

Fantasma, o espírito-que-anda, personagem criado por Lee Falk, está completando 90 anos de publicação no dia 17 de fevereiro e o ColetiveArts, junto com o grupo Fantasma, o Espírito-Que-Anda e com o canal Fantasma Brasil, estão organizando um evento comemorativo para festejar o aniversário deste herói que é imortal.
Prosseguindo a nossa jornada rumo a esta data comemorativa tão importante para nós que amamos os quadrinhos do Fantasma, fomos conversar com Fábio Ramiro Fuhr, colecionador e fã do personagem, que é colaborador deste movimento em homenagem ao Fantasma e é um dos administradores do grupo Fantasma, o Espírito-Que-Anda .
| Universal em Islands Resort, Orlando |
Jorginho: Quem é o Fabio? Como você se define?
Fábio Ramiro Fuhr: Antes de mais nada, me considero um cara simples, porém com uma quantidade talvez até exagerada de hobbies, interesses e predileções.
Nasci nos anos 70 e “despertei” para o mundo nos 80, ou seja em uma época de efervescência cultural gigantesca, novas tendências, novas mídias…
Então poderia me considerar um produto desse meio.
Gosto desde música, cinema, televisão, literatura, esportes até geografia, história, viagens, conhecer novos lugares e países… e, claro, quadrinhos!
Ler e colecionar gibis foi com certeza meu primeiro hobby, aliás aprendi a ler com eles devido à imensa coleção de gibis que meu tio,irmão do meu pai e meu padrinho possuía.
E daí a coisa andou de um jeito que nunca mais parou como se é de imaginar ( apenas ficou “adormecido” por alguns anos… ).
| Primeira aparição do Fantasma no Brasil nas páginas da Gazetinha 02/12/1936, no mesmo ano em que o Espírito-Que-Anda foi criado |
Jorginho: Quando os quadrinhos e a leitura entraram em sua vida?
Fábio Ramiro Fuhr: Como já antecipei, foi aos 5 anos que aprendi a ler, justamente com os gibis do meu tio. Em primeiro lugar foram os Disney ( eu adorava Tio Patinhas, Pato Donald e os Sobrinhos do Carl Barks!! ) e claro que haviam também Gasparzinho, Lelo, Luluzinha, Bolinha, Mônica e turma, Smurfs… esses foram meus primeiros professores.
| Com Walmir Amaral, Rio de Janeiro,Brasil |
Jorginho: Quando e como o Fantasma surgiu para você?
Fábio Ramiro Fuhr: Corta de 1977 ( 5 anos ) para fins de 79/ início de 80 ( 8 anos ).
Entro em um galpão/ depósito no meio da propriedade da família ( onde anos depois até acabei morando ) e me deparo com gibis ( muitos ) espalhados pelo chão de cimento cru… maioria formatão RGE… Big Ben Bolt com uma capa emulando gladiadores ( sempre adorei gladiadores, soldados, guerreiros ), tenho fixa essa imagem desse dia, acho que esse foi o primeiro gibi que vi.
Mandrake talvez, outros também e no meio vários de um personagem que nunca tinha ouvido falar ou visto.
O Fantasma!
Junto todos do mesmo, organizo em ordem numérica e me descambo a ler.
Pronto. Estrago feito.
Esse seguramente foi o dia em que me tornei um fã incondicional do Espírito-Que-Anda para todo o sempre!
Print
da arte de divulgação para a emblemática história do Casamento do Fantasma de
1977, autografada por Sy Barry e também
pelo seu assistente Andre Le Blanc |
Jorginho: Quantas edições do Fantasma você possui e quais são as edições mais importantes da sua coleção?
Fábio Ramiro Fuhr: Nossa. Realmente não sei dizer quantas revistas tenho porque nunca fiz esse levantamento, nunca me preocupei com isso.
O que posso sim afirmar é que sou daquele tipo de fãs/ colecionadores completistas, ou seja quero ter tudo que já saiu do personagem ( em termos de Brasil me refiro ), não importa se a edição é a mesma com outra capa, se as histórias são repetidas ou se ja foram publicadas várias vezes…
Tenho quase tudo do que saiu pela RGE, Globo, Ebal, Saber, Ópera Graphica, Pixel, Mythos, também Suplementos do Globo Juvenil, Gazetinha, edições especiais…
Além disso também tenho exemplares americanos, escandinavos, italianos, espanhóis, franceses, australianos, argentinos…
Ultimamente estou focando também nos encadernados em ordem sequencial que estão saindo nos Estados Unidos pela Hermes Press e na Espanha pela Dolmen Editorial ( de Barcelona ).
Tudo muito lindo!
Fazendo uma estimativa por cima acho que mais de mil… ( também tenho muita coisa duplicada ).
Quanto a itens importantes, creio ser relativo isso, poderia diferenciar entre os raros e entre os importantes PARA MIM.
