O Rock 'n' Roll como conhecemos e apreciamos hoje começou há muitos anos. Não se sabe com exatidão quando foi lançada a sua pedra fundamental ou quem deu o pontapé inicial de tudo. Bebendo direto na fonte do jazz, folk, country e rhythm and blues, dessa mistura fina nasceu o "filho bastardo". Com espírito libertário e alma negra, diversos músicos negros abrilhantaram essa vertente musical.
Direto de Nova York, quatro rapazes negros oriundos do jazz resolveram quebrar paradigmas. Em 1984, formaram o Living Colour, uma junção de funk, jazz e metal cheia de personalidade e atitude. Os responsáveis por isso: Corey Glover (vocal), Vernon Reid (guitarra), Muzz Skillings (baixo) e Will Calhoun (bateria). Eles foram expoentes ao fazer algo totalmente novo em uma época em que as bandas de glam metal dominavam as paradas.
Mas antes de conseguir o reconhecimento com a sua própria banda, Vernon Reid foi guitarrista no primeiro álbum solo de Mick Jagger, intitulado Primitive Cool. A eterna voz dos Stones virou um entusiasta e verdadeiro padrinho dos rapazes. Empolgado com uma apresentação do Living Colour, Jagger indicou a banda para a gravadora Epic e, ao lado de Ed Stasium, produziu o primeiro trabalho de estúdio deles: Vivid.
Lançado em 3 de maio de 1988, Vivid foi o cartão de visitas perfeito. Com bastante groove, peso na medida certa e muita musicalidade, o Living Colour mostrou logo o seu diferencial. É aquele tipo de disco em que vale a pena prestar atenção em todas as faixas. A que deu o pontapé inicial pode ser considerada o maior clássico da banda: "Cult of Personality". Com trechos de um discurso de Malcolm X e um riff matador de Reid, a música provou que o grupo merecia muito respeito. "Desperate People", "Glamour Boys" e "Middle Man" são outras faixas que mostram uma guitarra envolvente, guiada por uma cozinha que soube conduzir as canções e um vocalista cheio de musicalidade.
Daniel Filósofoé cronista, jornalista, profundo conhecedor de rock'n'roll, torcedor do Fluminense e radialista Também escreve suas crônicas dominicais na coluna doDaniel Filósofo.
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