VERSOS AO VENTO

 DESNUBLAR

Ao desfalecer do sol minha impureza

Se põe na gruta, lá se oculta feito componente

Estranho num habitat escuro, parte da natureza

Esculpida em meu cerne, inteligente e docemente

erótica na estupidez da luz, a esconder confortavelmente

a nudez, nublar leveza inconfundível de se inflamar,

atear fogo n’alma dentro de um copo e se deitar.


Durante o dia a cobrir de bruma, de nevoeiro,

Toda paz que repousa na cava, gaveteiro

Gigante, bufante, quase a explodir de cheio,

Esperando penumbra prevalecer, soltar arreio

E desnudar seio, voltar às pompas dos decotes,

Colocar trança e andar de chicote, saiotes

Ao ar a grassar fogo nos esfomeados velhotes.


A revelar face dos devaneios sacerdotais,

A desnublar verdades nas lentidões anais

Da loucura que impunham em toda gente,

Antíteses sem precedentes, atmosfera pendente:

Ser puro, mas pecaminoso; ser santo, mas nem tanto.

Só no adeus se sabe o que há embaixo do manto -

Tal qual em todo canto, tal qual como no entretanto –

Dois mundos adentro do ser, entre outros mais.


Cai noite mundo afora e agora tudo vejo,

Onde a estrela se reflete nas luzes da cidade

E desagua no cais toda minha sede,

Como um rio que se leva ao mar,

feito de saudade, de desejo,

afogueando n’alma liberdade,

tão louca em razão a se fartar

dos eus que se entregam ao beijo.



Andréia Kmita


Andréia Kmita é natural de Campo Mourão - Paraná (25/04/1977), região Sul do Brasil, migrou com a família de ascendência italiana e ucraniana para o Norte do país. Docente na Educação Básica (Ensino Médio) na SEDUC/MT desde 1992. Graduada em "Letras"(1999/FADAF). Mestre em Literatura e Crítica Literária (2018/PUCSP). Pós-graduada em “Psicologia e Coach” (2020/Faculdade Metropolitana de Ribeirão Preto - SP). Em 2021 cursou “Terapia Cognitivo-Comportamental: Princípios Teóricos e Epistemológicos” e “Introdução a Psicanálise Freudiana” no Portal de Psicologia (in)Formação. Fez parte de grupos de pesquisa na PUC-SP sobre poesia e crítica literária em 2015 e 2016. Integrou o grupo de pesquisa da Profa. Dra. Telê Ancona Lopez USP (FFLCH) 2015/2016/2017 sobre o “Trabalho do Crítico”. Atuou como Coordenadora Pedagógica na escola especializada em Educação no Sistema Prisional de Mato Grosso de 2019 a 2020, onde escreveu documentos de suma importância para o Estado de Mato Grosso no segmento educacional PPL (Privados de Liberdade). Em 2021, iniciou o Doutoramento na FLUC (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) em Línguas Modernas: Culturas, Literatura e Tradução. É Poetisa, escreve contos e roteiros de curtas, escritora de projetos políticos educacionais e culturais. 

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVEARTS, 07 ANOS DE VIDA,
CONTANDO HISTÓRIAS, 
CRIANDO MUNDOS!
COLETIVE É POESIA!


SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS:
Facebook: AQUI Instagram: AQUI YouTube: AQUI Twitter: AQUI
Sempre algo interessante
para contar!

Postar um comentário

5 Comentários

  1. Profundo e forte!
    Obrigado por compartilhar um pedacinho tão significativo de sua alma!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá! Eu quem agradeço por escolher, no seu tempo, essa leitura. Estou muito feliz! Obrigada 🙏🏻

      Excluir
  2. Musa!
    Permanece um AK-47 apontado para o meu coração...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bolsonarismo pseudoafetivo!



      Excluir
    2. Olá! Primeiramente, venho lhe agradecer destinar seu tempo a esta leitura, muito obrigada 🙏🏻 Eu já assinei como AK40 no início da carreira literária sabia!? E me falavam: Ak-47 uma metralhadora de palavras.

      Excluir