
Oficinas de arte: oportunidades que transformam vidas
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Se tem uma coisa pela qual sempre serei grata é por ter tido uma mãe que nunca mediu esforços para me incentivar a fazer cursos, oficinas e qualquer atividade ligada ao que eu mais amava desde criança: a arte.
Ao longo dos anos, os prefeitos foram mudando, mas uma coisa posso afirmar: aproveitei muitas das oportunidades que a cidade ofereceu. Fiz oficinas durante as gestões de Bordignon, Marco Alba e Zaffalon. Cada período deixou sua contribuição, e eu sempre fazia questão de estar presente.
Lembro com muito carinho de um prédio que ficava próximo à Igreja Matriz, no centro de Gravataí. Ali eram oferecidos cursos de arte, música, aulas de reforço escolar e tantas outras atividades. Na verdade, cheguei ao local porque precisava de um empurrãozinho em Matemática. Mas, quando descobri que também havia curso de desenho... ah, meu amigo, aí ninguém mais me segurava!
Aquele lugar acabou fazendo parte da minha história de uma forma ainda mais especial. A proprietária, dona Eunice, gostou do meu jeito comunicativo e me convidou para trabalhar como recepcionista. Foi uma experiência maravilhosa. Conheci pessoas incríveis e muito divertidas, entre elas o inesquecível professor Sor Rochester, de quem guardo ótimas lembranças.
Minha vontade de aprender nunca parou. Fiz cursos de artesanato na Requinte, participei de oficinas na Laço e Fitas, no grupo da Seicho-No-Ie e em tantos outros espaços que seria impossível listar todos. Cada oficina me ensinou uma técnica, mas, acima de tudo, me apresentou pessoas, histórias e novas formas de enxergar a arte.
Foi durante a pandemia que vivi outra experiência marcante: lecionei minha primeira oficina de arte. Fui contemplada no edital Aldir Blanc para ministrar uma oficina de estamparia manual. O plano inicial era realizar as aulas no Quiosque da Cultura, em Gravataí. Mas, por causa da pandemia, tudo precisou ser adaptado para o formato remoto, utilizando o Google Meet.
Confesso que fiquei apreensiva. Sou muito tímida quando preciso aparecer diante das câmeras. Mesmo assim, enfrentei o desafio. No final, deu tudo certo. Os alunos aprenderam, produziram trabalhos lindos e eu descobri que também podia ensinar aquilo que tanto amo.
Hoje continuo fazendo e ministrando oficinas, algumas presenciais e outras remotas. E parece que esse amor pela arte passou para a próxima geração.
Minha filha já experimentou de tudo um pouco: violão, piano, desenho, lettering... Mas foi no teatro que encontrou sua verdadeira paixão. Já faz nove anos que ela participa das Oficinas de Arte da Prefeitura de Gravataí. Começou ainda criança, com cinco para seis anos de idade, e hoje, aos 16 anos, integra o GET (Grupo de Estudos Teatrais), um coletivo de pesquisa e experimentação cênica que nasceu justamente das oficinas gratuitas oferecidas pelo município.
E há um detalhe que aquece meu coração: a professora dela continua sendo a mesma desde a época do teatro infantil, a querida Izabel Cristina. Confesso que ela é a professora favorita da minha filha desde sempre. Isso mostra como um bom educador pode marcar uma vida inteira.
Por isso, quero deixar um recado para você que está lendo esta coluna.
Se surgir a oportunidade de fazer um curso, uma oficina ou participar de qualquer atividade cultural, aproveite. Principalmente quando ela é gratuita. Valorize essas iniciativas. Muitas vezes, justamente por não colocarmos a mão no bolso, acabamos faltando, desistindo ou deixando para depois. Mas alguém investiu tempo, recursos e dedicação para que aquela oportunidade existisse.
Nunca sabemos onde uma oficina pode nos levar. No meu caso, ela me apresentou amigos, abriu portas para o mercado de trabalho, despertou novos sonhos, me transformou em professora de arte e, hoje, também inspira minha filha a seguir seu próprio caminho.
Às vezes, uma simples oficina gratuita pode mudar uma vida. A minha é prova disso.
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| Arte:Waldemar Max |
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