VERSOS AO VENTO

AOS OLHOS QUE ME  

ATRAVESSAM

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Capítulo I - Aprendizes,  clique AQUI

Capítulo II - Turma Perfeita, clique AQUI

Capítulo III - Os dispersos, clique AQUI

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HOJE:

CAPÍTULO V - Enquanto o tempo não para

O Baile de aniversário da cidade estava por perto, o noivado já havia acontecido em um almoço de família tradicional, os semestres da Faculdade de Letras da cidade chegavam ao seu fim, as poucas baladas iam ficando mais escassas e davam lugar aos muitos churrascos e jantares de família, outros com amigos e vizinhos. É mano véio, isso é a vida no interior. Ei, sai pra lá, você interrompeu a narração no meio, porraaa... não, péra, não dá mais para usar essa expressão, então, voltando: Oh você, pensamento, deixe-me em paz! Acho que agora está bom, usei a ênclise certinho, não tem gíria, informalidade ou palavrão, e o uso do vocativo calhou bem. Agora sim, vamos recomeçar. Vamos? Não me mandou embora? Afeeee.... Ei, também não pode usar gíria, foi você quem disse! Afee... Me deixa enxerido! Uia, olha aí... ênclise no lugar errado. Caramba meu, a cabeça é minha, a boca, a voz, o corpo, mas tu tem vida própria, que isso!? Muito prazer, meu nome é pensamento, muitos teorizam sobre mim, até me justificam de TDAH agora, mas no fundo, no fundo, eu sou tudo isso, também sou memória que seu DNA carrega de geração em geração. Logo, quando algo está em contradição ou conformidade no tempo-espaço que tudo seu se envolve eu apareço. 

Tá, tá, tá bom, eu já sabia, mas enfim, dê-me um pouco de autocontrole e sai de férias please. Bem, regressando a firulagem da narração. O trabalho consumia em excesso. Novas rotinas iam se formando, novos lazeres aprazíveis como a pescaria, o acampamento de três dias na beira de rio, no meio de mata, e com todos os bichos soltos por aí, até nós, soltos estávamos. Os jogos e campeonatos na categoria “adulto” continuavam fora da escola, embora menos  provável que essa protagonista aqui tenha tempo para participar de algum time para futuras competições no estado; era, pois, dona de casa aos vinte e um, professora de escola particular e pública, três empregos, uma rotina do cão, e a faculdade noturna. Estava acentuando valores culturais, enriquecendo a linguagem, guardando outras, deixando o senso de observação crítico-analítico um pouco mais explícito, mas bufante, quebrando paradigmas em meu cérebro.  

Os de fora faziam um puta sucesso, entretanto as bandas nacionais eram rotina na vida dos jovens ainda. Era tempo de apreciar as letras das canções de forma mais profunda, com cautela nos ouvidos. Não tinha como fugir de Elis Regina e Tom Jobim nas “águas de março fechando verão”, a mais icônica a meu ver é “Como Nossos Pais”, o violão já se aprumava sozinho, era impossível não citar qualquer canção de Elis. Minha mãe deve ter curtido mais esse pessoal todo, artistas que enfrentavam a ditadura com inteligência e coragem, metaforizando músicas como “Cálice” de Chico Buarque. E eu, enquanto Ensino Médio, era induzida pelo apelo crítico e sofrido e de luta de muitos ritmos musicais. 

Eduardo e Mônica” do Legião Urbana, Chico Science & Nação Zumbi com canções extremamente voltadas para a massa populacional arrancando das profundezas a crítica dos nossos ossos em “Da Lama Ao Caos”, Charlie Brown Jr. e Marcelo D2, CPM 22, Los Hermanos com o hit “Ana Julia”, os icônicos Adriana Calcanhotto e Belchior, Titãs Os Paralamas do Sucesso, Skank, RPM, Pato Fu, O Rappa, Sepultura... olha, tive uma ideia, que tal tirar da cartola “Alice no País das Maravilhas” em ‘era uma vez...’? Uai, por que não!? Uai, por que eu me questionei a mim mesma? Ah pensamento acelerado dos quinfas! Então, vamos famos fer, aixiiiiii.... dislexia do inferno! 

Então... bem, ficaria assim, Era uma vez uma cidade pulsante onde as histórias se entrelaçavam como os acordes de uma grande sinfonia urbana. No coração desse cenário, Eduardo e Mônica, personagens tão diferentes, mas unidos pela força do destino, trilhavam suas jornadas ao som da poesia do Legião Urbana, é claro que serei a Mônica, mais velha, mais esperta, talvez menos, nem tanto... ah deixa pra lá. Eduardo, um rapaz de espírito livre e sonhador, encontrava em Mônica, uma mulher de personalidade forte e determinada, tatuada, cabelo pintado, um ser livre, a complementação de sua própria essência tímida. Juntos, eles desafiavam as convenções e os padrões sociais, vivendo uma história de amor que ecoava pelas ruas da cidade como uma melodia inesquecível, além de quebrarem vários tabus sobre a mulher ter mais idade que o homem em um relacionamento, oh povinho guinoranti!  Enquanto isso, nas vielas e becos mais profundos, Chico Science & Nação Zumbi lideravam uma revolução sonora, tirando das profundezas da lama a voz daqueles que eram marginalizados pela sociedade. Suas canções eram gritos de resistência, uma ode à cultura popular que emergia das entranhas da cidade,   clamando por justiça e igualdade.

Em outro canto da cidade, a batida do skate ecoava pelas ruas, acompanhada pelo som inconfundível do Charlie Brown Jr. e de Marcelo D2. Juntos, eles eram a voz da juventude urbana, dos grandes centros urbanos, expressando suas frustrações e esperanças através de letras que capturavam a essência das ruas em uma outra perspectiva, num outro rolê, num outro grupo.  Bem queria eu saber passear com essa galera irada, mas enfim, pé no chão e bola de handebol na mão, um pouco de caneta também e muita coisa a ser construída. Noutro canto, o ritmo contagiante de “Ana Julia” ecoavam pelos bares e praças, trazendo consigo o romantismo melancólico dos Los Hermanos. A história de amor impossível narrada pela música cativava corações e alimentava os sonhos de uma geração em busca de sua própria identidade. Na verdade, nem sei por que eu gritava e cantava e pulava ao som de “Los Hermanos” que não eram Hermanos estes ‘zucas’, ao nome da mulher – Ana Júlia, só sei que por viralizar em tudo quanto é canto, seguia-se o bonde, oh povo cosquento que pulava mais que tudo. 

