O que temos de igual são nossas diferenças - ou - Eles dividem para nos enfraquecer - ou - Eu não faço parte

Parto
sempre do princípio que cada ser humano é único e diverso. "Cada um é um
universo", já dizia aquele som do Cólera. Isso, sem falar nas várias
situações a que se é exposto no decorrer da vida e que influenciam diretamente
em nosso comportamento, visão de mundo... e tudo o mais. Por isso, mesmo quando
encontramos alguém muito parecido, com o tempo começamos a observar pequenas
diferenças aqui e ali. Igual, ninguém é. Necessidades diferentes, reações
diferentes, interpretações diferentes, desejos diferentes, habilidades
diferentes, gostos diferentes... "Cada um é um universo".
Mas
o sistema precisa que todos pensem igual, repitam as mesmas palavras, gostem
das mesmas coisas... As técnicas de adestramento, controle de comportamento,
manipulação do pensamento e dos sentimentos... Tudo vai sendo cuidadosamente
implantado. Ideias prontas, falsas necessidades, ilusões, mentiras bizarras...
injetadas cuidadosamente através das técnicas de controle, entretenimento,
publicidade, moda e com o esvaziamento do sentido que as coisas, fatos e tudo o
mais que nos cerca deveria ter. Tudo deve ser uniformizado. Todos presos nas
gaiolas invisíveis, nas grades do medo, nas correntes da hipocrisia. Buscando
bengalas que cubram o vazio que os consome. Não existe o que dê conta, pois, no
fundo, sabem que os argumentos não se sustentam, que a verdade não está nas
palavras que repete mecanicamente, sem a menor reflexão sobre, tentando se
hipnotizar. Convencer a si mesmo que as mentiras são verdades só para se manter
na zona de conforto, em sua caixinha... bem seguro, limitado, preso, escravo...
A segurança de uma escravidão travestida de liberdade. O conforto de estar encaixotado,
pertencendo a normalidade que te castra.
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Agora
você foi aceito, tem o carimbo de aprovação e, quem sabe, vai receber o selo de
qualidade. Chegar lá é a miragem. Uma vida dedicada a fazer parte do seleto
grupo dos "bem sucedidos" - Seja lá o que isso quer dizer. Basta
abrir mão de sua individualidade, da sua consciência, do seu caráter... abrir
mão de ser autêntico, de ser você... abrir mão da poesia, da literatura... das
artes como um todo, não sentir. Ao menor sinal de personalidade, você será
julgado e condenado, excluído, cuspido, desprezado, achincalhado.
Eu
não quero fazer parte de nada que me é oferecido por essa sociedade grotesca e
absurda. Viro as costas para suas oportunidades e me oponho às suas falsas
verdades. Não quero compor o triste quadro social. Não deixei que me
transformassem em um bloco de gelo. Não quero aderir a tamanha crueldade. Seu
perfume fede, sua beleza é feia e artificial, suas verdades puras maquiagem
encobrindo montanhas de mentiras. Mentira, mentira, mentira... Quantas vezes
ainda terei de escrever esta palavra por aqui. O preço a pagar é barato e vale
a pena se comparado a me tornar um zumbi.

Com
o tempo fui encontrando outros com a mesma disposição para sair do tom,
estragar a festa dos canalhas e desfazer as ilusões. Nesse momento pude
ver que eles pensam em tudo. Cercam por todos os lados, trabalhando de diversas
formas. Ao mesmo tempo que nos agrupam nessa massa amorfa, uniforme - o gado
indo rumo ao abatedouro - quando a intenção é nos impor o ciclo trabalhar,
procriar e morrer... produzir e consumir... o ratinho correndo na roda..., eles
também nos dividem quando tentamos nos organizar para combater essas ideias
terríveis que transformam a vida em nada absoluto.
Daí
eles vão usando nossa diversidade como fator de divisão, fragmentado a luta em
pequenas batalhas de grupos numericamente menores. A velha tática de dividir e
conquistar. Transformam a grande maioria de explorados insatisfeitos e rebeldes
em minorias. Muito esperto estes que trabalham na engenharia do controle.
"Astutos como o Diabo", diria um velho amigo herege que há muito
abandonou este planeta.
Quem
leu o fantástico 1984 lembra bem do duplipensar. George sabia bem o rumo que as
coisas estavam tomando. Ao mesmo tempo que juntam para facilitar o rotular e pôr
na prateleira, dizendo que o natural é ser como todo mundo - um normal - se
encaixando sem criar problemas na horrível máquina social, tendo inclusive
orgulho disso, quando é conveniente dividem para despotencializar.
Não
podemos perder de vista que o ponto em comum é sermos diferentes. Isso é o que
nos fortalece, o que embeleza e o que deveria nos unir. Temos de estar atentos
a falácia dos discursos prontos, aos mapas que nos levam direto para o
precipício e as receitas de bolos mofados. Nos matamos encarniçadamente,
enquanto eles se juntam, ficando cada vez mais fortes.
A
verdade não está na tv ou na tela do celular. Eles não querem nos ajudar.
Querem nos manipular para controlar e controlar para nos usar. Temos de caber
perfeitamente em seus planos, atuar como peça útil e agradecidos pela grande
oportunidade de ser mais um tijolo no muro que nos cerca, ter orgulho de compor
o próprio cárcere, de cavar a própria cova, alimentar nossa Matrix, fechar
nossos olhos e fingir. Fingir que acreditamos, que somos felizes, que somos
livres, que decidimos e escolhemos. O importante é o conforto da ignorância e
da alienação, é aceitar a mentira e estar seguro, em completa segurança, dentro
dessa prisão medonha e desesperadora. Mas eu não. Estou atento às
artimanhas, sempre disposto a não concordar, não me ajustar ou me adaptar. Eu
não!
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