#temliteraturanarede


Eu estava no ônibus escolar cheio de crianças e adolescentes, entre eles estava Cristóvão um menino com leve autismo, simpático, alegre e brincalhão. Cristóvão às vezes brinca comigo criando um alter ego que ele chama de cachorro mau e eu digo brincando:

 - Se acalma cachorro mau, se acalma cachorro mau. 

Cristóvão da rizadas de nossas brincadeiras. Todo dia seu pai ou sua mãe esperam por ele na parada. Quando vai chegando perto da parada ele já vai se despedindo, dizendo que o cachorro mau e ele retornam no dia seguinte. Mas certo dia por um descuido, não havia ninguém na parada para o esperar. O motorista Rogério decidiu levar ele até a garagem dos ônibus, ligando para que seu chefe avisasse os pais dele.

Cristóvão ficou nervoso e  e pediu que eu sentasse  ao seu lado, o que eu fiz. Ele ia olhando o trânsito, conversando detalhes sobre a paisagem e lugares aonde ele nunca tinha estado e perguntando o por que seu pai e sua mãe o esqueceram, falei para ele que eles estavam a caminho. Ele dizia, que o cachorro mau estava bem porque estava com seus amigos, o motorista Rogério e eu. 

Nós conversávamos muito, eu tentando distraí-lo, e ele replicando o que via pelas janelas do ônibus,  foi quando chegamos na parada de uma escola particular, já perto da garagem e lá estava o seu pai o esperando. Havia dado um erro de comunicação, mas ali estava ele para buscar o seu filho. 

Cristovão saiu do ônibus e seu pai o pegou no colo, Cristóvão então falou:

- Pai pensei que você não viria me buscar! 

O pai do cristóvão sorrindo respondeu: 

- Por você eu iria até o fim do mundo! 

Eu confesso que me emocionei, vendo o amor de um pai pelo filho, vendo a sua preocupação, o seu amor. O cachorro mau voltou para casa com seu pai, sorrindo e abanando para ´nós que seguimos viagem no ônibus.

Acredito que todos os pais deveriam dizer a seus filhos "por você eu iria até o fim do mundo", é emblemático, é significativo. Num mundo cada vez mais frio e distante, é preciso que voltamos ao básico: precisamos de mais afeto, e ele começa dentro de casa.

 E embora eu esteja longe dos meus filhos, num cenário de alienação parental que parece irreersível,  eu digo também: por vocês eu iria até o fim do mundo!


Texto:Jorginho

Arte: Miriam Coelho

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