VERSOS AO VENTO

AOS OLHOS QUE ME  

ATRAVESSAM

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Capítulo II - Turma Perfeita 

1995, o Ensino Médio não havia chegado ao seu fim, a professora de química foi substituída por um outro cara que era concursado no Embrapa da cidade, achei uma droga! Foi a primeira vez na vida que havia entendido alguma coisa de química, a interpretar os elementos químicos e a fiaa da puta vai trepá com um muleque do 1º Ano do Ensino Médio afff... que porra! Agora tem outro no lugar que parece ser bom. Nosso professor de geografia ainda faz a gente decorar sessenta questões para prova e se errar uma vírgula de como está na resposta do livro do professor nem ele saberá corrigir o documento de nota, paciência! O professor de história é uma praga, vive pegando no meu pé aquele jacaré lazarento. A professora de Física é sensacional, ela sabe prender a atenção dos alunos na disciplina, sua metodologia é dinâmica e isso facilita a  aprendizagem. Adoro a disciplina de Matemática, mas o professor é outro ‘fdp’ lazarento, implicante jesuxxx.

Aiai... tenho maior respeito pela professora de Língua Portuguesa e Literatura, ela é calma para explicar a disciplina complexa, mas como adoro e tenho aptidão para as letras, torna-se fácil para mim. Incrível que nunca pensei  na dificuldade dos meus colegas de turma sobre as disciplinas que tenho facilidade, poderia existir instrutor aluno ou professor, ou mentor nas escolas para ensinar os colegas de uma forma diferente da didática do professor, pois geralmente o professor desta cidade sabe somente uma didática e não sai dela nem cum raio, desgraça! Eu pareço um ET nas aulas de Biologia, que raio de disciplina é essa que não usarei nunca na minha vida, estudar ciências no Ensino Fundamental era mais divertido, agora parece que tenho a obrigação de saber tudo quanto é coisa de laboratório, eu nem vou trabalhar nesse ramo da saúde e das plantações e muito menos ser veterinária para ter que estudar novamente os tipos de células pelo microzóio, que carai!

Eu poderia estar estudando coisas mais vantajosas para minha vida profissional no Ensino Médio, dentro da minha área de aptidão, mas não, esse governo fio duma égua só contrata as amebas verminosas para tratar dos assuntos importantes, cadê a metodologia de ensino? Cadê a dinâmica de sala de aula? Cadê um plano de estudo decente? Cadê os livros didáticos correspondentes as disciplinas apostiladas da Makenzing, Objetivo e Anglo, esses livros didáticos são uns repetecos da porra, uma encheção de linguiça de textos sem proveito aff...., acham que retirar OSPB e EMC (Educação Moral e Cívica) das estruturas curriculares vão salvar a juventude do país, são umas amebas mesmo, deviam era de todos voltarem para escola para sentir no lombo como é de fato. Mudam o currículo, cada partido que entra no governo troca tudo, como se estivessem salvando a quem? Estão é bagunçando tudo, que porra! Eu fico aqui pensando, que porra é essa que esse povo do MEC faz, ganham um salário de milionário e ferram com a vida dos estudantes, não usam as pesquisas científicas dos mestrandos e doutorandos, e ficam importando coisas de fora, que bando de ordinários sem noção, ao invés de aplicarem os estudos feitos no Brasil dentro do próprio país, não, não, não... caralhoooo... vão importar coisa de fora bando de preguiçosos oportunistas.