Enquanto isso, Adriana Calcanhotto e Belchior enchiam os corações dos apaixonados com suas performances emocionantes, suas letras profundas tocando a alma daqueles que as ouviam. Suas músicas eram como pequenas histórias, repletas de emoção e significado, que repercutem através do tempo. Mas a cidade também abrigava aqueles que buscavam escapar da rotina através do ritmo contagiante do Skank nos anos 90, da energia pulsante ainda dos anos 80 com o RPM e da irreverência do Pato Fu abrindo um novo século. Suas músicas eram uma celebração da vida urbana, um convite para dançar e esquecer as preocupações do mundo. O Rappa trazia a voz das ruas para os palcos, suas letras afiadas cortando como facas a hipocrisia e a injustiça no mundo verde-amarelo. Suas músicas eram um grito de protesto, um chamado à ação para aqueles que se recusavam a aceitar o status quo. 

E no meio do caos urbano, surgiam os sons brutais do Sepultura, uma força da natureza que transcendia fronteiras e convenções. A música era uma explosão de energia primal, uma expressão da raiva e da frustração que fervilhava nas entranhas da cidade. Sei lá, a juventude ou é pacata demais, ou ligeira demais, 8/80 como dizemos. Assim, nesse cenário vibrante e diversificado, estas vozes e muitas outras se uniam para contar a história única e inesquecível de muitas cidades, onde cada nota era uma peça do quebra-cabeça que formava identidades. E se fossemos todos versão do musical de Alice no País das Maravilhas”, como seria? Calma capeta, nem bem meu remembre show está montado e já vem tu com estórias. Afff... égua! 

Se bem que, e si, e se, cada personagem icônico poderia ser representado por uma banda ou cantor que captura sua essência e personalidade de maneira única, então, Alice seria Adriana Calcanhotto, uma escolha adequada para representar Alice, pois sua sensibilidade artística e suas letras poéticas se alinham com a curiosidade e o espírito aventureiro de Alice enquanto ela explora o mundo fantástico do País das Maravilhas. Podemos adicionar Marisa Monte como uma alternativa para representar Dorothy, pois a sua voz suave e suas músicas emotivas ecoam a inocência e a determinação da jovem que busca voltar para casa. Espera, stop, parada aí... Alice e Dorothy, é..., hum, nada mau. Apesar de que são diferentes... rss a salada mista é eficaz. 

Então o ‘Espantalho’ de Oz seria Charlie Brown Jr., ele poderiacpersonificar o Espantalho, com sua atitude descontraída e sua busca porcsignificado e propósito. Assim como o Espantalho desejava um cérebro paracentender o mundo, as letras da banda refletem uma busca constante porcentendimento e autoconhecimento. Podemos considerar Lenine como umacopção para personificar o Espantalho também, pois suas canções muitas vezescreflete uma busca por conhecimento e significado, semelhante à jornada docEspantalho em busca de um cérebro – “Paciência”! Para de pensar no pluralcgarota, já que está a pensar sozinha e a confabular na mesma. Até poderia usar ocsingular se tu não pentelhasse tanto na minha cabeça, intrometida!c

Assim, xiuuu... o Homem de Lata de Oz poderiam ser muitos, como o grupo Paralamas do Sucesso e os Titãs, a gente mistura eles, pois se encaixariam perfeitamente como o Homem de Lata, trazendo uma mistura de sensibilidade e firmeza. As canções destas bandas por inúmeras vezes abordam temas como emoção e vulnerabilidade, refletindo a busca do Homem de Lata por um coração. Posso incluir Zeca Baleiro como outra escolha para representar o Homem de Lata, uma vez que as letras de suas canções exploram emoções profundas e vulnerabilidade também, o que reflete na procura do Homem de Lata por um cerne, mais íntimo do coração. Hei, psiu. Que foi? Não éramos nós no plural. Afff, pentelha. Cala-te! Hum... usando ênclise portuguesa é hahaha... Axiii... me deixa. Ops, essa é ênclise também, errouuuu... vou expor no Domingão! Jesuxxx, quem toma conta de ti pensamento? Deixa eu. 

Então, já o Leão de Oz, poderia ser o grupo Rappa seria uma escolha poderosa para representar o Leão, com suas letras marcantes que confrontam questões sociais e políticas de maneira corajosa. Assim como o Leão, a banda mostra uma força interior que supera qualquer medo. Uma outra escolha seria Caetano Veloso como uma alternativa de personificação. As letras caetanas sempre abordam questões de identidade e coragem, refletindo a jornada do  Leão em busca de autoconfiança. Assim, o Mágico, seria o Gabriel Pensador, talvez ele, trazendo uma energia única e uma aura de mistério, desafiando convenções que nos empurram aos limites, criando um ambiente mágico e hipnótico. 

Eu olho para essa composição e também olho pra fora dela, que tal algo internacional? Vamos ver.... Bem, eu poderia colocar a Taylor Swift como Alice, aquela do “País das Maravilhas”. Alice é uma personagem doce, curiosa e determinada, características que combinam bem com a imagem e o estilo musical de Taylor Swift, creio que ‘cai bem’ Taylor no papel de Alice. Já o Chapeleiro Maluco seria Mick Jagger da banda “The Rolling Stones”. É realmente, boa. Xiu, quieta! Tá, tá. Olha bem, o Chapeleiro Maluco é excêntrico, irreverente e cheio de energia, então Mick Jagger seria a melhor escolha devido à sua personalidade e ao seu estilo único. 

Rainha de Copas, uouuuu... pensei na Beyoncé. A Rainha de Copas é poderosa, imponente e tem um temperamento forte, características que se encaixam perfeitamente com a personalidade e a presença de palco de Beyoncé. Ou mesmo com uma outra personalidade musical que poderia se encaixar muito bem no papel da Rainha de Copas, bem... ela seria a Lady Gaga. Assim como Beyoncé, Lady Gaga é uma artista poderosa, imponente e com uma presença de palco extraordinária. Além disso, ela tem um histórico de performances ousadas e extravagantes, o que a torna uma excelente opção para interpretar a rainha tirana e temperamental do País das Maravilhas. 

Estava já confabulando com meus pensamentos enquanto montava o cenário da Rainha de copas em que o Coelho Branco, talvez... não sei, mas poderia ser Paul McCartney dos “The Beatles”, pois o Coelho Branco é um personagem gentil, um pouco excêntrico e com um toque de formalidade, o que faz de Paul uma ótima opção devido à sua longa carreira na música e ao seu  carisma. 

