
Despedaçando as paredes –
Arrebentando as correntes

Vemos o mundo como somos
educados/adestrados a vê-lo. Precisa muita força para nos livrar das correntes
com que nos prendem desde a infância, da lavagem cerebral, das ideias
implantadas, dos conceitos mentirosas que servem apenas para manter tudo
exatamente como está. Mesmo vendo a
perversidade, a corrupção e a hipocrisia de todo este circo de horrores que nos
cerca, tentamos sempre arrumar uma boa justificativa para deixarmos tudo como
as instituições ensinaram que deveria ser. É para isso que as instituições
servem. Para manter tudo como está, na chamada ordem. Não é a toa que sempre
fui partidário da desordem.
Um exemplo claro de como este
adestramento determina nossa forma de ver o mundo... Observemos as pessoas
criadas por uma família de fanáticos religiosos, onde o pensamento mágico e
fantástico explica tudo. Na verdade, este cérebro foi ensinado a funcionar de
uma forma que chamo de não pensar. Quando utilizei a palavra pensamento ali a
cima, foi por força do hábito. O pensamento inclui refletir sobre, ponderar
cada ponto, analisando de forma aprofundada... Quando falamos da chamada fé,
estamos falando de aceitar cegamente, sem questionar, fábulas, folclores e
lendas que carecem de qualquer fundamento ou lógica. Não é um processo racional.
Alguns devem estar pensando
que este texto está cheirando a falta de respeito ou a mera blasfêmia. Não
poderia discordar de todo sobre Isso, pois não tenho como respeitar pessoas que
mentem para crianças formando adultos submissos, amedrontados. Conheci muitos
que chegaram a apresentar problemas psiquiátricos de tão graves foram os
traumas impostos por uma deturpação da realidade brutal, travestida de verdade
inquestionável. É cada livro sagrado,
igreja, templo... ou o que seja... pregando a sua versão como algo concreto, o
real. Qualquer falha no conjunto folclórico de ideias é considerado um
mistério. Resposta fácil essa né? Quando
se é pego pelo pé, chamamos os mistérios para driblar as mentes mais atentas.
Andemos em outra direção e
falemos sobre outra forma de adestramento social (Gostei dessa. Adestramento
social. É assim que chamarei agora. Mais adequado que pensar, pensamento...).
Nenhum ser humano nasce racista, homofóbico, machista ou algo que o valha. Ele
aprende a ser assim através de piadas contadas pela própria família,
comentários casuais de vizinhos, sugestionamentos produzidos por inocentes
programas de TV...
Outra questão que segue pelo
mesmo viés seria a maldita competição que nos separa e impede a formação de
pessoas mais empáticas e solidárias. Existe toda uma preparação para alguns
chegarem em primeiro lugar, ser o grande vencedor. Uma expectativa enorme é jogada sobre os
ombros dos que vieram ao mundo e já chegam sendo cobrados. De outro lado uma
grande maioria jogada ao próprio azar. Um número que não para de aumentar. Uma
carnificina disfarçada de competição. Não é a toa que vemos pessoas cada vez
mais adoecidas. Afinal, nosso estilo de vida é totalmente anti natural, tóxico,
doentio e adoecedor. Basta ver como viviam os povos originários antes de serem
contaminados pelo estilo de vida perverso e hostil dos chamados civilizados. É
só comparar o antes e o depois. Se ainda restar alguma dúvida, analise o
resultado.
Quanto a questão da competitividade implantada e incentivada, passo a palavra pro grande parceiro Eduardo Marinho. Em memória de todas que já aprontamos e que ainda vamos aprontar nesse espaço de tempo chamado vida. Não vejo a hora do próximo encontro ainda sobre a terra, meu irmão. Então mergulhemos no excelente QUE VENCEDOR, QUE NADA.
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"Diante de uma sociedade que me
obriga a coexistir com situações de extrema fragilidade e sofrimento, em que se
aceita como "naturais" ou "inevitáveis" realidades como a
fome, a miséria e a ignorância, se aponta como valores principais a
propriedade, o consumo, a ostentação e se impõe a competição como forma de
relacionamento entre as pessoas, só posso colocar minha vida em contraposição
às correntes dominantes. Tanto em valores, quanto em comportamento e em
objetivos de vida.
É preciso revelar dentro de nós os
valores induzidos pelos meios de comunicação de massa, pelo massacre
publicitário, pela propaganda ideológica, psicológica, inconsciente,
sub-liminar ou não. Pela pressão social daqueles que aderem aos valores
artificiais e, na falta de convicção, precisam impor aos demais, compor grupos
e discriminar os que não lhes apoiam valores que, por si, não se sustentam.
Temos em nós estes condicionamentos, em maior ou menor grau. São valores-causas
do desequilíbrio social - a cultura da competição, em que todos são adversários
potenciais, e a do consumo, em que o objetivo principal da vida é consumir,
possuir, desfrutar, alcançar o máximo da fartura material, entre a ostentação e
o desperdício. São enormes e estratégicas mentiras.
Não há competição onde há desigualdade de condições. Há covardia.
A massa dos "derrotados" aumenta, os "vencedores" se empilham em pirâmides de poder e privilégios ascendentes. No topo, o pequeno grupo. Os donos das mega-empresas transnacionais, dos grandes bancos e corporações financeiras, interferindo e controlando as políticas públicas e a mídia para os favorecer e encher, mais ainda, de poder e privilégios, em prejuízo dos direitos básicos da população e das obrigações principais do Estado.
Este é o sentido das minhas ações, do meu trabalho, da minha vida. Não tenho a ingenuidade de esperar ver o mundo conforme eu gostaria. Também não me é possível aderir a esses valores planejados e implantados como "a realidade", que fazem de irmãos, adversários e do objetivo da vida, o consumo excessivo, a posse, o conforto físico. Perdemos o contato direto com as necessidades abstratas, as principais do ser, o sentimento de integração, a sensação de utilidade ao coletivo, o equilíbrio emocional, as relações afetivas, a solidariedade, o senso de justiça, o desenvolvimento da consciência.
Existe em mim a necessidade incontrolável de plantar ideias, valores, questões, sentimentos. Denunciar as mentiras em que tantos acreditam, os valores falsos, as necessidades artificiais, a mediocridade da vida e a mesquinharia dos objetivos oferecidos. Apregoar os valores do espírito, solidariedade, integração, consciência. Denunciar o egoísmo da mentalidade competitiva, a crueldade - ou indiferença - das minorias dominantes.
Não espero colher os frutos das
árvores que planto. E isso não diminui minha necessidade de seguir plantando,
de trabalhar em direção contrária às correntes, aos valores vigentes, nocivos à
grande maioria, embora - e por isso mesmo - a submetendo.
A discriminação, a perseguição dos
organismos repressivos da administração pública, o desprezo dos convencionais
são, por outro lado, elogios a quem não se submete. Eu teria vergonha de aderir
aos valores dessa sociedade perversa. De ostentar riqueza como falso símbolo de
vitória. Não estou aqui pra competir. Privilégios me constrangem, desperdícios
me dão repulsa e entristecem. Superioridade social é uma encenação ridícula,
subalternidade humana é uma ilusão triste.
Não compartilho dos valores vigentes.
Não tenho como andar com as correntes. Sigo somente minha própria consciência.
Minha "pobreza" é minha riqueza, minha "derrota" é minha
vitória. Teria vergonha, neste mundo, de ser um "vencedor"”
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