
Minha Experiência com Crossed

Eu me deparei com um mundo que desabou da noite para o dia. Não foi um apocalipse zumbi tradicional; foi muito pior. Uma praga se espalhou, e quem era infectado não morria nem se tornava um morto-vivo lento. Em vez disso, eles se tornavam os "Cruzados" (Crossed). O sintoma físico era uma mancha vermelha em forma de cruz no rosto, e o efeito psicológico era a anulação total de toda a moralidade, empatia e inibição social. Eu vi a humanidade regredir ao seu estado mais primitivo e sádico em questão de horas.

A experiência de leitura, especialmente com a arte visceral de Steve Dillon, é de puro horror. Eu não estava lendo sobre monstros; estava lendo sobre pessoas comuns — vizinhos, familiares — que, subitamente, decidem se dedicar inteiramente à tortura, ao estupro e ao assassinato de qualquer um que não esteja infectado. A narrativa foca em pequenos grupos de sobreviventes tentando fugir e se esconder, mas a pressão psicológica e a onipresença dos Cruzados tornam a sobrevivência uma provação constante, onde o maior perigo é a própria natureza humana descontrolada.

Para um público geral, meu veredito é: Crossed é uma obra-prima do horror, mas é extremamente difícil de digerir. Se você aprecia histórias que exploram os limites da depravação humana sob pressão extrema — como em The Boys ou The Punisher, também escritos por Ennis —, você encontrará aqui a visão mais crua e sem filtros de Ennis sobre o que significa ser humano. Não é uma leitura para se divertir, mas sim para refletir sobre a fragilidade da civilização e da ética. Eu a consideraria uma das histórias mais ousadas já publicadas, justamente por não ter medo de mostrar o pior de nós mesmos.
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| Sandman |
Sandman é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.
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