O Gato de Cheshire cairia bem para David Bowie, pois Cheshire é misterioso, enigmático e sempre parece estar um passo à frente dos outros, assim como David Bowie, que era conhecido por sua persona camaleônica e sua música inovadora. Outra pessoa que pensei seria Prince. Poxa vida! Que difícil escolha. Embora eu não tenha dúvidas de que a Lagarta deva ser o Snoop DoggAh sim! A Lagarta é um pouco enigmática, então Snoop Dogg, com seu estilo descontraído, seria uma escolha interessante. Já a Lebre de Março... hum, opção interessante, o cantor e compositor Jack Black. Jack e sua energia contagiante, senso de humor excêntrico e personalidade cativante, ele tem a capacidade de entreter e fazer o público rir o tornaria uma escolha divertida e adequada para  interpretar esse personagem, visto que a Lebre de Março é hiperativa, excêntrica e adora festas. Hahah.. boa!  

Tweedledee e Tweedledum formam uma dupla, então que tal a dupla de comediantes musicais Flight of the Conchords, formada por Bret McKenzie e Jemaine Clement. Eles são conhecidos por suas letras engraçadas, performances cômicas e estilo musical único, o que seria divertido. Boa, gostei. Ahh já chega desta bobagem. Hei, olha como fala comigo! Afff... que atrevida! Eu só... Estava lembrando aqui do redemoinho que levou Dorothy. Mas deixa quieto, dentro desse contexto afora, explora, amola, risca a rima e deixa o barco correr na Tempestade de Beethoven. Separação desejada. Nada mal, ou tudo mal…. Tinha que ser assim, pois se de tudo se soubesse aos vinte e quatro, ninguém se casaria. 

A reflexiva razão aguda, dela não há desvencilho, não se tem apagão do que fora feito aqui nesta Terra, nem o que não virou história; a mídia controladora é tão rata quanto propaganda de Coca-Cola, vicia, manipula-se por outros sentidos sinestésicos menos pela razão, expõe o que quer, do jeito que quer, ahhh…. Uma maravilha num cubo, mexendo os fios neurais dos bonecos ventríloquos de olhos estatelados, que se anestesiam com tal massagem de egos  nos sofás. Ahh… O mundo e o Brasil, o Brasil e o mundo, e de fundo o eco que ecoa as verdades, Raimuunnddoo, Raimuunnddooo, aimuunnddooo, immuunnddoo, muunnddooo... mudo, mudo, mudo. Janeiros e suas retrospectivas; dia 10, a região sudeste do país é diagnosticada com epidemia de dengue e o governo é acusado de negligência. O governo é acusado de negligência desde 1570, caracas! Quem cobra isso? Quem encobre sabemos não é Babel? O que você disse? Acabei de chegar, coloquei os pés aqui agora uai, como vou saber? Hahaah... nada não, estava aqui a confabular meus pensamentos Babel. Entra aí. 

Héle, deixa eu te contar, tem um casal na city que faz swing, tá sabendo? O que mesmo? Eles são donos de uma loja de tinta saca. Babel, primeiro, o que é swing? O que Héle? Nunca ouvi falar nesse trem! Ó deixa, eu explico. Péra, depois, primeiro vamos terminar esta análise, o que eu estava pensando mesmo, ah sim, quem encobre as sacanagens dos líderes brasileiros. Bom, acho que seria o morto Héle, morto não conta nada, o povo continuará chorando e chorará Héle, quem irá cobrar cada lágrima? Babel, a democracia deveria.... cada cargo uma responsabilidade, para cada responsabilidade uma cobrança, para cada erro uma punição. Mas não é assim não Babel. Assim não funciona não? Não, putz Héle… pra que serve a Constituição? Direito Penal, Tributário, Civil e o escambau? Ahhh…. Servem para os ricos somente, que delongam instâncias e instâncias, já os pobres são condenados na primeira leitura. 

O povo é mal alimentado com falsas esperanças ano após ano Babel. Tu não assiste jornal não mula? Ó biscoito de vento, olha os hábitos da alienação hein. Cala Héle, eu percebo que o povo está começando, talvez, começando a  saber por onde gritar. Exatamente por isso, que a palavra “talvez”, é considerada semanticamente uma hipótese provável do que supostamente pode vir a acontecer ou não. Ai CDF do cão, você podia ser menos inteligente Héle. Hahaha... Babel, fofuuuraa, eu leio tá, mas gosto mais de jogar bola. Uia! Ôh povinho meketrefe também né! 1998, um ano que sonda cérebros. Babel, sabe que uma das identidades da sonda é sondar uma cavidade do corpo, e extrair dele o que não presta, evacuar o pus de uma ferida por exemplo, aquela secreção amarelada, às vezes esverdeada e preta repisada, viscosa e grudenta fétida que é resultado de uma baita infecção, que se produz no local da ferida, composta por glóbulos brancos e bactérias. Ecaaaa…. Calma besta quadrada, não grita! Quis especificar o provável para chegar no improvável, pelo menos do ponto de vista conotativo para o real. 

Neste caso, será que se colocarmos uma sonda no coração do Mundo, conseguiremos evacuar toda podridão dele? Utópico!? É… sei bem. Ponto de  vista subjetivo causa impacto, mas não está impactado nos livros das Leis. Deixemos isso para a mesa de cirurgia, pois noutras mesas nem todos os eleitos Homens sabem usar bem um bisturi. E lá vem fevereiro meu povoooo…. É carna,  é carna, é carnaval, val, val, uau, uau, uauuuuuu… Aê você gosta né dona Babel. Ecos sonoros das micaretas, mulherada pelada, punheta de rodada, madrinhas de bateria com as peitcholas de fora, seguraaaaaa pião! Abriu a porteira, tchê tchê tchê… E lá vem Maradona de camarote no vigésimo copo de cerva mais  Edmundo, e lá vem Romário pela direita e a mulherada enlouquecidaaaa… seguraaaaa o charuto, vai caí, vai caí, vai caí, cai, cai, caiiii…. Caiu. Gennnttiiii…. Pasmei. Até tu Dercy de peitcholas de fora. Xinga não mulé, óiaaa que coisa feia Héle! Cruzes Babel! O clube tá cheio eita, vai você na frente língua desenfreada. Ochê, vô nada! Tá falando com quem Héle? Ôh múmia paralítica, contigo pela esquerda, é uma narrativa futebolística mulé. 