Respira, respira... respira... respira... 1... 2... 3... respira, não deixe o fato de ser professora aos 16 anos de idade Héle tomar conta do seu ‘eu’ adolescente e estudante... respira... respira.... 1, 2, 3, respira... ufa... pronto, passou. Não se assustem, eu falo comigo mesma, também falo com o narrador e com a personagem central, também replico as falas das outras personagens, é muito grande o arquivo, uma memória de elefante aqui dentro. Enfim, dentre tantas aventuras noturnas vividas com a melhor turma de todos os tempos, algumas comemorações não foram esquecidas, quase uma rotina na vida de quarenta e dois adolescentes entre 16 e 18 anos de idade. Uma turma da geração saúde, bem... quase isso, a bebida era presente nas festinhas, principalmente cerveja e vodka. Tudo bem que, confesso, já provei de tudo quanto é bebida, meu primeiro porre foi aos treze anos de idade, xiiiuuuu... não é pra espalhá desgrama, só nós saberemos. Hum. Xiuuu... cês fala baixo senão não poderei contar este episódio nas próximas páginas, xiu.

Enfim, as aulas eram no período noturno, muitos já trabalhavam durante o dia todo como eu, muitos praticavam algum esporte e disputavam campeonatos como eu e representavam ou cidade ou estado na minha turma do Ensino Médio, só três ou quatro que fumam tabaco, e as drogas? Bem, nunca vi não, que se sabe de quem curte era somente três, porém na cachaça, não se salva um! Sabe aquele ditado “éramos felizes e não sabíamos”, pois bem, tudo verdade, e olha… Não tinha um infeliz ali na turma que não trabalhasse desde os  15 anos, uns até mais cedo que os outros.

Indo para missão mais árdua do dia, estuuuudarrr… Help-me! Ninguém me ouviu? Socorrooo gente!? Alguém matando aula? Não!? Que absurdo isso! Uma afronta petentoscópica…. Cala boca Héle, você mesma é CDF, bom... é claro que o terceirão não teve pra quem na recuperação. Tem gente que sente tesão acertando as questões da prova, tirando 100 no boletim, é… também faço isso, mas Educação Física é interessante, vocês devem ter boa noção; a troca de roupa, some o uniforme padrão e eis que ressurge do Olimpo, roupas aconchegantes para facilitar a movimentação do corpo, ôôôhhh… e que movimentação! Faço qualquer cálculo de física, nas aulas de educação física, enquanto jogamos, ou enquanto os guris jogam. Primeira, “Lei da Inércia”, foi a primeira de Newton, o cara dizia que os corpos, véio... Quando nenhuma força era exercida sobre eles véééiiooo… Eles permaneciam em repouso véi do céu! Notável pensamento do cara, ainda completa com o movimento retilíneo uniforme, exemplo, eu dirigindo sem saber fazer isso, nossaaa siiinhooraaa.

Contudo, entretanto, todavia, 100% sei fazer a parte do repouso como ninguém, era até atraente esse momento. Depois de algumas partidas de vôlei, ficar sentada na pequena arquibancada da quadra, muita água, os meninos jogando e já tirando a camiseta, as meninas que estavam de top também. Caarraaccaaassss véio! É pior ficar parada, o capeta nem te incomoda, dá logo uma porrada na cara a cada saque; pois sim, 1,85 de pura gostosura, quatro gominhos de tanque bem definidos, atleta, pensaaaa…. Levantou a bola, correu, sacou... pá! Opa, apareceu mais um gominho sob aquela gota de suor  escorrendo, uma deltóide espetacular, bicípete braquial então, que que é isso senhooorrr! Doze no total, mas parecia só haver sete; o dicionário explica isso como atração, um divertimento, é… também acho; não obstante o sentido figurado distingue melhor a sensação de agora, como de atração no efeito de sedução, a indução do pensamento, o desencaminhar da imaginação por causa dos encantos, o despertar da admiração pelo corpo, o desejo.

