.jpg)
1964: Revolução ou Golpe?
Este
é o título de um livro que escrevi em 1984, quando era estudante de História na
saudosa FAPA.
A
discussão sobre o período da ditadura civil militar, diante das manifestações
dos saudosistas daqueles tempos de autoritarismo, continua cada vez mais atual.
A
palavra revolução, tão utilizada na história do Brasil, nem sempre é empregada
no seu real significado. Qualquer conflito armado já é rotulado como uma
revolução. A nossa tão propalada Revolução Farroupilha foi uma revolta, uma
insurreição contra o Império brasileiro, mas não uma revolução. Assim também o
que foi feito em 1º de abril de 1964, apesar de seus autores chamarem de
“revolução” foi tudo menos uma revolução.
Mas,
afinal, o que é uma revolução?
Vamos
tentar pensar de outra maneira. Seria fácil escrever “revolução é isso ou
aquilo”. O texto acabaria logo em seguida, você terminaria de ler essa coluna
nas próximas duas ou três linhas e eu deixaria de escrever daqui a pouco e nós
dois, você e eu, ocuparíamos nosso tempo fazendo outra coisa ou não fazendo
nada.
Entretanto,
que graça tem a vida sem desafios? De que adianta não tentar ir além? Se é para
ficar na mesma, escrever o que já foi escrito, “chover no molhado”, de que
adianta ter uma coluna quinzenal nesse prestigiado e prestigioso blog?
Podemos
perguntar: o que tem a Revolução Americana, Revolução Francesa, Revolução
Russa, Revolução Chinesa e Revolução Cubana em comum?
Todas
são chamadas de revolução e de fato todas foram revoluções. Mas, por quê?
Para
responder essa ótima pergunta precisaremos pensar no antes e no depois e, para
pensar, é preciso utilizar a nossa estupidez natural, sem recorrer a tão
valorizada e, na minha opinião, perigosa Inteligência Artificial.
Estados
Unidos, até 1776, era colônia da Inglaterra, os colonos fizeram uma guerra para
proclamarem sua independência política, instituindo a primeira república
moderna que exerceu grande influência na Revolução Francesa, 1789, que derrubou
a monarquia absolutista e os privilégios da nobreza. Tanto uma quanto a outra
colocaram a burguesia no poder e o ser humano passou a ser valorizado pela
riqueza que possui e não mais pelos privilégios de ser “sangue azul”, filho de
nobre, que antes era mais importante do que o burguês, mesmo que fosse falido,
seu título de nobreza lhe dava mais direitos do que possuía o banqueiro. Era a
sociedade estamental que foi superada pela sociedade capitalista.
Inegavelmente
com o capitalismo ocorreram transformações na sociedade. Será que todos foram
beneficiados?
No
século XX revoluções na Rússia e na China provocaram mudanças sociais profundas
nesses países buscando construir o socialismo e, em Cuba, os revolucionários de
liderados por Fidel Castro e Che Guevara implantaram mudanças sociais profundas
na ilha.
Observando
os diferentes processos históricos podemos concluir que uma revolução
transforma a sociedade. Portanto, para ser chamada de revolução não basta
somente uma revolta armada ou uma mudança de governante, é preciso ocorrerem
transformações sociais profundas. Não foi o que aconteceu na dita Revolução
Farroupilha que, mesmo com todas as escaramuças, os estancieiros continuaram
sendo a elite e o trabalho escravo permaneceu sendo a base da mão-de-obra.
Já,
em 1964, o presidente João Goulart defendia as Reformas de Base, mudanças na
distribuição de terras, no sistema financeiro, na educação, na saúde que
possibilitariam maior acesso à população aos bens produzidos por toda a
sociedade. Inclusive o governo Goulart criou dispositivos legais para controlar
a remessa de lucros das empresas estrangeiras para suas matrizes nos Estados
Unidos e Europa, determinando que uma parte desses recursos produzidos no
Brasil ficasse para ser investido no desenvolvimento dos nosso país.
A
Operação Brother Sam, denunciada anos depois, era um plano de apoio aos
militares que pretendiam derrubar o governo João Goulart que consistia em
manter porta-aviões e outras embarcações de guerra estadunidenses na costa
brasileira no caso do conflito se alongar, além, é claro, da efetiva
participação do embaixador Lincoln Gordon junto aos militares, sendo Estados
Unidos o primeiro país a apoiar o novo governo.
O
que ocorreu em 1964 foi, na verdade, um golpe de Estado, a derrubada de um
presidente legitimo que apresentava uma proposta de reformas sociais. Em 1º de
abril foi instalada uma ditadura que representou uma longa noite de vinte anos
de tortura, assassinatos, censura e repressão a qualquer manifestação
democrática.
66
anos após o golpe, a ameaça à democracia continua entre nós e quer voltar,
travestida de neoliberalismo, com seus candidatos de sorriso no rosto e
projetos de entregar o patrimônio público aos interesses estrangeiros. Cuidado,
não se engane com os defensores do “Deus, Pátria, Família”, o mesmo slogan dos
fascistas italianos, dos integralistas brasileiros e dos golpistas de 1964.
A
melhor vacina contra a volta do fascismo nessa eleição é votar Lula presidente,
Manuela e Pimenta senadores.
![]() | |
"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." |


0 Comentários