tem um par assim na escola). Externamente, pareciam um caso de opostos se atraindo, mas quando observávamos com mais agudeza aquela amizade, percebíamos que existia uma conexão profunda entre essas duas pessoas, que ia além de gostos e estilos, se tratava de como elas viam e sentiam o mundo. Por fora, podiam parecer opostas, mas a realidade era que suas energias combinavam e por isso se sentiam em casa na presença uma da outra.

Mas a nossa “turma” nem sempre está tão disponível quanto as demais “turmas” que se espalham por aí. Tem vezes que passamos anos a fio vivendo e trabalhando num ambiente completamente estranho à nossa energia e forçar uma parceria com pessoas que não se conectam conosco pode ser muito desagradável.

Na faculdade, tive uma colega que trabalhou comigo por dois anos e estava sempre no meu meio de amigos e conhecidos. Nós gostávamos das mesmas coisas, tínhamos o cabelo da mesma cor, nos posicionávamos com ideias idênticas, mas nunca conseguimos ser amigas. A presença dela era inóspita para mim. Na época, eu brigava comigo mesma: “Por que não consigo ser amiga da fulana? Fazemos tantas coisas iguais! Somos tão parecidas e todo mundo ama ela, menos eu”. Era como se eu corresse atrás de uma miragem, porque eu nunca alcançava aquela colega. Até que passei a observar ela com mais profundidade e vi que nossas energias e formas de sentir o mundo eram totalmente diferentes, nossos gostos em comum eram apenas cascas.

Complexo esse universo da conexão energética! Tem pessoas que, independente do que são, como agem e como se vestem nos soam com tanta fluidez. A coisa mais natural do mundo é estar na presença delas, como um lar. Não existem paranóias, dúvidas, ciúmes ou mal entendidos. Uma frase, que pode ser julgada por milhares de pessoas comuns, soa simples com a nossa “turma”. A nossa única certeza é que devemos aguçar mais essa percepção, para não nos encaixarmos em lugares e grupos que não são os nossos. Viver amores conectados, amizades profundas, trabalhos que fazem sentido não é raridade ou privilégio de ninguém, é a perseverança de quem realmente quer viver a verdade. Quando dizemos “não” para o que não é nosso, estamos cada vez mais próximos de encontrarmos o que é nosso de fato. E como poderia ser essa vida de conexão e harmonia? Um contraponto musical que traz muito mais alegria para a alma do que o velho desarranjo de sobrevivência e desvios.


Miriam Coelho

Miriam Coelho é artista das imagens e das palavras.

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3 Comentários

  1. Realmente existem pessoas que não batem e não temos motivos para isso atualmente, mas já notou que se insistimos acaba algo acontecendo que explica pq não bate? Elas ou nós fizemos algo que desagrada uma a outra e não é proposital.

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    1. Realmente! Muitas vezes acontece isso. Ou elas fazem algo que nos desagradam ou elas nos interpretam mal por algo depois. Curioso isso!

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  2. Acredito na lei das afinidades. São conexões energéticas que tanto podem ser explicadas pela física quântica, quanto por conceitos espirituais. Aliás, cada vez creio mais que tudo isso é convergente.

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