

A nossa humanidade — aquela que corresponde à nossa empatia, ao nosso bem-querer pelas pessoas — está se perdendo. Na data da postagem desta charge, vi com espanto a desumanização de um casal e de sua filha pelo simples fato de serem do mesmo gênero. A vida, o amor de cuidar um do outro ou uma da outra, o trabalho para si, para a família e para o país não existia; na realidade, nunca existiu para aqueles que dirigem críticas maldosas. Até alguns anos atrás, essa degradação comportamental — refiro-me às críticas e aos comentários — já existia; o problema é que não era tão intensa e tão à mostra como tem sido.
Atribuo parte dessa situação aos dois cidadãos que a charge representa. O bolsonarismo despertou o lado mais perverso do ser humano. E sua intenção, paradoxalmente, é tornar o estado mínimo maior: um estado que se ausenta onde deveria proteger — saúde, educação, direitos sociais, fiscalização da corrupção — mas que se faz imenso e violento onde quer punir, silenciar e desumanizar. A impunidade acaba armando pessoas para agirem da pior forma possível.
Certamente, caso alguém tente dialogar com alguém que veja "pessoas de bem" em políticos de oposição ao atual governo, será rebatido toda vez que comentar algum absurdo cometido pelo presidente genocida, que dizia que "não era coveiro" ou debochava daqueles que tinham crises respiratórias pela Covid. Os "argumentos" viriam como "Ah, todos são corruptos!" ou "E o Lula? E o PT?". Tipo, não existe argumento quando na realidade não se quer ouvir a divergência. Até vídeos manipulados, sem apresentar o contexto, são usados para estimular o ódio.
A família que perdemos — sim, todos nós perdemos — pode não ser a tradicional, mas representa um valor muito maior que ainda devemos acreditar que existe: o amor. Essa família trabalha, cresce e contribui para o Brasil de inúmeras maneiras: pagando seus impostos, mostrando que o amor verdadeiro existe para além dos moldes tradicionais e criando uma criança que poderá um dia ajudar a humanidade em várias áreas do conhecimento — mesmo que essa contribuição seja menor, ela ainda é parte do que constrói um país. O que elas fazem pelo bem-estar próprio e pelo bem-estar coletivo é muito mais do que aqueles que as atacam jamais fizeram por alguém além de si mesmos.
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| Leandro Blum |
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| Arte:Waldemar Max |
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!

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