Suada, boca seca, disfarça-se bem o tesão nessas horas. A professora gritou para entrar no jogo, putz…. Agora não, paçoca… Catabum de Nagasaki! Simbora, simbora, deixa eu pegar posição aqui. Genntiiiiii, vou ter uma síncope, assim não dá... concentração, tapa na cara, vamos. Pela frente e na esquerda grande reto do abdômen, moreno de clube, 1,87, sorriso largo, eita nóis; à frente, grande oblíquo do abdômen, 1,78 e todo riscado nos braços, olhos azuis, mordia os lábios, ahh papai, pá… peguei a bola de susto, concentração, vamos. 1,91 à direita, grande adutor, vasto interno e externo, envolvidos por um dragão de komodo, vermelho e laranja. Raios, o jogo poxa! No entanto, com uma tibial anterior larga desse jeito, cuja derme é cheia de sardas, faz o coração disparar na área dos fundos da quadra; sem contar com gastrocnêmio interno do sacador, ai senhor, ajudai na percepção temporal da bola que volta, afastai a visão mais bela dos atacantes de grandes glúteos.

Enfim, tô ferrada! Voltarei para casa com várias medalhadas, amanhecerei toda roxa, por final, toca o sinal, a aula acaba. Fico triste não, na outra semana tem mais, um flash a cada aula. A turma era perfeita, tudo era programado para que a maior parte dos alunos da turma pudessem estar juntos, compromissos com os estudos, saídas nos fins de semana, noitadas, e os inesquecíveis piqueniques nas Chácaras. A cidade deve ter uns 52 mil habitantes no momento, nem sei, esse senso do IBGE é atrasado cum caralho. Praticamente todos os domingos, tínhamos esses encontros fabulosos com os amigos. Tudo começou ainda no 1º Ano do Ensino Médio, um piquenique a cada dois meses, depois no 2º Ano um a cada mês, logo no Terceirão, a turma já tão unida, tanta afinidade, que se os pais deixassem era churrasco e goró todo fim de semana com essa galera.

Claro, as amizades foram se ampliando com outras turmas do mesmo colégio, e os domingos, ainda fantásticos. Manhãs e tardes de pura euforia, aqueles que eram acostumados com a lida da carne já iam para churrasqueira, outros colocavam as latinhas para gelar, quebravam o gelo e ajeitavam tudo em um isopor gigantesco; acostumados com a birita, cortavam limão, esmagava-os com uma porção de açúcar, e dá-lhe cachaça! E todos aproveitavam ao máximo o momento, ainda mais que sempre havia uma piscina enorme de lama barrenta em volta do quiosque, argila do fundo bem fria, dividia-se espaço com os peixes, mas com direito a trampulim de tábua, pronto… Farra, som, baralho e piadas. Meio da tarde os sóbrios ficavam de olho nos cachaceiros suicidas, mania que uns tem de afogar as mágoas literalmente. Insolação, jacaré, sucuri, perniloncópteros, vishhhh dá nada não! Catetos que me mordam, ohh povo bom é esse do Mato Grosso!

Notavelmente um domingo, contudo e por incrível que pareça, não tem piquenique; impressionante, só tem um clube na cidade, então, boa parte se viu, jogou bocha, sinuca e ping-pong, queimamo-nos mais um pouco, o tobogã então, 100% atração, gritaria do começo ao fim, maluco do céu! Um cai em cima do outro, essa molecada é fodástica, caraaacasss… Mais uma vez, e outra, mais trinta vezes, campeonato de mergulho agora, quem esparrama mais água. As meninas entravam no bolo sempre, muitos têm uma gana competitiva absurda. A noite já vem chegando, mas a energia, ahhhh essa parece acumulativa dia a dia; então, a galera combinou de se reunir mais tarde.

Início da noite, alguns sobreviventes começaram a chegar, barzinho, pizza, cerveja e boas prosas; de repente, do nada, pá… Bora no motel galera? O que? What? Cuma? Que isso, tá maluco? Ahhh pára mulher, o ano já tá acabando e nunca fizemos nada desse naipe. Não, não, explica isso direito. É pô, bora zuar um pouco, estamos no último ano e sei lá se vamos nos ver depois, bora gente!? Deixa eu ver aqui, não consegui nem pensar o povo já tinha pago a conta, eeeiiita, vamo né, amigo é amigo, se bem que alguns eram mais que amigos ali. O carro lotaaaddoooooo, gente saindo pela janela, cantando horrores, mal cabia o “s” de horrores. Bem, chegamos, calem a boca, bando de mequetrefes! Chitiuuuu…. Olha a CDF falando. Cala boca jumento, não tá vendo que se tiver bagunça ninguém entra. Chiiiii suas amebas! Silêncio agora. Não respira! Depois de 30 segundos, pronto…. Podem respirar agora. Rachei, tinha gente segurando o fôlego de verdade, que lerdo!

