
Recentemente, eu e uma amiga (sim, aquela que gosta de um bom vinho) fomos assistir ao espetáculo Anthologia (ou Classic, conforme o programa) da prestigiada Cia. Jordi Bertran. O catalão Jordi, com mais de 45 anos de carreira, subiu ao palco do Teatro CHC Santa Casa trazendo seus grandes clássicos. Foi um espetáculo repleto de música, humor e poesia visual — um show para todas as idades, afinal, Jordi é um dos mestres de marionetes mais reconhecidos do mundo.
Quando entrou em cena o seu boneco rockstar com guitarra, microfone prateado e o clássico tênis All Star, o teatro veio abaixo. E eu, ali, na expectativa sincera de ouvir Guns N' Roses!
O espetáculo transcorria leve e, do nada, um tênis infantil foi arremessado em nossa direção. Catei o dito cujo e o entreguei ao "anjinho". Era visível o desconforto de algumas crianças na plateia. Repentinamente, o abençoado começou a chorar, reclamando alto para o pai sobre o beliscão que acabara de levar da mãe.
Esse corte nos leva direto à nossa reflexão sobre o cotidiano.
Oiê, querido(a), quanto tempo! Senta, vamos conversar. Quer um café, suco, cerveja ou vinho? Vou buscar.
— Você abriu o link que te mandei?
— Não, mas dei um like. Mônica, teus textos são longos, usam palavras difíceis, latim, inglês... Você é muito fru-fru. A gente não tem muito tempo, amiga, mas o like tá garantido.
Parou, parou, parou!!!
A verdade é que nós ficamos nas redes sociais rolando o feed, curtindo freneticamente assuntos aleatórios e seguindo influenciadores. Dizemos que "não temos tempo", mas o Brasil é o segundo país no mundo que mais passa tempo exposto às telas. Os brasileiros ficam, em média, 116 horas por semana conectados.
Esse número mostra que, ao longo de uma vida com expectativa média de 76 anos, desperdiçamos cerca de 52 anos diante das telas. E não são dados tirados das vozes da minha cabeça: o levantamento é da empresa de cibersegurança NordVPN, divulgado recentemente.
Foco, Mônica!
Já dizia o meu amado e saudoso mestre Tatata Pimentel: quem não gosta de ler não desenvolve pensamento crítico e, por conseguinte, também não escreve bem. Mas está tudo bem, né? A saúde mental da sociedade só piora. O almoço em família aos domingos, que deveria ser só alegria, virou uma cena repetitiva: todos à mesa aguardando a refeição quentinha, mas cada um com seu celular a postos.
Seria bem mais saudável convidar as pessoas para tomar um café ou — sem fazer apologia ao álcool — tomar um choppinho gelado e abrir um bom vinho. Precisamos resgatar aquelas conversas de riso solto, olho no olho, contato e calor humano. Mais cafeterias, menos farmácias!
Enfim, talvez o contexto atual nos convide a refletir. Parafraseando Denilson Reis: "Somos todos marionetes, com a diferença de que alguns conseguem enxergar suas próprias cordas".
Parece que não temos mais tempo para viver a própria vida.
Foi ótimo o nosso bate-papo, precisamos nos encontrar mais vezes, meu bem. E não esqueça: A VIDA É HOJE!
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| Tânyalys Lisbôa |
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| Arte:Waldemar Max |

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