Reflexões de um Inconformado - Pensamentos Incendiários

 

Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito. (Martin Luther King)


Como não sou o cara das redes sociais, meus contatos via internet se dão por e-mail e por whats com as poucas pessoas que têm acesso a estes. Vez por outra, quando me sobra algum tempo, dou uma olhada nestes meios de comunicação por onde atualizo os que acompanham minhas publicações e consigo escoar minha produção para quem possa interessar.

Entre os assuntos que tenho encontrado nestes meios ultimamente, a maior parte são sobre meu último livro, o Memórias da Delinquência, o último número do meu zine, o Reboco Caído, e também sobre esta coluna. A maioria são comentários elogiando ou pessoas querendo trocar uma ideia interessante sobre algum ponto levantado. Claro que no meio disso vem sempre alguma coisa por parte dos raivosos com tempo para gastar nas infrutíferas discussões Internéticas que normalmente desperdiçam um tempo valioso em troca de nada. Não perco tempo com estes que, normalmente, só querem tumultuar com argumentos rasos ou completamente vazios.

Têm também os que pretendem causar algum efeito com suas ameaças. Coisa, infelizmente, corriqueira devido ao andar da carruagem que, por vezes, parece engatar a marcha ré. Um passinho pra frente e dois pra trás. Que cansativo. Criaturas arrastando suas clavas por aí, grunhindo discursos primitivos e babando seu veneno retrógrado. Só comprovam, cada vez mais, que são exatamente como penso.

Passei por certa mensagem que me questionava sobre uma resposta que dei durante algum papo que rolou há mais de dez anos em um programa de rádio que participei como convidado. Impossível falar sobre. Não lembro nem o que comi hoje. Pensando bem... Acho que ainda nem coloquei um grude legal pra dentro. Sem falar que há dez anos eu era outra pessoa. Só entrando em uma máquina do tempo para conversar com aquele sujeito.

 Mas teve uma que chamou a atenção pela tentativa de me inibir, de me constranger, fazer nascer  algum tipo de complexo, e, com isso, fazer-me recuar ou, quem sabe, deixar de escrever.  A tentativa deu início a uma reflexão sobre essa atitude. Começo então a organizar o pensamento em um pedaço de papel que encontro atirado em um canto do pequeno quartinho que atualmente me serve de moradia. Daí, para chegar até aqui, foi só questão de começar.

O cara inicia dizendo que sou um intelectualzinho esquerdista metido a guru. Para começar, não tenho de provar nada para ninguém e não tenho a menor vocação para guru, santo, líder ou qualquer merda do tipo. Nem aprecio esse tipo de gente. Sou cheio de defeitos, mudo constantemente de opinião e cair em contradição não é um problema para mim. Olhar por outro ponto de vista é necessário para quem busca aprender, entender, evoluir. Sou confuso e complicado por natureza. Trabalho melhor com perguntas que com respostas. As questões são muito mais produtivas para mim. Também não me dou muito bem com os que sustentam o rótulo de intelectual. Não falo dos que realmente trabalham com o intelecto, mas os que sustentam este rótulo como um registro para fazer parte do clubinho, de mais uma das podres elites que destroem o verdadeiro sentido que... Em resumo... Para não perder-me em meus labirintos mentais e levar comigo os que leem... para estes verdadeiros emaranhados de... Enfim... Escrevo porque gosto, me ajuda a elaborar e organizar meus pensamentos e ajuda a manter a loucura sobre controle. Com o tempo alguns amigos que tiveram acesso aos meus escritos gostaram e certas oportunidades e espaços foram se abrindo. Já contei essa história de forma mais detalhada em entrevistas e papos por aí. Quanto a ser de esquerda... isso depende do que se considera ser de esquerda. Continuando a leitura, pude confirmar minhas suspeitas. Para ele, ser de esquerda se resume a votar no PT. Ou seja... Ele nem sabe do que está falando.

Seguindo o blablabla, o sujeito destaca alguns erros de digitação nesta coluna. Imaginem que de tudo que ele leu, só o que conseguiu absorver foram alguns erros de digitação. Comecei a pensar se o que ele estava fazendo era deliberadamente para me desestimular, como citei anteriormente, ou se estava querendo ver em mim seus próprios complexos e frustrações, em processo mais patológico que consciente. Talvez o controle de qualidade dele priorize o que não pode ser feito no momento e não deve ser motivo para inviabilizar o projeto. Algumas outras possibilidades foram surgindo, afinal, a criatividade voa quando é para imaginarmos possibilidades. Contudo, nenhuma delas era algo admirável, louvável...


Por exemplo, essa pessoa nem imagina que estou sem acesso a computador, que digito isso tudo em um celular cheio de problemas, sem meus óculos (O que faz com que o processo saia literalmente às cegas)... Normalmente os dedos vão tentando acertar as pequenas teclas turvas, na tela toda rachada, depois de doze horas de trabalho noturno, chacoalhando em trens ou ônibus lotados. Talvez acredite que sou um escritor de gabinete, que escreve em seu escritório, recostado na confortável cadeira... Mas o que ele pensa ou deixa de pensar não vai alterar em nada o meu proceder. Acredito que o conteúdo produzido para esta coluna seja muito mais importante que alguns erros de digitação. Não ficarei esperando ter condições de resolver todas estas questões para falar sobre o que está acontecendo hoje e precisa ser tratado com urgência, precisando de pontos de vista que fujam ao que as lentes convencionais distorcem e apresentam como "A VERDADE".

Daí me vem o pensamento do velho King: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito."

Faça sempre o que estiver ao seu alcance, da melhor forma possível. Nunca deixe de fazer o que você consegue por achar que é pouco. Isso não pode ser desculpa e justificar o não fazer. Você sempre pode fazer algo, sempre pode se posicionar. Mesmo se amarrarem suas mãos, braços, pés e pernas, você ainda poderá xingar e cuspir na cara do seu carrasco. Se te amordaçarem, você ainda poderá peidar e apodrecer todo o ambiente. Não deixe que te convençam a parar ou que espelhem complexos que você não tem em você. As pessoas querem te convencer que o mundo sempre foi assim e que nada adiantará, que nunca vai mudar... Mas o mundo já foi de várias formas e só está deste jeito terrível hoje porque existiu todo um trabalho para que ele ficasse assim. Ele pode ser do jeito que quisermos. Basta nos movimentar para fazê-lo também se movimentar, não desistir e combater fortemente o discurso comodista e os que tentam nos desestimular.

Por tanto, se você que se preocupou tanto com os erros de digitação estiver me lendo, saiba que continuarei por aqui incomodando. Mesmo não passando no seu padrão de qualidade, eu estarei aqui insuflando a rebeldia e a insurgência e dando um grande foda-se para o seu padrão.

Nos vemos nas barricadas...

                                               ... isso se você não estiver escondido em baixo da cama...

                                                                                                                       ... ou atrás da tela

 

*Antes de fechar mais esta, deixo aqui outro pensamento também atribuído ao velho King:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”

 



O escritor Fabio da Silva Barbosa, um dos membros mais antigos e ativos do ColetiveArts  (foi dele a coluna Malditos Teclados Bailarinos).Dono de um olhar cirúrgico, Fabio é um verdadeiro cronista do underground, caminha pelos becos e bares da vida, que depois transforma em textos que são verdadeiras pedradas nas janelas dos "donos da moral e dos bons costumes". Também é dele um dos maiores fanzines do Brasil, o seminal Reboco Caído.



"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVEARTS, DIA 21/05, O COLETIVE
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