Abra te sésamo… E assim se fez, atrás da porta uma cama redonda, putz… porque ninguém tem cama redonda em casa? Primeira forma de observar os padrões da vida convencional. Será que cama redonda sugere sacanagem, e por isso todo mundo, praticamente, tem cama quadrada em casa? Que povo que pensa quadrado cruzesssss… A gurizada tá virado o tocha, vasculhando cada centímetro do quarto, frigobar com natu uiiiiii, já foi. Pronto, descobriram a banheira, ligando, enchendo em 1, 2, 3…. Sabia. Pentelho do Caetano já se jogou na água, Elis e Vinícius também, só farra. Sonzeira, eu só observo, porque observar é a melhor parte, participar também, como nas aulas de educação física sabe, uma hora alguém vai arrancar a roupa, certeza. O jogo de truco na cama redonda até que tá massa, o natu é ruim pra cacete, a banheira já tá cheia, de repente uma calça voadora encharcada que vem e pááá, acerta as costa da Regina. Ahhh fiaaa.... Não deu nem tempo, lá vem uma blusa e outra, cueca, saia, o trem bagunçou. Regina partiu pra banheira, guerra tava armada, a porta do banheiro se fechou. Yo y a armação ilimitada ainda no truco patifaria, ganha não pra vê rhum, era menos uma peça de roupa.

O bom que no baralho era boa até trançando as pernas das cachaçadas, mesmo assim tava na hora de uma trégua, sequei aquele natus dos infernos de ruim vishh, o sofá tá me chamando galera fui, se alguém me deixar aqui eu juro que não faço delação premiada pra ninguém nem com reza. Renato foi pro banheiro, precisava chamar o juca, invocou-o com todas as forças abdominais… do sofá, com os olhos fechados, ouvia bem sua invocação. Começou um bate “As” da pega na cama, fiquei só de espreita, queria ver até onde esses trouxas iriam, uma hora rolaria algo, estava sacando, Marisa não deixaria ser derrotada por nada, Antônio Carlos que aguarde, já já ele é pego de surpresa, aiii minha cabeça. Renato saiu, deixou a porta do banheiro escancarada, ohh viado…. Fecha essa porta porra! Vai toma no cú, fecha você. Renato mostrou uns duzentos dedos  para Caetano.

Renato capotou na cama, não deu dois segundos e apagou. Caetano saiu da banheira semi-pelado, jhézzzzuuuiisssss, respira fundo, você está parcialmente dormindo; impossível, Caetano era um tesão, faixa preta de karatê, braço grande, perna grande, bunda grande, tudo grande senhor. Não dá, não dá, não dá…. Dá sim, abri o olho direito e ergui o pescoço, já que estamos na chuva, guardaremos memórias juntos. Mal levantei, Caetano vai até Renato e lhe arranca a bermuda, deixa-o de bunda de fora, e que bumbum lindo, marcadinho de sol, sem nenhum pelinho à vista, lisinho. Olha a mente miraculosa pensando sozinha, será que é lisinho na frente? Incrível essa quebra de raciocínio…. Tento, mas o pensamento criativo e absurdamente curioso dá um salto gigantesco, pula no fundo do abismo fazendo curva e mostra a língua para o Papaléguas. De longe, semi derrotada no sofá, sentia o rumo da noite tomar outros ares. Renato incapacitado e eu semi desidratada, não éramos problemas para eles.