Tá difícil senhô segurá o vocabulário cô esse povo, eeeiiita. Sai fora… canário, o que Héle? Rio de Janeiro? Tá maluca!? No Rio Teles Pires, bem ali, mais tá mesmo. No “rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo...”. Hahahha cú  do mundo isso sim, onde caiu a sandália de Judas, lembra Héle!? Bora prô carna Héle? Opa, não nego uma folia com as amigas. E já quatro da madruga e o Salão de Festa da city ainda lotado, o som nas últimas alturas “mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamá”, o de sempre, depois ficam colocando a culpa no funk da periferia... aff. Estou sufocada aqui dentro, muito barulho e gritaria... saindo respirar lá fora, encontro c’as amigas, tritrebadas, Mi e Nany trançando “mamãe eu quero mamá”, calma, muita calma. Sentei com elas eufóricas, “me dá a chupeta, me dá chupeta” risos e risos, bêbadas e gargalhando alto, risos, gargalhadas, gritos. Desacelera povo. 

Babel apareceu, agora somos quatro, as quatro mosqueteiras haha... Mi e Nany alegres cantantes, sentadas nas cadeiras que alguns já tinham roubado do baile. Babel, puxa aquelas duas cadeiras sobrando... please. Tá bem! Ai que alívio, ventando bem aqui fora, céu estrelado lindo, vishhh senhorr… Olha Babel, o carro tá vivo! Contando, gentiii chama o Padre, vamos precisar exorcizar uns quinze carros nesse pátio. Os pobres estão pulando igual cabrito, fumaceou tudo por dentro, é alma, possuizou tudo! Héle, olha.. vi isso não! Vi isso não, bebi pouco, péra aí, mais um gole; putz… não é que vi mesmo. Um casal correu pro carro do outro, eu vi Babel, são os ‘carnacarros’ kkkkkkkk... fogo nas ventas, “carne da minha perna, carne da minha perna”, carne banalização, antropofagia na veia. Só falta o Gigante sair correndo atrás do ‘Macunaíma’ Babel. Haha, Héle, é carnaval, não duvido nada. 

O calor de Mato Grosso é sufocante Babel. Nem me fale, olha lá, olha quando ela entrou no carro e João viu, seus olhares se chocaram e, sem dizer uma palavra, ele a puxou para mais perto. Sem falar que o pau tá torando lá  dentro, a música tá muito alta Héle. É isso que cria essa atmosfera selvagem. Olha lá, ele deslizou a mão pelo cabelo guria e deu um puxão, jesuxxxx, tascou o beijo. Héle, onde? Não tô vendo nada... eita pêga, que beijaço é esse, ui. Olha lá no carro azul. Tem um montão de carro azul aqui. Aquele Voyage pelamordedeus! Ah tá. Olha lá aquele beijo eletrizante, cheio de paixão e desejo. Héle, muitos carros estão a chacoalhar ao som da música alta, e este o casal está envolto em seu próprio mundo de paixão e desejo e nem estão ligando se estamos aqui fora vendo, parece até divertido para eles no banco de trás do carro, completamente envolvidos um com o outro, perdidos naquela febre do momento. De repente, um casal nu saiu correndo de trás de um dos carros, dando a volta no veículo e entrando novamente, sem se importar com quem os via. O casal dentro do carro não conseguia evitar rir da cena inusitada. Héle, cê tá cega. O que foi? É a Nany ali pelada hahahaha... tinha que ser essa nanica mesmo! Hahaha.... 

“Abre alas que eu quero passar e abre alas que eu quero passar”, ai, ai, meus pés estão pedindo salmoura. Eu vou pra casa meninas, deu minha hora. Hum a cinderela já vai é? Meia noite é meu prazo de festa, mas curti muito. Inté. A semana passou rápido e março já se encaminhava, aquele mês da desintoxicação, mais televisão e o mês caput, acabou. Vem março, vem bichinho, se acanhe não bichinho lindju. As notícias não eram das melhores depois das festas, sequestro de fulano, ciclano e beltrano sucessivamente; EUA e suas bombas no Golfo Pérsico, seca arrebatadora, El Niño devastador, cidades saqueadas por todo Brasil, Professores Universitários em greve, incêndio gigantesco em Roraima, sai março seu fio duma égua! Apruma, passa, passa, ligeiro, anda! Que lasqueira trem… Desce um guaraná aí chefia, vamos ver essa assinatura de ‘Acordo de Belfast’ de perto. Sei não hein, tenho minhas dúvidas utópicas dos abrils da vida. Partido boicota posse de Senador, morre ministro de doença pulmonar, morre deputado de infarto, vereador é morto em emboscada, opaaaa…. Esse abril tá virado torpedo, vou estacionar um tempinho aqui, vô nada, corre… 

Frank Sinatra se foi “And now, the end is near/And so I face the final curtain.../I did it my way”, quisera eu fazer tudo do meu jeito. Estatais em leilão, privatização no governo FHC, 36 empresas vendidas e 21,8 (US$) bilhões na receita das vendas. Vidjhiii Poconéééé… Maio das profundezas. Bin Laden faz coletiva de imprensa, morreu, foto confirma; não, não, foto é falsa, tá vivo. Guerra no Vietnã ainda é uma ferida aberta, pesares e pesares nessa estrada. Vem julho de carona no tsunami, mata 1,5 em Papua - Nova Guiné; e no Brasil os remédios de farinha e convenções partidárias, conchavos para as reeleições, meleca! Mais privatização em julho, ninguém pode tirar férias mesmo, é piscar e o governo já vem lhe ripando, toma, toma, toma… Ai! 

Nem falem de Copa que tenho uma convulsão psicodélica. Que medo do agosto, inundações na China, Bombas nos Estados Unidos, terroristas aterrorizando o mundo. Setembro vem vindo, esconde! Nasceu! Nasceu? Quem nasceu? Google nasce pro mundo, uia… Partido Social-Democrata vence na Alemanha, óia só… podem sair do buraco gente, o setembro parece ser manso… e toma, toma, toma. Pá… Tragédia no voo 111, cai avião no Oceano Atlântico, bomba, bomba, corre, pega o outubro no laço, arrepia vai… fecha o olho, fechei,  passou, passei, você viu? Vi o que trem, tu não mandaste fechar o olho, cacildis! Não conta! Eu sei, as pessoas se vão inesperadamente, parecem eternas, mas são de carne e osso. 

