Jorginho: Quando os quadrinhos e a leitura entraram em sua vida?
Glaucio Cardoso: Quando
criança, os quadrinhos foram fundamentais no meu processo de alfabetização. Meu
pai, mesmo não sendo um apreciador de HQs, costumava me dar quadrinhos para
ler.
Jorginho: Quando e como o Fantasma surgiu para você?
Glaucio Cardoso: Em
nossa casa havia um imenso cão pastor alemão chamado Capeto, o terror das bolas
e pipas dos garotos da vizinhança. Um dia perguntei a meu pai o porquê daquele
nome e ele me disse que era o nome do lobo do Fantasma. E me contou as
aventuras daquele incrível mascarado que, acredito, era o único personagem de
quadrinhos que ele realmente apreciava. Mais tarde, ele me trouxe um gibi do
Fantasma e aí foi amor à primeira leitura.
Jorginho: Quantas edições do Fantasma você possui e quais são as edições mais
importantes da sua coleção?
Glaucio Cardoso: Tenho em torno de 500 edições do Fantasma, entre
quadrinhos e livros, nacionais e importados. Das edições que possuo, destaco 3:
o Almanaque do Fantasma – 40 anos, publicado pela RGE em 1976, ano em
que nasci, e cuja capa é uma pintura de Walmir Amaral, que me deu a alegria de
autografá-la para mim. Também tem a Fantasma Especial #15, publicada pela Ed.
Globo em 1987, e que foi a minha primeira revista do personagem (a primeira
mesmo eu perdi junto com toda a minha antiga coleção anos atrás, esta é a que
repus). E finalmente, a The Phantom #1763, uma publicação australiana da
Editora Frew celebrando os 80 anos do Fantasma e na qual foi publicada uma
história de minha autoria.
Jorginho: Como surgiu a ideia do canal Fantasma Brasil e
como anda a jornada dele?
Glaucio Cardoso: Eu vinha
colaborando com o blog Fantasma Brasil, criado pelo Sabino, já há algum tempo,
com traduções das tiras diárias e dominicais do personagem, quando, no início
de 2017, percebi o quão pouco o Fantasma era lembrado em vídeos no youtube,
embora houvessem vários canais sobre quadrinhos. Depois de tentar convencer
alguns gibitubers a comentar mais sobre o assunto, sem sucesso, chegando mesmo
a receber como resposta de um deles que só comentava personagens com hipe e
relevância, resolvi então que eu mesmo faria um canal sobre o Fantasma. Pedi ao
Sabino para usar o nome do blog e começamos esse trabalho de divulgação e
preservação da história do primeiro herói mascarado dos quadrinhos.
É um canal
de nicho, claro. Mesmo assim temos tido um índice de visualizações e impacto
que chega a superar alguns canais estrangeiros sobre ele. Bons frutos têm vindo
do canal.
Jorginho: Qual a editora no Brasil teve o melhor tratamento dedicado ao
espírito-que-anda na sua opinião?
Glaucio Cardoso: É impossível falar da trajetória do Fantasma no
Brasil sem mencionar a RGE. Foi uma publicação não apenas longeva (de 1953 a
1986, quando assumiu o nome de Editora Globo), mas também diversificada: 8
títulos diferentes do Fantasma publicados ao mesmo tempo que seu título principal (com 371 edições), além de pelo menos 8 edições especiais e
álbum de figurinhas.
Depois de 1986, apenas uma editora apresentou um tratamento tão
respeitoso, chegando a superar as melhores edições da RGE: a editora Mythos,
que retomou o personagem em 2019.
Jorginho: Qual a linha cronológica adotada nos países em que o Fantasma é publicado
dele que você mais admira?
Glaucio Cardoso: Ah,
eu tenho uma predileção pelo material sueco. Eles conseguiram ampliar, e por
vezes consertar, o cânone criado por Lee Falk de uma forma incrível, rica e bem
estruturada. Além de mostrar o 21º Fantasma como um herói absurdamente
incrível, ainda exploraram os ancestrais dele e até mesmo os sucessores,
chegando a escrever histórias com o 31º da linhagem!