Sozinhos, entre aspas, Marisa e Antônio Carlos cansaram de inventar desculpas para não parar de jogar, deitaram na cama, ele esparramou os braços  e ela se acomodou em um deles; ambos já estavam praticamente nus, amigos de longas datas, parceiros de gargalhadas e armações, mas nunca haviam se olhado dessa forma, com carinho extremo, com desejo singelo, ambos se aproximaram mais, ele pôs-se parcialmente sobre ela, tirou o cabelo de seu rosto, passou o dedo em sua boca e a beijou; logo pensei, taí… um amor novo, marcante pelo momento, e que provavelmente vai durar um bom tempo. Estava ficando boa nessa arte, a arte de observar, vivendo as sinestesias dos detalhes, experimentado sensações sem tê-las por prática, mas ainda sim, não posso dizer que não as vivi.

As gargalhadas do banheiro eram hilárias, dava vontade de levantar a carcaça e me jogar; mas ainda não era o momento, o nascimento de algo especial era mais atraente a esta observadora principiante. Um longo beijo passional, movido pela paixão, causando-lhes comportamentos desprovidos de razão, no impulso do desejo carnal. A mão escorregou na alça do sutiã de rendas floridas de Marisa, os beijos de Carlos também escorregavam por toda face dela, mordendo-lhe suavemente o queixo, descendo em suaves beijos, na medida em que o tempo permeava a conquista dos seios rosados dela. Queria ver mais pelas brechas das festas secretas contadas pelos feromônios, nas ruas escuras e agitadas, em cenas intensas e impulsivas, a língua silenciava os gritos nos olhos secos. Deixei meus olhos testemunharem a força e a masculinidade, a boca explorar o corpo causando arrepios. Permiti que o som da cama rangendo atravessasse a mente inerte, entregando-se a sensações profundamente estranhas.

Tomada por uma febril vontade, ela pede, ele maduro, abre um sorriso de canto a olhando intensamente, entendia sua ansiedade, afobação e a desarma a escorregar umidamente a boca por seu abdômen. Carlos aproveita o momento mágico, era o que percebia quando observava como conduzia suas ações e tratava de sua fêmea. Ela sedenta, eufórica, incontrolável ao contraponto de Carlos, doce, sereno, capaz de fazê-la elevar os gemidos no tom que queria ao ponto de suspendê-los quando bem quisesse. E a porra do Renato desmaiado de bruços na cama, todo nuzinho e eu nem forças tinha para aprontar com ele, com certeza pintaria ele com pasta de dente fioo da peste. Enquanto o casal ao lado, ela, assim desprotegida, completamente envolvida pela paisagem bonita, pela alegria assustadora dos olhares ansiosos, foi surpreendentemente agradável descobrir o líquido escorregadio que surgiu entre as pernas, sem entender completamente, e perceber na cena a intensidade da necessidade do corpo em crescente. Seguindo em frente, como um remo que continua tocando a água, impulsionando sua força, os altos e baixos do orgasmo.

Doce, doce, é o prazer, a eles, o casal, a satisfação plena, imensurável, como o tocar da língua do sexo; a mim, o sabor da visita, da bela vista, do presenciar incalculável do poder ver e molhar a calcinha somente. Deveria? Será que a inocência poderia existir sem paixão? Sem o desejo avassalador, como um fogo que queima? Talvez... Talvez a garota se torne uma observadora compulsiva; e quando perceber outros detalhes, como as mãos trêmulas, a saliva em excesso, as mãos geladas no calor da pele suada, entenderia que a calma era frágil e que nada seria como antes. Enquanto não olhava, não entendia, não sabia, mas agora, os olhos secos ficavam fixos, incapazes de desviar... Quero ver até o fim, geme enfim, o gozo do incêndio e abranda.