Que ano hein! Não dá pra voltar pro carnaval não!? Ainda tenho que decifrar o poltergeist que estava naqueles carros. Central do Brasil vai deixar saudades, enquanto isso os Padres da aeróbica do Senhor arrepiam a história, iirruuuuu…. Há séculos que os cristãos não tinham tanta alegria na fé, nos últimos dois séculos, fé era sinônimo de dor, de esperança também, porém uma esperança movida pela dor, pela perda e pelo sacrifício, fazer algo difícil para alcançar a graça. Em contraponto Babel, o sexo deste ano está mexendo com os neurônios do povo, é o chicote da Tiazinha, o véu da Feiticeira, o Tchã solto no meio da rua.

Um ano de muita malícia e imaginação isso sim, até um milagre dos laboratórios surgiu na fé das orações eréteis, enfim o viagra, aquele remedinho azul sabe. Acabaram-se os temores e fracassos barbaridade tchê, mas báh também daí. O povo tá surfando pelado, andando na rua pelado, fazendo afazeres de casa pelado, assistindo show pelado, isso nem é Woodstock, só para ficar claro. A nudez conquistou o gosto de boa parte da população, George Michael até foi preso de bunda de fora. Caracas! Perdi isso Héle. Também né, você não assiste documentários e jornais, só assiste novela.

Deixa eu te explicar o que é swing Héle, espera aí Babel, olha essa. Sexo oral na Casa Branca, está em todas as manchetes do mundo. Eita Héle… O povo não deixa o Presidente em paz! É mesmo Babel, ainda tem um promotorzinho larápio, já gastou cerca de 40 milhões de dólares na investigação de uma chupeta, puta que pariu viu! Isso que é não ter o que fazer da vida…. Que motivo fútil para gastar toda essa grana, báh! Bill Clinton perdeu créditos com os políticos, vai ao impeachment por causa de uma chupada o pobre, kkkkkk.... Foi um boquetinho de nada, não foi Mônica chupinsky!? Mônica!? Cadê? Sumiu, deve ter embolsado a maior grana para entregar o vestido azul cheio de sêmen do Presidente para aquele promotorzinho pulguento, massacraram Clinton, mas ele começou a fazer macarrão com a esposa, cozinhando na TV, pronto. Carismático demais, caiu nas graças da população. Sua esposa é nadica de nada burra, deve estar com o clintinho na mão. 

CARALHO! Nada fácil estes tempos. O jeito é assistir um pornozinho, depois de tantos fatos, correria do caramba, morfina, parafina, Josefina… Clinton tirando fina, brasileína, cafeína, opaaa, pa, pa, parou. Esse trem de faculdade está lhe deixando abusadamente crítica demais Héle, sábia demais, pensativa demais, desconfiada demais, sagaz demais. Para vocês verem meninas, que isso só é uma parte da transformação daquilo que eu já era há muito tempo, contudo, para conviver com todos os grupos e tribos, mudei até o vocabulário. Que crise hein Héle! Crise, ah... acho que não Babel, são escolhas. 

Senta aí meninas, vamos assistir um filminho, nada pesado, levinho. Babel a pipoca está na mesa é só estourar. Nany tem refri na geladeira, traz os copos. Oh madame, só mandando na gente né, que isso!? Ochê, tem tudo aí moçada, que horas a Mônica vem? Daqui meia hora ela disse, tá bom, ainda dá tempo de rolar um poker, eu não fumo já sabem, fumantes vão se poluir lá na  área externa please. Cruzes Héle vai, que dureza, vai transá mulé! Ah, cansei de pescar todo fim de semana e cuicá nos matos. Só em casa de boa, vocês vêm em casa e a gente faz uns roteiros diferentes. Que filme você trouxe Babel? Uns internacionais e outro das brasileirinhas, sei lá, fui pegando. Coloca esse, o cara é o maior gato, a garota é sem sal, mas manda vê, põe esse. Mônica chegou com Edy, ahh relaxa gente, Edy é gay e vamos dar é boas gargalhadas, aliás fazer várias perguntinhas. E o swing!? Cala boca Babel, eu lá quero saber desse trem sô. 

Entra aê gente, sabadão é nosso, já assistiram algo? Não, não; vamos começar agora com este, acho que é italiano, não sei bem. Vamos lá, opa, começou. Olha, o cara é lindão Nany, mas a filmagem horrível Babel, dá pra ver a barba malfeita e as espinhas. Ah lá vem a crítica da turma, cala a boca Héle e só assiste; não dá gente é mais forte que eu, meu pensamento fica maquinando, é  um pentelho e uma enxerida a buzinar aqui no cerebelo. Uia a secretária entrou na sala do chefe, bem típico. Que loira aguada, até que é bonitinha, mas o cara, putz tríceps do Stallone, eh laia. Mônica de se abanar cruzes, já tá com tesão é? Nada ver Babel, Dãh. Ops, as pastas caíram, coitada, também um salto de 15 cm. O chefe bonitão vai ajudar, não disse, cala boca Babel! Ochê povo, tão óbvio. Deixa o cara pô, o roteiro já tá escrito. Hum, que beijo, ui derrubou tudo de novo a moça. Héle coloca legenda, não entendemos bulhufas de italiano. Que estranho, os corpos encenam bem, mas a pronúncia não combina, risos e risos nem precisa. Psiuuuu, hummm dois peitos de fora já, mão na calcinha, rápido isso. Vejam o lado bom meninas, ele ainda está de roupas e ela seminua, isso conta muitos pontos a favor do rapaz. Verdade Edy, preliminar é tudo.  Carinhoso, toque suave, nada agressivo, debruçou-a sobre a mesa, pôs-se entre suas pernas, molhou a mão com a saliva da boca e fez um carinho com os dedos no clitóris. Até que pra uma atriz pornô ela tem a periquita clarinha, lisinha embaixo, pouca moita em cima, diferente. Héle, cruzes, você repara em tudo mulher!? Claro! Ui ele está descendo para os países baixos. Já tá molhadinha né Babel? Cala boca Edy! Você não sabe o quanto isso é gostoso, a melhor preliminar é uma boa linguada, na verdade se tiver uma ressaca de linguada, fico noiva, caso, tenho três filhos e deixo ele pular a cerca muitas vezes. 

