JANELA DA ANCESTRALIDADE

 


Marcas de um Passado

Me vi na pequena janela, 

olhar fixo na paisagem. 

Os carros passavam, mas tudo o que eu enxergava era uma pequena tapera.


Tábuas rústicas, casa modesta,

um alpendre, uma linda roseira amarela,

uma árvore frondosa e um grande gramado


Lá vivia Joana

e, do seu quintal, ela via o mar.

Seu esposo, Tomás, era pescador,

e os filhos corriam livremente por aquele terreno.


Meus olhos enxergavam todo aquele lugar

com pessoas pretinhas parecidas comigo.

Eu pouco entendia naquela época,

mas já era minha ancestralidade batendo à porta.


A menina que eu via correndo naquele simples paraíso era minha vó.

Não sei como eu conseguia ver o passado,

só sei que conseguia.


Da minha pequena janela,

ouvia meu bisavô gritar:

— Flor, vem pegar os peixes pro pai!


Minha bisavó, sempre com um lenço no cabelo.


Eu nunca estive fisicamente naquele lugar,

mas atravessei gerações em segundos

e me instalava junto deles.


Era tudo tão simples, nenhum luxo.

Minha bisa cantava,

e seu sorriso era como o sol iluminando aquela casa.


Na caneca de alumínio,

água pura, cristalina e geladinha.

A pequena Flor tinha fitas coloridas no cabelo

e corria pelo pátio.


Foi naquelas lembranças que imaginei meus primeiros mundos fictícios,

mas que faziam sentido para uma pequena menina criativa a olhar pela janela.


O som, o verde e o vento

me faziam resgatar quem eu era

para seguir fortalecendo a menina

e dando sopros de esperança e ancestralidade

para a futura mulher.


E eu segui olhando o passado

e inspirando meu futuro

pela janela da vida!


Josiane Prestes

Josiane Prestes é escritora, compositora , cantora,  professora alfabetizadora, pedagoga, especialista em Gestão e Orientação Educacional e multiartista de Gravataí (RS). Assessora pedagógica na SMED Gravataí, atua em defesa da educação pública de qualidade, equidade e valorização das relações étnico-raciais (ERER). Autora de A Janela de Ayo (2025), integra o Coletivo de Escritores Negros e participa das obras Meu Corpo Negro e Dois Olhares de Mulher. Filha, mãe, esposa e ativista dos direitos humanos, transforma arte, ancestralidade e educação em caminhos de resistência, pertencimento e transformação social.


"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

 OITO ANOS DE VIDA,
NOSSO MUITO OBRIGADO POR
ESTAREM NOS ACOMPANHANDO DURANTE 
ESTA PEQUENA
JORNADA"



SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS:
Facebook: AQUI Instagram: AQUI YouTube: AQUI Twitter: AQUI
Sempre algo interessante
para contar!

Postar um comentário

23 Comentários

  1. Que obra linda,sou fã 😍

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seu carinho fortalece o meu trabalho, abraços!

      Excluir
  2. Amei seu trabalho!!! Vc é maravilhosa e muito inteligente!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, seu carinho faz toda diferença! Abraços 😘

      Excluir
  3. Boa tarde, muito lindo o texto 😍
    Ameiiiiii ❤️

    ResponderExcluir
  4. Texto lindo e muito emocionante!

    Uma leitura que nos faz refletir sobre nossas origens, nossa história e a força da ancestralidade. Parabéns pela sensibilidade e pela bela escrita!

    ResponderExcluir
  5. Muito bom 👍 Parabéns! Que bom se pudéssemos estar lá e ver nossos ancestrais em seu dia a dia. Apenas imaginamos já nos dá saudades deles sem conhecê-los pessoalmente. Gratidão por todos que me fizeram chegar aqui e ser o que sou🙏🙏🙏

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma grande emoção só de imaginar, abraços, tia querida.

      Excluir
  6. Que texto lindo e potente! A Josiane tem uma sensibilidade emocionante! Escreve e canta com maestria! Viva! 👏🏾📚❤️

    ResponderExcluir
  7. Parabéns pelo teu belo trabalho. Fazes a diferença ❤️🙏. Abraço fraterno amada amiga!

    ResponderExcluir
  8. Lindo texto!!! Aliás, todos são lindos. Parabéns,minha querida.

    ResponderExcluir
  9. Que tu sigas olhando pela janela da tua imaginação e nos presenteando com importantes escritas, sobre a valorização da nossa ancestralidade, que lamentavelmente muitos livros só contaram o lado que bem queriam tentando nos apagar.
    Mas, jamais conseguirão! ✊🏾
    E viva nossa ancestralidade. 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾

    ResponderExcluir
  10. Lindo demais esse poema

    ResponderExcluir
  11. @Glingybazarecultura7 de junho de 2026 às 11:23

    Que lindo!
    A vida é a janela!

    ResponderExcluir
  12. Trabalho lindo! Parabéns! Você merece muito!

    ResponderExcluir
  13. Belíssimo texto! Quanta sensibilidade... Parabéns, Josiane!

    ResponderExcluir
  14. Texto muito denso aliás como todos os seus textos,parabéns

    ResponderExcluir
  15. Que lindeza! Sucesso para essa nova janela, amiga!

    ResponderExcluir