Raros não poderiam deixar de ser os dois volumes do Correio Universal de 1937 ( O Fantasma Voador” e “Os Piratas do Céo” ); a coleção dos Suplementos da Gazetinha ( onde está a “primeira aparição do Fantasma no Brasil”, em 02.12.1936, assunto ainda algo controverso ), o álbum da Ebal de 1948 “Justiça no Deserto”; a Fantasma Magazine número 1 de 1953…
E importantes para mim sem sombra de dúvidas são o tijolinho “O Fantasma Voador”, de 1939, que herdei e que possui a assinatura do meu pai; o Fantasma Magazine 47 de 1960, pois era o número mais baixo que encontrei no dito galpão, ele possui a assinatura do meu tio ( também padrinho ) Norberto na capa, e o qual eu considero simplesmente o “marco zero” da minha coleção, ali começou tudo para mim…!
Ainda, o Fantasma Magazine 104 com a “História da Patrulha da Selva”, uma das minhas prediletas de todos os tempos e que está autografada por Sy Barry; o Almanaque dos 40 anos do Fantasma ( 1976 ) pois está autografada pelo autor da antológica capa, o grande Walmir Amaral!
Citaria também o Fantasma 311 de 1981, pois simplesmente foi o primeiro gibi do personagem que EU comprei em uma banca, mas infelizmente esse exemplar não está mais comigo. Coisas da vida…
| Página dominical desenhada por Sy Barry em 1971 |
Jorginho: Quantos souvenirs dedicados ao personagem você tem e quais os mais diferentes você possui?
Fábio Ramiro Fuhr: Bah. Outra pergunta difícil de responder com precisão, nunca contei!
Tenho tanta coisa… artes originais, comissions, cards, figurinhas, action figures, estátuas, Funcko Pop, brinquedos, adesivos, bonequinhos, anéis, moedas, canecas, copos, canetas, lanternas, sacolas, camisetas, fanzines, carrinhos, Hot Wheels, correspondência de amigos fãs, prints autografados, memorabilia…
Deve passar de 200 itens, talvez próximo a 300…
Diferentes talvez sejam a miniatura de caveira onde dentro vem os anéis da caveira e da marca do bem ( Ikon Collectables, Austrália ) e também a Action do Fantasma com o uniforme em cor verde, ele em posição inclinada para trás disparando suas pistolas e Capeto eriçado em posição de ataque. Também da Ikon.
Ah, também os itens que comprei em uma escola de mergulho de Playa del Carmen ( México ) que se chama “Phantom Divers”, mergulhadores fantasma. São copos, canecas, copos para “shot”, adesivos, camisas… tudo com o Fantasma no logo.
Isso foi um achado casual e pra lá de inusitado!!
| Arte comissionada |
Jorginho: Num ranking rápido, quais as dez melhores histórias do Fantasma?
Fábio Ramiro Fuhr: A História da Patrulha da Selva, Falk & Barry, 1964/5
O Mercado de Escravos de Mucar, Falk & Barry, 1961
O Segredo da Ilha dos Cães, Falk & Barry, 1963
A Feiticeira de Hanta, Falk & Barry, 1965
Samaris ( Queen Samaris ), Falk & Bill Lignante, 1961/2
Os Tambores de Bongo ( The Drummer of Timpeni ) Falk & Barry, 1963/4
O Gladiador, Falk & Barry, 1969/70
O Fantasma Vai a Guerra, Falk, Moore & McCoy, 1942/3
O Mistério do Menino Branco ( Litlle Toma ), Falk & Moore, 1937/8
O Ídolo Macaco de Durugu, Falk & McCoy, 1950
Mas excetuando umas 5 daí, seriam tantas outras que poderiam facilmente entrar nessa lista… as duas primeiras ( Mucar e Patrulha da Selva ) sempre encabeçarão a lista!! ).
| Pintura da icônica primeira Patrulha da Selva |
Jorginho: Qual a editora no Brasil teve o melhor tratamento dedicado ao espirito-que-anda na sua opinião?
Fábio Ramiro Fuhr: RGE. Ponto final e definitivo.
| Uma das edições especiais marcantes que a RGE publicou |
Jorginho: Qual a linha cronológica adotada nos países em que o Fantasma é publicado dele que você mais admira?
Fábio Ramiro Fuhr: Sempre o original americano das tiras de jornal.
Jorginho: Na sua opinião, o que leva o Fantasma a ter essa longevidade, esse apaixonamento dos fãs pelo personagem?
Fábio Ramiro Fuhr: É um personagem sui generis, único, one-of-a-kind.
Não tem, nem de longe, nenhum igual, nada que se equipare.
Crédito muito ao pioneirismo do personagem e à toda rica e maravilhosa mitologia criada por Lee Falk, mesmo que com tantas contradições e variações ao longo dos anos.
E até acredito que também isso acrescenta um charme a mais ao herói.
Ainda, tudo sem estar interligado a um “universo” de personagens como os Marvel e DC.
Não é para qualquer um.