Precisava levantar-me de súbito. Desculpa aí pessoal, não se mexam, não tô vendo nada, preciso fazer xixi. Renato capotado coitado, está perdendo toda cena. Adentro no banheiro, vou desabotoando, bexiga cheia aiiii. Óiaaaaa elaaaaa, eita esqueci, dá pra fazer um mergulho de meia hora por favor? Dá não, ahh para, já vi isso em pleno fim de exposição, vai dizer que esqueceu? Claro que não bocoió, mas não tava pelada, de saia e travada (bêbaça) é mais fácil agachar e mijar na terra pô; mergulha aí vai, pronto, sentei… ahhh que alívio, ahhh Caetano, pô… Vinícius! Pô digo eu, xixi de litro isso? Tem fôlego pra isso não nêga, bora…. Caminha pra cá, água tá quentinha disse Vini. Fecha os zóioss seus fiote de cruz credo; entrei, e não é que estava bom mesmo! E já fui perguntando, e aí, que que tá rolando aqui? Caetano, atentado de nascença, já foi abrindo verbo; olha, eu e Vini ficamos de prosa, relembrando as proezas dos velhos  tempos. Que velhos tempos seu troxa, você só tem dezessete mané. Cala a boca pentelha, tô contando, você não perguntou horas.

Tá… vai lá. Então, no começo era só piada, histórias e natus… Putz, aquele trem ruim, eu tô anestesiada até agora. Pois bem, então, de repente as meninas começam a se pega na nossa frente, vê se isso tem cabimento!? Não tem lógica!? Tô Puto! Uéé, não gostou? Tá brincando!? É lógico que gostamos, amamos na verdade; coisa mais linda do mundo é ver duas gatas se pegando, ao vivo ainda, meu deusssss… E vocês fizeram o que, se pegaram também? Rachei na gargalhada agora. Dããrrrr… sua lerda, claro que não, batemos punheta embaixo da água, imagina. Ahhhhh que horrorrr…. Tô melecada de porra agora, seus vermes idiotas. Bora sair meninas, chuveiro e casa. Já deu por hoje. Calminha aí, não são nem meia noite. Por isso mesmo, já deu né Caetano, amanhã todos nós trabalhamos cedo, e tem aula à noite, matemática nas primeiras aulas, afff… que  porre!

Bora então. Todos estão se aprumando no momento para a partida. E aí!? Quem vai vestir o Renato agora? Eu não, não, não. Ahhh qual é gente, vão levar ele pelado? E quem disse que vou levar diz Vinícius. Ahhh seu azedo, deixa que eu visto o moleque. Simbora turma, a noite foi realmente inesquecível, e sabe por quê? Ahhh não vai dizer que Marisa e Carlos transaram e a gente perdeu!? Ããã, também, mas não é só por isso. Ah não, puta que pariu, perdemos isso!? Você tava vendo? Que isso pessoal, foi só uns flashes. Bom, mas na verdade, a noite foi mega cool. Simbora meu povo que ainda tenho que deitar a cabeça no travesseiro e sonhar.

Uma caixa vazia pode ser preenchida com histórias, mesmo sem guarda-roupa. Desejos selvagens de quebrar regras surgem ao amanhecer. Como seria sentir o cheiro de algo sendo consumido com ansiedade, seja em becos escuros ou em camas macias? Se soubéssemos aos 16 anos, na verdade quase dezessete,  não seria incrível saber como persuadir nossos sentidos? Sentir a textura das peras e da rola rosadas, o toque e o calor de outra pessoa, mesmo sob a chuva, enquanto fechamos os olhos lentamente e deixo o vestido cair. Não sei como será o futuro de nenhum de nós, planejamos, mas o destino toma posse das ações de súbito. Só compreendo que viver requer saber viver, que toda vida desregrada demorará a se achar em si, mas que coisas boas podem surgir do nada, nem sempre é assim, mas tenho talvez sorte em ter amigos.

Noutro dia, que milagre! Ninguém de ressaca, trabalhar estava legal demais, parece que sou outra pessoa quando estou exercendo meu lado profissional aos dezesseis anos, eu tento seguir os passos dos exemplos que tenho pelo menos neste aspecto, cumprir com os horários e exercer a ética profissional, era eu uma profe legal, dava aula de educação física, estava substituindo uma professora efetiva que estava a trabalhar em outro lugar, eu também era professora de língua portuguesa e quebrava um galho na biblioteca, no clube do livro e em outras aulas quando alguns professores faltavam. Não vejo a hora de chegar na aula de noite para rever os amigos e contar lorotas.

