JANELA DA ANCESTRALIDADE

 Dias e Dias

Tem dias em que sinto uma necessidade enorme de sair por aí, mundo afora…


Como uma andarilha.


Dias em que penso em largar tudo. Tudo mesmo.

Viver sem documentos, sem contas, sem horários, sem compromissos.


Porque ter compromissos cansa.

Cansa sustentar rotinas, silenciar pensamentos e acordar todos os dias parecendo

repetir a mesma cena.



Mas então, no meio desses pensamentos intrusivos, volto à realidade.

Penso no trabalho que daria viver de marquise em marquise e, de repente, meu lar

já não parece tão ruim assim.


Não nego… às vezes é frustrante.

A vida pesa.

O mesmo pesa.


E enquanto reflito sobre tudo isso, vou tentando mudar por dentro aquilo que ainda

não consigo mudar por fora.


Duvido que você nunca tenha pensado em largar tudo ao menos uma vez.

Pode até mentir para mim…

Mas não pode mentir para si mesmo.


Eu sei exatamente o que passou agora pela sua cabeça.

“Como ela sabe disso?”


Simples.

Nós, seres humanos, estamos sempre buscando alguma coisa e, muitas vezes, nos

frustramos rapidamente… até com aquilo que um dia foi sonho.


Claro, existem os que amam cada detalhe da própria rotina.

Mas esses talvez sejam exceções… ou tenham privilégios que aliviam os pesos do

caminho.


Ainda assim, quando retorno à minha rotina depois desses pensamentos malucos

de viver como andarilha, sinto alívio.


Porque, no fim das contas, percebo que minha vida nem é tão ruim assim.


E você…

Já percebeu a vida maravilhosa que tem?


Eu já.

Rs rs rs…


Josiane Prestes


Josiane Prestes é escritora, compositora , cantora,  professora alfabetizadora, pedagoga, especialista em Gestão e Orientação Educacional e multiartista de Gravataí (RS). Assessora pedagógica na SMED Gravataí, atua em defesa da educação pública de qualidade, equidade e valorização das relações étnico-raciais (ERER). Autora de A Janela de Ayo (2025), integra o Coletivo de Escritores Negros e participa das obras Meu Corpo Negro e Dois Olhares de Mulher. Filha, mãe, esposa e ativista dos direitos humanos, transforma arte, ancestralidade e educação em caminhos de resistência, pertencimento e transformação social.


"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

 OITO ANOS DE VIDA,
NOSSO MUITO OBRIGADO POR
ESTAREM NOS ACOMPANHANDO DURANTE 
ESTA PEQUENA
JORNADA"



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2 Comentários

  1. Lindo poema, parabéns!

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    1. Poema maravilhoso, daqueles que aquece o coração e alma.
      Parabéns Josi❤️

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