Jorginho: Na sua opinião, o que leva o Fantasma a ter essa
longevidade, esse apaixonamento dos fãs pelo personagem?
Glaucio Cardoso: É
difícil dizer. Há o fator nostalgia, evidentemente, mas também creio que existe
um senso de familiaridade e segurança. Como o personagem não faz parte de
universos como Marvel e DC, ele passou mais ou menos incólumes pelas crises e
reformulações que caracterizam os quadrinhos de um modo geral. Verdade que esse
isolamento também foi um tanto prejudicial para o Fantasma, que acabou perdendo
espaço para outros heróis de quadrinhos que nem sempre possuem um décimo de seu
carisma e riqueza narrativa.
Jorginho: Das adaptações que o personagem teve, seriado de cinema, filme para o
cinema, filme para a tv e o desenhos animados você mais gostou e qual a sua
opinião sobre eles?
Glaucio Cardoso: Das três adaptações em live action (1943, 1996 e 2010), a que
prefiro é a primeira, um seriado de cinema estrelado por Tom Tyler. Mas
confesso que ultimamente tenho visto o filme com Billy Zane (1996) sob outra
ótica, chegando a achar que envelheceu tão bem que é melhor hoje do que na época
de seu lançamento.
Já nas versões animadas, meu voto vai para o Fantasma de “Defensores da
Terra”, mesmo com todas as mudanças que fizeram.
Jorginho: O que você espera para o futuro do Fantasma?
Glaucio Cardoso: Espero
realmente que ele volte a ganhar espaço na mídia, e creio que esse processo já
está em andamento. Temos uma excelente série em quadrinhos licenciada pelo Mad
Cave Studios, um game disponível em várias plataformas e agora o anúncio de que
a Netflix será o serviço de streaming de um seriado dele. Torço para que isso
tire o personagem do nicho no qual ele se encontra e o traga para seu lugar de
direito no primeiro escalão dos heróis de quadrinhos reconhecíveis pelo grande
público.
Jorginho: Deixe sua mensagem para o leitor do Arte e Cultura.
Glaucio Cardoso: A leitura, a cultura e a arte são o caminho, minha gente. É preciso
insistir e persistir na crença de que palavras e ideias podem mudar o mundo ao
mudar os homens.
Carpe Diem, galera!
Vejo vocês por aí!
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| Com a lenda Walmir Amaral |
Para acompanhar o tabalho de Glaucio CardosoCanal Fantasma Brasil clique AQUI
Blog Fantasma Brasil clique AQUI
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Um dia perguntei a meu pai o porquê daquele nome e ele me disse que era o nome do lobo do Fantasma. E me contou as aventuras daquele incrível mascarado que, acredito, era o único personagem de quadrinhos que ele realmente apreciava. Mais tarde, ele me trouxe um gibi do Fantasma e aí foi amor à primeira leitura. - Gláucio Cardoso |
Dia 17 de fevereiro de 2026:
Fantasma 90 anos
1936 - 2026
Programação especial aqui no blog do Coletive, em breve cronograma do evento!
Confiram como está sendo a caminhada até este grande evento:
Direto ao Ponto GG clique AQUI
Dossiê Kobielski clique AQUI
Arte e Cultura com Dedy Edson AQUI
Jorginho é Pedagogo, Filósofo, graduando em Artes, com pós graduação em Artes na Educação Infantil, ilustrador com trabalhos publicados no Brasil e exterior, é agitador cultural, um dos membros fundadores do ColetiveArts, editor do site Coletive em Movimento, produtor do podcast Coletive Som - A voz da arte, já foi curador de exposições físicas e virtuais, organizou eventos geeks/nerds, é apaixonado por quadrinhos, literatura, rock n' rol e cinema. É ativista pela Doação de Órgãos e luta contra a Alienação Parental.
"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."
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1 Comentários
TUM.TUM.DUM.TUM.TUM.TA.TA.TUM
ResponderExcluir===≠===≠===≠===≠===≠===≠===
Além de tudo falado pelo Gláucio, grande fã e colecionador, comé spetacolare saber que o Fantasma é tão fantástico.
Causou-me um grande regozijo saber que há aventura do 31º. Fantasma.
G. G. CARSAN.