
Depravação dos Super seres
A saga é, sem dúvida, um soco no estômago e uma das críticas mais brutais já feitas ao gênero de super-heróis. O roteiro de Ennis é implacável, movido por uma raiva contida contra a hipocrisia corporativa e a santificação de figuras públicas. O aspecto "pesado" não está apenas na violência gráfica e sexual (que é abundante e explícita), mas na forma como Ennis desmantela a ideia do herói moralmente correto. Ele força o leitor a confrontar o que acontece quando pessoas com poder divino são criadas, controladas e vendidas como produtos por uma grande corporação como a Vought. A narrativa é muito mais niilista e cínica que a série da Amazon.

A arte de Darick Robertson é perfeita para essa história. É crua, detalhada e não se esquiva de nada. O estilo dele reforça a sujeira e o realismo sujo que Ennis tenta impor ao mundo dos super-heróis. Enquanto a série da Amazon, por vezes, suaviza o impacto visual para se adequar ao horário de exibição, a HQ é descaradamente feia quando precisa ser, e essa estética visual é essencial para a mensagem da obra.

A comparação com a série do Amazon Prime é inevitável. A série faz um excelente trabalho ao capturar o espírito satírico e a dinâmica entre Butcher e Hughie, mas, por necessidade de formato e audiência, ela tende a ser mais acessível. A HQ é mais extrema, mais focada na política suja por trás das câmeras e na total depravação dos Super seres. Onde a série foca no drama, a HQ foca no choque e na crítica social mais ácida. Se você gosta da série, a HQ é uma leitura obrigatória para entender de onde veio toda essa loucura.
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| Garth Ennis |
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| Sandman |
Sandman é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.




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