Eita Babel, sensível você. Já vai se derretendo, meninas vocês sabem o quanto é difícil encontrar um cara que não queira só gozar, não é mesmo!? Que saco isso! Bando de primatas. Olha lá, que boca suave, pontinha da língua brincando com o clitóris dela entre os chupões que ele dá em seus beiços carnudos vaginais, ela sobe e desce, fibrila, saliva, deixando-a a se contorcer de prazer na mesa. Limpa a baba Nany, a sua também Héle, acha que não sabemos que por traz das suas análises dona certinha a calcinha já não está molhada! Porra, que demora! Cala boca Edy! Uiii tá bom meninas, um coro de suplício desses, parei né. Ei Edy. Que foi Héle? Você já chupou uma dessas? Ecaaaaaaa…. Que nojo! Nunquinha, posso morrer dura aqui. Vocês riem né suas vacas, sabia que ia rolar essa pressão hoje. Mas pô, o cara ainda tá ali. Ahhh isso é lindo! O cara vai fazer ela gozar primeiro, olha isso, que maravilha! Aposto que estão todas molhadinhas não é, putz Edy e como não, isso é raro! Tem uns caras que não tem paciência com a demora do orgasmo feminino. Não é nem a demora Babel, é a falta de sensibilidade mesmo, essa que estamos vendo. Algumas mulheres não demoram tanto, cada uma tem seu diferencial. Abaixa o som, os vizinhos vão achar que estamos na maior suruba aqui. Tá bom, tá bom! Olha só,  que gozada deliciosa, senti aqui. Uia Nany, mulé se atenha vice! Tem gente que vai a caça hoje, ahh se vai né Moniquinha? Ih povo, me erra! Olha isso, ela gozou na boca dele e ele está ali ainda, fantástico, ôh senhor multiplica se for assim senhor, multiplica… 

Ela se levanta, ele a beija, beija seus seios, enquanto sua calça é desabotoada, ficam nus, isso sim, esse é o processo. Que processo Héle? Processo natural das coisas. Que corpo, deus grego, Hércules loiro sem tranças, que bundinha linda, ai calor! Abana a Babel alguém, olha as pernas disso! 18 cm e grosso, um gigantesco cogumelo rosado, ai senhor me leva, me leva pra essa tela, eu vou pular, eu vou pular. Gritaria na sala. Para de chilique Edy! Menina se comporta. Não dá não. Tá certo o cara é um puta gostoso, tudo de bom, lindo, tem uma preliminar dos deuses, bundinha graúda, penas torneadas, pênis grande delicioso e tal. Héle pode parar, análise anatômica agora não. Hum… a penetração vagarosa, olha como eles se olham e a câmera foca certinho o encaixe, hum tem gente mordendo os lábios de sede de sexo, me erra Edy, ai Nany possuída se aquieta, não me olha assim Mônica chupins, afff... sei bem. Putz galera, não vamos assistir, vocês só conversam, calem a boca! Babel tá putz revolts é!? Haha... 

De onde é esse filme mesmo, é italiano, americano, russo? É italiano Babel. Atraente esse Héle, o filme foi atrativo, mas assistir filme pornô em grupo não dá, muito menos contigo Héle. Por quê!? Eu narro bem os detalhes, olha só: “as mãos seguram-lhe a cintura esbelta, nenhuma marca de sol em ambos ‘Impregnada paz atraente dos vulcânicos sons adentro. Gemidos, suculentas vozes meticulosamente ferozes, hipnotizam em silêncio o transe como se houvesse um kamikaze’”. E aí, que tal? Héle sendo Héle. Enfim, tenho que ir. Eu também. Nós também. Que isso, vão todas embora, assim? Vamos pro rolê de rua. Tá bem, eu fico a terminar o filme sozinha, pra que servem os amigos né.  Pra te abandonar Héle hahahaha.... Sem dúvida suas traíras! Hahahaha... amo vocês, até breve. 

Enfim, eu e meus pensamentos no silêncio da sala, o silêncio que foi exigido para esclarecer os ouvidos das cenas picantes. Penso eu “por não poderes desfrutar de minhas ideias. Tão concentrada e comedida cautela ao zelo da desconstrução poética”. E na nudez dos corpos mesmo em tela faz o pensamento brotar concomitante a imaginação na arte de observar, minúcia dos detalhes que envolviam aqueles corpos supostamente apaixonados em tela. Sabia que naquela sala deveria haver mais pessoas observando a cena, uns aproveitando da sacanagem, outros com olhar clínico da perfeição de um trabalho. Ah... que bom ser eu. Bem, pelo menos eu gosto de mim neste aspecto. 

Perfeito! A câmera capturava não só a transa, mas também o desejo que emanava, quando uma gravação transmite esse desejo, não dá para não molhar a calcinha. O vai e vem do espesso e suculento pênis entre as pernas da atriz, a  vulva a devorar o que lhe trazia prazer. Ela poderia até ser namorada dele, noiva, esposa, ou talvez somente uma excelente profissional, dedicada a arte do sexo. Aceitar seu contexto, acreditar que nada é ingênuo, que sua tara é suficiente no processo sustentado pelo prazer, lubrificado por ele e de dentro dele poder explorar o tempo. Donos de si e da situação, não há mais ninguém ali, só eles. Não há no transpassar da câmera uma única expressão de suportar algo desagradável, como em alguns filmes em que é nítido a dor que a mulher sente em dar o cú, ainda mais em público, em uma gravação. Será que o homem não sabe que ato de cuspir não lubrifica nada e que o cuspe é ácido? Valha-me, quanta primitividade! 

Ainda no filme, o protagonista debruça sobre ela enquanto a invade sem pressa, sufoca-lhe o beijo, suas costas arcam e desarcam, o toque é forte, mas não violento, ele a levanta de súbito, algo imprevisto na cena. Ainda a possuindo a deita cuidadosamente no sofá do escritório. Compreender a intimidade de outrem é necessário sensibilidade, o gostar dos detalhes surgidos um do outro. A tara, o desejo ardente esmerilha do sexo e não da paixão, pois quando há esse cuidado na capacidade de perceber as sensações, aparece na natureza de ambos uma tendência em reagir aos estímulos. Uma vontade de sentir e de emocionar, algumas pessoas têm facilidade em se doar na gravação de uma cena sem resistências ocultas. 