E nunca haverá outro sequer parecido.
| Com Sy Barry |
| Com Keith Willians em seu estúdio no Brooklin, US |
| Com Antonio Lemos em Artigas, Uruguay |
| Sy Barry, Jaime Diaz e Pete Klaus, dois ávidos colecionadores do Phantom |
Jorginho: Das adaptações que o personagem teve, seriado de cinema, filme para o cinema, filme para a tv e o desenhos animados você mais gostou e qual a sua opinião sobre eles?
Fábio Ramiro Fuhr: Sinceramente, nenhuma dessas adaptações para outras mídias foi de longe fiel aos quadrinhos, então para mim o mérito maior dessas aparições foi o de tentar e de certa forma lograr levar o personagem ao alcance e conhecimento de um número mais amplo de pessoas que não apenas os aficcionados por quadrinhos.
Porém o que todo fã gostaria é de ver adaptações fiéis, e acho que isso é quase uma unanimidade…
Se fosse para escolher, ficaria com os Defensores da Terra, pela originalidade e inovação, reunindo os maiores expoentes do King Features em algo singular.
Já o filme de 96 entra naquela categoria de por não ser bom, acaba virando bom, um cult.
E eu prefiro que ele tenha sido feito do que se nunca tivessem tentado nada.
| Louis Manna, Sy Barry, e Keith Willians, restaurante Sardi's, New York |
| Com Sy Barry |
| Bate papo e descontração com Walmir Amaral |
Jorginho: O que você espera para o futuro do Fantasma?
Fábio Ramiro Fuhr: Espero para o futuro que o Fantasma honre sua tradição e trajetória e seja simplesmente IMORTAL.
Que siga angariando novos fãs, mantenha o interesse junto aos antigos e que seus criadores façam roteiros e artes de alto nível.
Que após os 90 anos, vire os 100, 110, 120… sempre sendo publicado e com qualidade.
E acredito que o King Features fará de tudo para manter viva a verdadeira joia da sua galeria de tantos personagens clássicos.
É simplesmente a tira de aventura mais longeva da história, os demais já ficaram todos pelo caminho.
| "O Fantasma tem muitos amigos", arte de Lou Manna |
| Arte de Antonio Lemos |
Jorginho: Deixe sua mensagem para o leitor do Arte e Cultura
Fábio Ramiro Fuhr: Arte e Cultura. Nome forte.
Para mim, duas das manifestações humanas que sempre permearam minha vida, deveria estar nas prioridades de todos.
Gostaria de parabenizar o coletivo pela excelente iniciativa nessa homenagem fantástica ao nosso herói, em data tão marcante, e desejar que tenha vida longa como o nosso querido personagem.
Aos que leem, se ainda não conhecem as aventuras do Espírito-Que-Anda, vão atrás - não irão se arrepender.
Se já o conhecem, tenho a certeza que são fãs em maior ou menor grau. É impossível não se apaixonar e se deixar levar pelo Fantasma.
A melhor tira de quadrinhos do mundo desde 17 de fevereiro de 1936
| Arte de Lutz, contra-capa de Fantasma Magazine n°1, RGE, 1953 |
Fábio Ramiro Fuhr
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1936 - 2026 Programação especial aqui no blog do Coletive, em breve cronograma do evento! Confiram como está sendo a caminhada até o grande dia: Direto ao Ponto GG clique AQUI Dossiê Kobielski clique AQUI Arte e Cultura com Dedy Edson AQUI Arte e Cultura com Glaucio Cardoso (Canal Fantasma Brasil) AQUI Arte e Cultura com Fabio Alves (ilustrador do Fantasma) AQUI Arte e Cultura com Sabino (editor do blog Fantasma Brasil) AQUI Arte e Cultura com Murilo Almeida (cosplayer do Fantasma) AQUI Arte e Cultura com Higor Lopes (Editora Mythos) AQUI Arte e Cultura com Jeff Weigel (ilustrador do Fantasma) AQUI Arte e Cultura com Louis Manna (ilustrador do Fantasma) AQUI Arte e Cultura com Mikael Bergkvist (escritor e ilustrador do Fantasma) AQUI Arte e Cultura com Pete Klaus (o maior colecionador do Fantasma do mundo) AQUI Fantasma 90 anos é um evento do ColetiveArts em parceria com o grupo Fantasma - o espírito que anda (face) e com o canal Fantasma Brasil (YouTube) |
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Jorginho é Pedagogo, Filósofo, graduando em Artes, com pós graduação em Artes na Educação Infantil, ilustrador com trabalhos publicados no Brasil e exterior, é agitador cultural, um dos membros fundadores do ColetiveArts, editor do site Coletive em Movimento, produtor do podcast Coletive Som - A voz da arte, já foi curador de exposições físicas e virtuais, organizou eventos geeks/nerds, é apaixonado por quadrinhos, literatura, rock n' rol e cinema. É ativista pela Doação de Órgãos e luta contra a Alienação Parental. "Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." |




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