
Era só mais um Silva. Não é sobre a letra de um funk carioca, não tenho essa pretensão de discorrer sobre esse tipo de iguaria. Esse Silva, é realmente apenas mais um Silva, dentre outros, existentes por aí na cidade, um cidadão comum.
Silva, inspetor da polícia civil, há anos na corporação, morador de São Cristóvão, ama com devoção o bairro em que vive desde que se entende por gente. Jurava morar na região em que nasceu, por toda vida. Mais a vida é uma caixinha de surpresas.
O homem é fruto do meio em que vive. Ninguém é igual a ninguém e o ser humano nasce sem maldade. Silva foi um exemplo. Cresceu sendo um bom filho, aluno aplicado. Fazia suas estripulias, mas nada que o desabonasse. Depois que virou homem feito, virou outra pessoa.
De um cara calmo, virou um homem nervoso, desconfiado de tudo e todos, sem amor, sem paz, sem alma. Não era mais o mesmo. Não dormia com a mesma tranquilidade de antes. Não conseguia manter seus relacionamentos amorosos por muito tempo. Não havia ninguém que aguentasse o seu jeito de ser.
Sempre foi um primor de honestidade. Era um cara exemplar. Ficou no passado. Se envolvia em coisas erradas, nada éticas e bem imorais. Não honrava o cargo que exercia e nem o seu nome. Toda vez que havia apreensão de entorpecentes, uma parte ficava para o seu consumo. Só não vendia, por que lhe faltava coragem.
Ganhava uma grana por fora, fruto de muitas atividades suspeitas e corruptas. Isso lhe fez sair de São Cristóvão e ir morar na Barra da Tijuca, perto da praia. Silva já não era o mesmo, faz tempo, era um novo homem.
| Daniel Filósofo |

1 Comentários
Crônica bem escrita, só faltou o meio e o fim.
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