Eles se desencaixam, beijam-se, boca, orelha, pescoço e ombros, aquele cheiro no cabelo, aquela pegada segura e firme, o reposicionamento das posições, ele sempre bem-disposto, nenhum cansaço aparente, corpos suados, ela se vira de costas, posição gostosa, creio que já devem ter saído do roteiro muitas vezes. A qualidade de seu instrumento não acusa a mínima variação da intensidade, rígido no poderio da cena, sempre ereto e focado nela; uma perna no chão, a outra no sofá, suas mãos se apoderam novamente de bela e esbelta cintura num ângulo oposto. Delicioso sabor da provocação dos sons, dos gemidos enaltecidos pelas estocadas mais fortes, agradável de se ver, expressão nítida da sensualidade, da sexualidade atraente de ambos. 

Mais rápido, mais forte, mais lento, mais suave, ele é sedutor, modo gostoso de penetrar uma mulher, metafônicos. Apetitosamente um deleite nessa tarde de sábado, espectadores nem respirando mais estão, aquele transe de secar a retina. Ela se toca debruçada de quatro no sofá, esbaforidos gritos, tesão intenso, uma hora de puro vigor, sensações, satisfação do desejo, é o prazer que vem da vontade, da necessidade do toque úmido, um divertimento íntimo. Ele gosta de olhar o que está fazendo, sua expressão de satisfação, sua cortesia, regozijos. Ele pede outros carinhos, a moça que ele sente ao seu lado, o desfrute nas condições certas, mais beijos, mordidas leves, ela o deseja, está gostando da atuação, talvez ela, eles, por serem profissionais do sexo nem se incomodem com os outros ali, filmando, dirigindo a cena, etc. Não houve um só momento em que ambos desviaram o olhar, ficaram fixados um no outro, expressão de beleza no prazer que obtinham. 

Uma boca que nada em meio ao suor abdominal, uma língua que corta o sal, a posse de uma atividade peregrina, tocar levemente o rochedo, execução de requinte, uma obra de arte. E nos passeios longos da língua os olhares não se desfocam, assumir uma posição servil, nesse caso, não inspirava humilhação alguma, havia um olhar ávido a saciá-los. Eva, esse era o nome dela, pronunciado pela primeira vez enquanto ele gemia e suplicava que ela não parasse, você gosta Eva? Incrível, essa foi sua única fala no filme. Estava eu estava submersa nessa arte, contaminada por ela, por eles. 

O gozo de um benefício adquirido de uma particularidade particular só meu. Ela o tragava completamente e dragava o desejo de minha alma, minhas febres recolhidas “Desperta desta sonolência absurda, que te faz morrer, que te faz cair. De onde surgiste tão séria matéria? De onde brotaste tão opaca vida? Liberta-te desses que te sugam a alma; estenda tua mão e tome a minha. Farei por ti o que ninguém fez, cuidarei de ti, cuidarei de ti” ó meus raros pensamentos de liberdade. Noutra forma não seria tão apreciado todos esses detalhes, a sucção frenética dos termos, lubrificados de saliva, a ponto de explodir a qualquer momento. A câmera precisa filmar essa explosão vivida, jorrada no tempo certo, e se não fosse isso ela não deixaria cair nenhuma gota. Vamos garota, ele está quase lá, não balance o ritmo nem solte a força da boca, frissons... e ele diz “Abra a boca querida, não posso mais me segurar”.

Lançou com força para fora de si certa secreção, em particular, espessa e branca do esperma aos urros, que gostoso ouvir alguém chegando no seu ápice de prazer, algo pessoal e íntimo que advém de suas sensações exclusivas. Ela recebeu com prazer, banhou-se, esfregou suas mãos por seu rosto, lambeu os dedos, mas o olhar, ah o olhar, esse não se desconectou, e no final o sorriso de Eva e Tony, um para o outro. Ele se aproxima e beija sua testa, a beija sem nojo, pois sabe que tudo aquilo é seu, saiu de seu corpo. Os olhos de Eva e Tony permaneceram conectados, revelando uma cumplicidade silenciosa e profunda. O ambiente ao redor parecia desvanecer, deixando apenas os dois imersos naquele momento de pura intimidade. Tony, ainda sentindo os resquícios do prazer que o consumiu, acariciou suavemente o rosto de Eva, traçando o contorno de seus lábios com o polegar, beijando-a sem se importar. 

Eva, ainda saboreando o gosto dele, sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sua pele estava aquecida, seus sentidos aguçados. Cada toque de Tony era como uma chama que reacendia seu desejo. Ela não podia conter um sorriso de satisfação ao ver o efeito que tinha sobre ele. Com um movimento lento e deliberado, ela o levou para o banheiro e o câmera continuou gravando, será que também fazia parte da cena o pós fim da gozada? Seus corpos quase se tocando, respirando o mesmo ar carregado de expectativa e desejo. Sem perder tempo, Eva envolveu Tony em um abraço, suas bocas se encontrando em um beijo ardente embaixo do chuveiro, cheio de urgência e paixão. As mãos de Tony deslizavam possessivamente por seu corpo, sentindo cada curva, cada linha. Eva gemia baixinho, respondendo ao toque dele com um fervor que incendiava os dois. Ela pedia mais “quero mais você”, cheia de tesão. 

A tensão no ar era palpável, como se o tempo tivesse parado apenas para eles. O calor de seus corpos se misturava, criando um ambiente carregado de eletricidade. Eva afastou-se por um breve momento, apenas para contemplar Tony, seus olhos brilhando de desejo, dedilhando a cena de seu corpo. Ela sabia que aquele instante seria inesquecível, gravado em suas memórias como um símbolo de entrega e paixão. Tony, incapaz de resistir à atração magnética que sentia por Eva, a puxou para si novamente, desta vez com ainda mais intensidade. Rijo, pulsante, desejava penetrá-la novamente. Seus corpos se moveram juntos, cada toque, cada beijo, cada suspiro era uma declaração de prazer, a química que deu certo. 