Chegando na escola dou de cara com Renato, ele me agradeceu por ter cuidado dele, eu disse: de nada Re, não me custou nada, se bem que os meninos queriam levar você pelado hahaha... eu até que pensei na cara da tua mãe quando você entrasse em casa rsss... mas aí, sei lá, pensei e se fosse eu, então, meu pensamento se desviou e fui te vestir, fique tranquilo que só vimos seu bumbum bonito e nada mais. Renato ficou todo vermelhinho, até que ele é uma gracinha. Mas eu era xonadinha no Clo essa época, nem rolaria. Héle, Héle... Que foi Paula? O professor de química foi demitido. Caímos na risada. Eu comecei a  rir sem parar, que disgrama da muléstia sô... ética do cão affff, que porra, ahahahahah... tenho que dar uma pausa do terceirão, senão... vamos afundar nessa NAU... vejo você na facu Paula!

Uai, mas você não pegou PF em duas matérias? Peguei sim Paula, mas vou engolir essa disciplina anual, ridículo os professores e a instituição autorizar que o aluno tenha somente dois dias para estudar a matéria de uma ano inteiro para uma prova. Estou parva! Par.. o que? Parva Paula... parva! É o mesmo que “boquiaberto” na música de Chico Buarque. Ah tá, foi só um lapso... boa sorte na prova final nesta sexta-feira! Valeu Paula. Simbora pra facuuuu...




CONTINUA NA PRÓXIMA QUARTA...

Andréia Kmita


Andréia Kmita é natural de Campo Mourão - Paraná (25/04/1977), região Sul do Brasil, migrou com a família de ascendência italiana e ucraniana para o Norte do país. Docente na Educação Básica (Ensino Médio) na SEDUC/MT desde 1992. Graduada em "Letras"(1999/FADAF). Mestre em Literatura e Crítica Literária (2018/PUCSP). Pós-graduada em “Psicologia e Coach” (2020/Faculdade Metropolitana de Ribeirão Preto - SP). Em 2021 cursou “Terapia Cognitivo-Comportamental: Princípios Teóricos e Epistemológicos” e “Introdução a Psicanálise Freudiana” no Portal de Psicologia (in)Formação. Fez parte de grupos de pesquisa na PUC-SP sobre poesia e crítica literária em 2015 e 2016. Integrou o grupo de pesquisa da Profa. Dra. Telê Ancona Lopez USP (FFLCH) 2015/2016/2017 sobre o “Trabalho do Crítico”. Atuou como Coordenadora Pedagógica na escola especializada em Educação no Sistema Prisional de Mato Grosso de 2019 a 2020, onde escreveu documentos de suma importância para o Estado de Mato Grosso no segmento educacional PPL (Privados de Liberdade). Em 2021, iniciou o Doutoramento na FLUC (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) em Línguas Modernas: Culturas, Literatura e Tradução. É Poetisa, escreve contos e roteiros de curtas, escritora de projetos políticos educacionais e culturais. 

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVEARTS, 07 ANOS DE VIDA,
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1 Comentários

  1. Interessante, devido às disciplinas que não traziam algo específico para um futuro médico, engenheiro, jogador de futebol, piloto... Sempre me questionei quanto à isso. Felizmente nesta época (1995) fazia Faculdade de Letras, mas sempre odiei Matemática e nunca me importei com notas boas ou ruins. Decorava, não aprendia. O aprendizado veio com o tempo. Se um Professor me dissesse que 2 + 2 são 5, eu acreditava. Não era minha área, mas se alguém falasse errado ou escrevesse de mesma forma, era como pisar no meu calo. Hoje a coisa mudou, mas quem estudava no século XX era de desestruturar o psicológico. Muito bom o texto. Vou ler o anterior.

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