
Dissecando
o sistema

O
sistema é de uma perversidade com requintes que deixariam o pior dos sádicos
com inveja. Muitos nascem na completa miséria, enquanto outros com todos os
privilégios. Existe uma pequena parcela da população com um volume de dinheiro
difícil de se crer, comparado a maioria. A chamada desigualdade social está
instalada e solidificada através de um processo de acumulo que torna a
caminhada de uns muito mais difícil que para outros. Uma caminhada impossível
de ser acompanhada por muitos que estão completamente excluídos desde a sua
concepção... enfim...
Para
entendermos melhor a situação, é necessário termos a menor noção sobre a nossa
história, sobre a construção da nossa sociedade. É importante também termos o
mínimo de senso crítico para questionarmos conceitos que compõem o arcabouço de
mentiras que mantém tudo isso de pé por tanto tempo.
A
meritocracia é um dos grandes exemplos de mentiras criadas para a manutenção do
status quo. Uma repetição constante vai nos adestrando para que sejamos também
repetidores desta e de outras falácias. Mesmo sendo algo que facilmente pode
ter as falhas observadas, como a citada meritocracia, a grande maioria está
condicionada a aceitar sem questionar e a continuar a proliferação da mentira.
Mesmo um observador desatento poderia ver, sem dificuldades, que não existe
igualdade alguma para que a ideia de disputa justa seja exaltada. Como alguém
que sempre teve uma alimentação deficiente, sem acesso a água, luz, moradia...
pode competir com os bem alimentados, que tiveram acesso a cuidados
diferenciados, que antes de completar a maior idade já viajou até para fora do
país, absorvendo mais experiências e conhecimentos...? Não há igualdade de
condições, nem justiça ou honestidade nisso.
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E
não venha me dizer que quem trabalha muito pode vir a enriquecer. O quanto que
um professor trabalha, a relevância de sua atividade, só isso deveria garantir
toda a fortuna do mundo. Ao invés disso, tem de conseguir vários empregos para
manter o básico em sua vida. Lembro sempre da minha tia dormindo sobre provas e
trabalhos que tinha de corrigir para entregar no dia seguinte. Nunca teve uma
vida farta.
Claro
que, por vezes, um ou outro menos prejudicados por todas as sabotagens que
passaram consegue, através de um esforço descomunal, entre outros fatores,
ultrapassar as barreiras e o sistema usa isso como um troféu, como a prova de
que todos tem chances. Comparando a quantidade que consegue com os que não
conseguem, podemos ver sem dificuldades que isso não faz parte da rotina. São exceções
a regra. Casos isolados que estudando individualmente sua história podemos
entender como foram contra todas as expectativas. É a história demonstrando
mais uma vez sua importância. Sem entender o passado, não temos o entendimento
correto sobre o hoje. Nada surgiu do nada. Tudo e todos vêm carregados do peso
de sua história. Seja um povo, uma casa, um objeto ou uma pessoa.
As
formas de acumulo de riquezas normalmente exploram impiedosamente a mão de obra
alheia, através de estruturas que possibilitam e naturalizam estas práticas
monstruosas e socialmente aceitas.

A
pessoa fica tão absorvida no ato de acumular e consumir, que acaba possuído
pelo que pensa possuir e se apega a tal ponto ao mundo das coisas que qualquer
direito do outro que inclua dividir o que tem em excesso, vira um grande
problema.
Não
faz muito, tivemos um presidente que questionava se a pessoa queria emprego ou
direitos. Obviamente que todos querem seus direitos, até porque os direitos
trabalhistas, assim como todos os outros, foram conquistados a custa de muita
luta. Nenhum direito veio, como um presente, de mão beijada, como os mal
intencionadas gostam de fazer parecer. A
minoria que compõe a classe dominante sempre resiste ao máximo diante de
qualquer melhoria na vida dos menos favorecidos que compõem a grande maioria.
Estes direitos não são privilégios e já deviam ter avançado muito mais. Com a
tecnologia que temos hoje, por exemplo, poderíamos reduzir a carga horária dos
trabalhadores. Mas os parasitas pensam de outra forma. Eles mandam os
trabalhadores embora, substitui as pessoas por máquinas que precisam de muito
menos pessoas para operar e ainda responsabilizam as pessoas pela miséria que
vivem, pelo desemprego. Quanto a querer trabalhar... A pessoa trabalha porque
precisa, por ser a forma ensinada como única possível para comer, vestir,
morar... Com certeza, se pudessem escolher, fariam opção por gastar o tempo de
vida de forma muito mais agradável e produtiva. Claro que existem os que já
foram tão adestrados que morreram em vida e que se não estiverem trabalhando,
nem sabem o que fazer.
Ainda
temos os preconceitos que buscam constranger de alguma forma os que não seguem
as regras. Ainda mais hoje, onde a síndrome de Sérgio Moro é a pior das epidemias,
onde todos são juízes preparadíssimos para julgar e condenar, mesmo sem saber
nada sobre a pessoa ou ter qualquer prova sobre. Por exemplo: Todos julgam e
criticam os que recebem benefícios oferecidos ao povo para complementar a renda
dos que não conseguem ao menos se alimentar dignamente, mas não falam nada
sobre os benefícios recebidos por pessoas que já recebem um ótimo salário, como
um juiz, entre outros.
A
engenharia social tem de manter um exército de mão de obra reserva disposto a
fazer qualquer coisa por qualquer dinheiro. A miséria tem de ser tão grande que
as pessoas ainda fiquem agradecidas por serem exploradas. Pessoas disposta a
aceitar subempregos com grandes cargas horárias e sem um salário que permita o
acesso ao mínimo necessário.
O
Brasil está entre oa países que menos taxam os super ricos. Vendo, proporcionalmente, o que ganha pouco
paga mais que os bilionários que seguem juntando lucros e dividendos pagando um
quase nada de impostos. Existem projetos para equilibrar esta balança. A
taxação das grandes fortunas seria uma forma de devolver parte da riqueza
produzida para quem realmente a produz. Nem preciso dizer que os detentores do
papel moeda estão detestando essa ideia.
Enquanto
os serviços públicos estão se deteriorando, nossa pequena elite concentra uma
grande fatia da riqueza nacional. Com isso, a desigualdade vai aumentando e,
com isso, o crime, a revolta, a violência, o ódio.
Não
faça parte do esquema.
Seja
um problema para o sistema.
CPF? TENTA...
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