Ele a suspendeu contra parede, e dentro do box, onde tomavam uma ducha, tudo começou novamente, o sexo selvagem, a penetração quente, a força que fazia para satisfazê-la. A água morna da ducha escorrendo sobre seus corpos entrelaçados, amplificando a sensação de calor e desejo. As gotas d’água misturavam-se ao suor, criando uma vulcânica, líquida, a escorrer na pele o calor do gozo passado. Tony olhou profundamente nos olhos de Eva, sua respiração pesada, mas firme. Seus lábios encontraram os dela no beijo feroz, no prelúdio do que estava por vir. Com habilidade capaz e experiência, Tony penetrou-a novamente, e mais e mais, sentindo a quentura envolvê-lo. Logo, cansou-se, desligaram a ducha e foram pra cama. O movimento começou lento, quase torturante, deixando Eva ansiosa por mais. Ela urrava suas urgências, o prazer lhe gritava enquanto suas mãos agarraram os ombros fortes de Tony, suas unhas cravando-se na carne dele, ao mesmo tempo, incentivando-o a ir mais fundo. Ele a virou de bruços, ergueu sua anca, lambeu-a mais. Penetrou-a por traz, desta vez com força e muita vontade. Cada investida Eva gritava de prazer, cada estocada levando-os a um estado de êxtase mais elevado. Eva gemeu, seus sons misturando-se aos suspiros de Tony. Ele sentia a força e o desejo dela em cada movimento, e isso o fazia querer dar-lhe ainda mais. “Você me deixa louco”, ele murmurou entre beijos, sua voz rouca e carregada de paixão. Eva se pôs mais gostosa, empinou a anca encostando a  cabeça na cama, era ao mesmo tempo desafiadora a redenção a uma mulher dominadora. Tony aumentou o ritmo, cada vez mais rápido, cada vez mais profundo, a cama agora um palco de sua paixão incontrolável. Eva sentia uma pressão crescente dentro de si, uma onda de prazer que ameaçava explodir a qualquer momento. Ela olhou de lado para Tony, seus olhos pedindo por  libertação, e ele entendeu. Puxou-lhe os cabelos como se estivesse a cavalgar, deu-lhe uns tapas no traseiro que lhes levaram, ambos, a loucura, ao fascínio. Com um último impulso forte, ele a levou ao clímax, seus corpos tremendo juntos em um êxtase. Eva gritou, sua cabeça caindo para trás, o prazer absoluto a consumindo. Tony sentiu-se seguir logo depois, um rugido primal escapando de seus lábios enquanto liberava toda sua paixão dentro dela. 

Ofegantes e exaustos, eles se abraçaram sob o fluxo constante da água, deixando a euforia do momento acalmar-se gradualmente. Tony acariciou o rosto de Eva, seus dedos traçando suavemente o contorno de seus lábios, enquanto ela ainda tremia ligeiramente com os resquícios do prazer. “O que está acontecendo comigo”, ele sussurrou, sua voz um misto de paixão e exaustão. Eles permaneceram ali, na cama, abraçados, saboreando a intimidade e a conexão que compartilhavam. O mundo lá fora podia esperar; naquele momento, só existiam Eva e Tony, unidos por um amor e desejo que prometiam durar além daquele instante. Finalmente, exaustos, mas satisfeitos, eles se deitaram lado a lado, seus corpos entrelaçados, suas respirações gradualmente voltando ao normal. Eva descansou a cabeça no peito de Tony, ouvindo o batimento firme de seu coração. Ele a envolveu em um abraço protetor, plantando um último beijo em sua testa. 

Enquanto o tempo não para o filme que acaba, deixou-me mais perplexa com os momentos fora das gravações do que com a própria gravação vendida como filme. Sei lá, penso eu que aquilo que vai ao ar tem muitas características boas e ruins, contudo, não há de se perceber a verdade tão facilmente. Ah, a faculdade está a me deixar feliz e desiludida, quanto mais verdades compreendo, mais crítica fico, mais decepcionada com o tanto de tempo desperdiçado, sem sabedoria, com muitas coisas entre os humanos, os  selvagens. Enquanto o tempo não para e o filme chega ao fim, percebo que o verdadeiro espetáculo não estava na tela, mas nos bastidores. Aqueles momentos que nunca serão exibidos, os segredos guardados atrás das câmeras, são mais intrigantes que qualquer cena roteirizada. Parece que aquilo que vai ao ar é uma versão polida, higienizada, e irremediavelmente desonesta da realidade. Mas a verdade? Ah, essa é uma peça que raramente faz sucesso entre o público. 

A faculdade, esse palco grandioso do saber, me entrega diariamente uma mistura de alegria e desapontamento. Cada nova verdade descoberta é como uma faca de dois gumes: por um lado, ilumina a minha mente, por outro, revela a quantidade absurda de tempo que passei na ignorância. E quanto mais eu aprendo, mais crítica me torno, mais percebo a fragilidade e a futilidade de tantas coisas que antes considerava importantes. E assim, ironicamente, a sabedoria que tanto busquei, agora me pesa. Me pergunto se os selvagens, os que nunca se questionaram, não seriam os verdadeiros sábios. Afinal, a ignorância, ao contrário da sabedoria, tem o dom de transformar o tempo em algo leve e prazeroso. Ah, os selvagens! Estes, ao menos, não perdem tempo com a ilusão do saber. Ei, enxerida e rabugenta, não vai implicar com a desordem da minha ênclise? 

Ah não, eu saí com o pessoal pro rolê.


CONTINUA NA PRÓXIMA QUARTA...

Andréia Kmita


Andréia Kmita é natural de Campo Mourão - Paraná (25/04/1977), região Sul do Brasil, migrou com a família de ascendência italiana e ucraniana para o Norte do país. Docente na Educação Básica (Ensino Médio) na SEDUC/MT desde 1992. Graduada em "Letras"(1999/FADAF). Mestre em Literatura e Crítica Literária (2018/PUCSP). Pós-graduada em “Psicologia e Coach” (2020/Faculdade Metropolitana de Ribeirão Preto - SP). Em 2021 cursou “Terapia Cognitivo-Comportamental: Princípios Teóricos e Epistemológicos” e “Introdução a Psicanálise Freudiana” no Portal de Psicologia (in)Formação. Fez parte de grupos de pesquisa na PUC-SP sobre poesia e crítica literária em 2015 e 2016. Integrou o grupo de pesquisa da Profa. Dra. Telê Ancona Lopez USP (FFLCH) 2015/2016/2017 sobre o “Trabalho do Crítico”. Atuou como Coordenadora Pedagógica na escola especializada em Educação no Sistema Prisional de Mato Grosso de 2019 a 2020, onde escreveu documentos de suma importância para o Estado de Mato Grosso no segmento educacional PPL (Privados de Liberdade). Em 2021, iniciou o Doutoramento na FLUC (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) em Línguas Modernas: Culturas, Literatura e Tradução. É Poetisa, escreve contos e roteiros de curtas, escritora de projetos políticos educacionais e culturais. 

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVEARTS, 07 ANOS DE VIDA,
CONTANDO HISTÓRIAS, 
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